quarta, 18 de outubro de 2017
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‘Os Mequetrefe’ do grupo Parlapatões se apresenta em João Pessoa

André Luiz Maia / 20 de abril de 2017
Foto: Divulgação
Um dos grupos de teatro mais respeitados do país, a companhia Parlapatões chega à Paraíba através da programação do Palco Giratório do Sesc. Amanhã e sábado, eles apresentam os espetáculos Os Mequetrefe e Parlapatões Clássicos do Circo em João Pessoa. Depois, na quarta e na quinta, eles levam as duas peças para Campina Grande.

Os Mequetrefe toma como base na obra do ilustrador e poeta inglês Edward Lear, que cunhou o termo nonsense. Sob direção de Alvaro Assad e roteiro de Hugo Possolo, a história se centra na trajetória de um longo dia de quatro palhaços que se chamam, não por acaso, de Dias. Desde o despertar até a hora de voltar à cama, eles descontroem a lógica cotidiana e buscam uma outra forma de enxergar a vida.

Os trabalhos de Lear, além dos conceitos de futurismo e dadaísmo ajudaram o grupo a dar uma dimensão lírica aos signos da palhaçaria. A definição dicionarizada de "mequetrefe" faz referência ao insulto a uma pessoa e seu significado pode ser utilizado de três maneiras distintas: intrometido, trapaceiro ou sem importância, adjetivos que estão presentes em vários momentos do cotidiano retratado na peça.

Ao invés do figurino tradicional de palhaços, aqui os clowns são retratados com arquétipos de loucura. A cenografia tem significado elástico, pois se transforma constantemente diante da leitura aplicada pelos palhaços, que beiram o absurdo. "Nós percebemos, enquanto líamos a poesia de Lear, que a proposta de desconstrução da lógica era o ambiente próprio do palhaço, no qual conseguimos extrair o potencial poético da figura", explica Hugo Possolo, ator do grupo.

Já Parlapatões Clássicos do Circo se centra na figura de Tililingo, um palhaço recém-chegado a um circo no qual o apresentador está frustrado. Para ajudar a recuperar o ânimo da trupe, ele disputa as atenções do público com o Branco, seu antagonista. A procura de Tililingo por um coração de pano que acredita ser o seu serve de fio condutor para os números cômicos. "A gente juntou as reprises, número de ação física dos palhaços, com números que nós da Parlapatões criamos e que já estão consolidados", completa Hugo.

A companhia está circulando pelo Palco Giratório 2017 e já se apresentou no Piauí e no Ceará. "O Palco Giratório é o único programa voltado para as artes que faz com que a produção teatral do país seja vista pelo próprio país. O Palco leva espetáculos para cidades do interior do país e transporta companhias para grandes centros, mostrando seus talentos para outros públicos. Essa é uma prerrogativa das políticas públicas do país, mas não há a consciência de que a cultura é uma ferramenta importante para a formação de uma nação", pontua o ator.

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