terça, 26 de janeiro de 2021

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No Dia Nacional do Livro Infantil, autores paraibanos falam sobre o gênero

André Luiz Maia / 18 de abril de 2017
Lidar com os anseios de uma criança em busca de descobrir coisas novas todo dia é uma tarefa trabalhosa. Os vários porquês são inevitáveis e muito bem-vindos para o desenvolvimento dos pequenos. Desde muito tempo, a literatura é fonte para respostas e também para muitos outros questionamentos.

No Brasil, quem foi craque em fazer esse jogo foi Monteiro Lobato, o criador do universo do Sítio do Picapau Amarelo, nascido há 135 anos. Por conta disso, a data foi instituída, através da Lei 10.402/02, como o Dia Nacional do Livro Infantil. Ao observar a obra de Lobato, é fácil entender como ele conseguiu romper a barreira geracional e ser lido por crianças de várias épocas.

Além de criar um universo de aventura e magia, a exemplo de sua obra mais conhecida, Reinações de Narizinho, Lobato também inseria bastante conhecimento de diversas áreas dentro de suas obras. Em História do Mundo para Crianças, a trajetória da humanidade é contada de forma lúdica por Dona Benta para seus netos, mesma técnica usada em Geografia de Dona Benta. Seus leitores também puderam aprender sobre geologia e a indústria do petróleo (O Poço do Visconde), mitologia e literatura grega (O Minotauro e Fábulas), língua portuguesa (Emília no País da Gramática), dentre muitos outros assuntos.

Mas em tempo de hiperconectividade, jogos de realidade aumentada, YouTube, tablets, celulares e afins, os livros ainda encontram espaço na infância pós-moderna? "Acredito que sim, são demandas universais. E talvez, vamos entender, que outros modos de leitura não impedem o contato com o texto. Mas acho que depende muito também dos exemplos de casa", explica o paraibano André Ricardo Aguiar.

A ilustradora Veruschka Guerra, que lançou O Sonho de Karim, em 2014, seu primeiro livro como autora única, concorda. "O que vejo é que o ser humano ama histórias! Sejam elas escritas, filmadas, contadas na cama para dormir ou entre amigos em qualquer lugar", observa.

André Ricardo já lançou três livros infantis: O Rato que Roeu o Rei, Pequenas Reinações e Chá de Sumiço e Outros Poemas Assombrados. Ao escrevê-los, ele tenta fugir de algumas idéias pré-concebidas acerca da literatura infantil. "Não encaro a ideia de falar pra crianças como seres à parte. Claro que o fato de ter leitores com menos idade acarreta um cuidado com o texto, mas lado não torno a criança um ser menos inteligente. Faço por intuição sem pensar que devo simplificar demais. Infantilizar, no caso. Isso não faço. Meu termômetro é o bom senso", explica o autor. "Se o trabalho é feito com qualidade e respeito pelo leitor não há uma forma ideal. E isso se encaixa em qualquer idade", completa Veruschka.

Marília Arnaud, conhecida por seus contos e romances adultos de densidade temática e estilística, também se aventurou pela literatura infantil, com Salomão, o Elefante. "Tudo surgiu como uma brincadeira, uma história que comecei a contar para as minhas netas em homenagem ao avõ já falecido, Salomão. Eu nunca tive o pensamento de escrever uma obra infantil, mas gosto de ler literatura infantil. Meu favorito é Reinações de Narizinho", conta a escritora.

André Ricardo aponta a pluralidade da literatura infantil nacional, recomendando livros de várias épocas. "De minha parte, pela obra do Monteiro Lobato, posso garantir que o livro mais imaginativo, o que me deu mais alegria, é A Chave do Tamanho. Coloco nesse balaio A Bolsa Amarela, da Lygia Bojunga Nunes, Ou Isto ou Aquilo, da Cecília Meireles, A Breve História de Asdrúbal, o Terrível, da Elvira Vigna, e Marcelo, Marmelo, Martelo, da Ruth Rocha", elenca.

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