sexta, 05 de março de 2021

Geral
Compartilhar:

‘O Nascimento de uma Nação’ tem ponto de vista negro

Renato Félix / 25 de junho de 2017
Foto: Divulgação
O filme que é considerado o primeiro grande momento da história da narrativa cinematográfica é também (ou talvez por isso) um dos mais controversos da história do cinema: O Nascimento de uma Nação (1915), de D.W. Griffith. Apesar da grande perícia e talento demonstrados pelo diretor, o épico também é abertamente racista (embora Griffoth tenha demonstrado surpresa quanto à recepção do filme e tenha tentado se desculpar em produções posteriores).

Em 2016, foi lançado um novo O Nascimento de uma Nação. Apesar do título e de também se passar na época da Guerra da Secessão, não se trata de uma refilmagem. O título está mais para uma provocação, ou uma resposta, ao original de Griffith.

A direção, agora, é de um negro: Nate Parker, que também protagoniza o filme. O ponto de vista agora é centrado em um escravo letrado e pastor, Nat Turner, que é usado para apaziguar os demais escravos – mas, ao se conscientizar de como é usado, orquestra uma revolta. Uma história real de 1831.

O filme saiu do Festival de Sundance do ano passado por cima, ganhando o prêmio do júri e do público como melhor filme dramático. Parecia boa aposta para o Oscar, mas perdeu forla no decorrer do ano. Uma tese é de que uma antiga acusação de estupro contra Parker que voltou à tona após o lançamento do filme tenha minado as chances do filme. Parker havia sido julgado e inocentado do crime.

Filmado em 27 dias, é a estreia de Parker como diretor em longas-metragens. Ele tirou US$ 100 mil do próprio bolso para rodar o filme, depois distribupido pela Fox Searchlight, braço para filmes independentes da 20th Century-Fox. Mas não fez sucesso de público, o que ajudou no naufrágio do Oscar.

Relacionadas