domingo, 17 de janeiro de 2021

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No passado, uma relação de ódio modificada pela inclusão

Lucilene Meireles / 27 de abril de 2016
Foto: Assuero Lima
O mês de abril é dedicado à conscientização sobre a inclusão e a atenção aos pacientes do transtorno do espectro autista (TEA).

“Eu estava tendo uma relação de ódio: eu por ela e ela por mim”. Assim, a dona de casa Waldemira Gomes da Silva resume como era sua vida com a pequena Alexia, de 4 anos, antes de contar com o apoio do Instituto Revertendo o Autismo (IRA), que funciona no município de Cabedelo. Com o trabalho desenvolvido pela equipe multiprofissional, a garota agressiva deu lugar a uma menina carinhosa, que abraça a mãe, sorri o tempo todo e já pronuncia algumas palavras.

Antes de ter o laudo do autismo da filha, Waldemira pensou que ela era hiperativa ou bipolar, porque a mudança de comportamento era muito frequente. Até 2015, o acompanhamento era feito numa policlínica na cidade, mas o médico só passava medicação que não ajudava. “Ela se agitava muito, ficava pior do que era. Suspendi, porque não queria dopá-la. Mas, as coisas continuavam difíceis. Eu estava desesperada, quase desistindo dela e a entregando ao pai. Incentivava, brincava e ela só me agredia”, relatou.

Há pouco mais de um ano, a menina passou a receber atendimento na Funad e foi de lá que saiu o encaminhamento, há nove meses, para o Instituto Revertendo o Autismo (IRA), que ambas frequentam toda quarta-feira. A partir de então, a vida com a filha passou a ser prazerosa. Esse resultado é fruto de uma iniciativa do psicólogo Moisés Anton, que atende na policlínica onde a menina era acompanhada, local onde se conheceram.

Natural. O segredo do tratamento está no estímulo a uma alimentação saudável. “Com doutor Moisés me aconselhando a dar uma alimentação natural, vi a melhora. A agressividade de Alexia diminuiu 60% e, para mim, é um alívio. Ele incentiva melhorar a alimentação das crianças e a evitar medicação”, relatou Waldemira Gomes. Ela acrescentou que percebe a agitação da filha quando come biscoito recheado.

Conforme o responsável pelo trabalho, a ideia surgiu de uma demanda que foi aparecendo na policlínica onde trabalha. “Começou a aparecer muita mãe com filhos que tinham os sintomas de autismo. Passei a atender, fora da policlínica, as crianças e orientar as mães. Atendia uma vez por mês e fiquei surpreso com as melhoras. Algumas crianças que nunca tinham falado começaram a falar e a ter afetividade com as mães, como Alexia, a perceberem o rosto das mães, quando estavam alegres, tristes”, relatou.

O procotolo sistematizado pelo psicólogo Moisés Anton ficou conhecido nas escolas da cidade, onde foram encontradas outras crianças com o transtorno. Foram feitas palestras com as mães, que aprenderam um pouco mais sobre o problema dos filhos.

 

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