sexta, 19 de abril de 2019
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Número de mães só após os 35 anos cresce 97% na PB

Katiana Ramos / 16 de janeiro de 2019
Foto: Rizemberg Felipe
O número de mulheres na faixa etária dos 35 anos ou mais que tiveram filhos cresceu 97% na Paraíba, nos últimos 20 anos. De acordo com o Sistema de Informações sobre os Nascidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde, as crianças nascidas de grávidas nesse grupo etário corresponde a 9,4% do total de bebês nascidos no Estado nesse período.

Desde 2007, os bebês nascidos de mulheres a partir dos 35 anos têm crescido. De 2007 até 2012 a média anual crescia em torno de 2,5 a 3%. Já de 2012 até o ano passado, o percentual médio de nascimentos de crianças vindas de mulheres nessa faixa etária ficou em torno dos 5% por ano.

“Essas pacientes que engravidam após os 35 anos são mulheres que querem trabalhar, melhorar a vida profissional, geralmente. Por isso, a gravidez fica para depois. É importante lembrar que, se são mulheres que se cuidam e que não tem uma doença de base (obesidade, hipertensão), é um pré-natal tranquilo”, explicou a médica obstetra do Instituto Cândida Vargas (ICV) de João Pessoa, Sandra Albuquerque. As estatísticas que mostram o aumento de nascimentos de mães com 35 anos ou mais, de 1999 a 2018, vão na contramão do total de nascimentos registrado no Estado, no mesmo período, que caiu 0,5%.

A cozinheira Susymary Silva, de 46 anos, passou pela segunda gestação após os 30 anos, e deu à luz ao pequeno Jaime, no último dia 13. Mesmo sendo uma gravidez não planejada, ela, que já é mãe de duas meninas, realizou o sonho de ser mãe de um menino. “Pela minha idade eu achava que estava na menopausa e que não seria mais possível ser mãe novamente. Ai veio ele. Para mim, é tudo novidade, porque tenho uma filha de 18 anos e outra de 15. Então, depois de todo esse tempo ser mãe de novo é muito bom”, comentou Susymary, que mora em Lucena e fez o pré-natal no ICV.

Com a mesma emoção renovada da maternidade de Susymary Silva está a dona de casa Maria Miceline da Silva. Aos 40 anos, ela realizou o sonho de ter uma filha. “Há dois anos eu tinha parado de tomar o anticoncepcional e estava tentando engravidar. Já tenho dois meninos e para mim, a vinda dela foi um presente”, revelou Miceline da Silva.

Cesáreas prevalecem aos normais

Tanto Susymary Silva quanto Miceline da Silva fizeram parto cesário. Nos números das crianças que nasceram de mulheres a partir dos 35 anos na Paraíba esse tipo de parto tem representado mais que o dobro dos partos naturais, segundo o Sinasc. De acordo com a obstetra Sandra Albuquerque essa situação se deve, muitas vezes, a algum problema de saúde que a gestante já tenha ou venha a desenvolver durante a gravidez. Conforme os dados do Sinasc, foram 2.289 partos normais contra 5.216, somente em 2018.

“Na gestação após os 35 anos aumenta o índice da má formação. Então, as pacientes têm que ter cuidado com a alimentação, o estilo de vida. Devem começar a tomar ácido fólico três meses antes de pensar em engravidar e durante os três primeiros meses da gestação, além de fazer um pré-natal de alto risco, porque são pacientes que podem desenvolver diabetes, pré-eclâmpsia ou até mesmo um trabalho de parto prematuro. Agora, claro, isso depende de cada mãe e do estilo de vida de cada uma”, complementou a médica.

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