segunda, 20 de maio de 2019
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No Dia Nacional do Livro, artistas falam das obras que os marcaram

André Luiz Maia / 29 de outubro de 2017
Foto: Divulgação
Livros não são meros amontoados de palavras que nos distraem. Aliás, podem até servir só para entreter, mas mesmo estes podem nos marcar de alguma forma. Hoje, comemoramos no Brasil o Dia Nacional do Livro e o CORREIO falou não com escritores, mas com outros artistas que também são afetados pela arte da escrita, mas como leitores.

Antes de mais nada, é bom lembrar do que significa a data de 29 de outubro. A data faz referência à fundação da Biblioteca Nacional do Brasil em 1810. A Biblioteca fica no Rio de Janeiro e é considerada pela Unesco uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo, com um acervo que chega aos 10 milhões de itens, dentre livros, documentos históricos e outros documentos importantes para o país.

A literatura pode transformar, mesmo que seja em uma pequena escala. Ela também pode inspirar outros artistas a criarem. Cátia de França já deu diversas entrevistas falando sobre a importância da literatura para sua obra musical, resultando até mesmo em um disco inteiro baseado nos livros do ciclo da cana-de-açúcar de José Lins do Rego, No Bagaço da Cana, um Brasil Adormecido.

Nessa mesma linha, estão a ilustradora Minna Miná e o cantor e compositor Milton Dornellas. Minna expõe desde 2014 o trabalho À Espera no Campo de Centeio, inspirado principalmente em O Apanhador no Campo de Centeio, do norte-americano J. D. Salinger.

“Foi a mudança na minha vida. Me fez perceber que eu não estava sozinha nas minhas inseguranças de adolescente, sobre se sentir perdido no processo de amadurecimento”, explica.

Compositor importante na história da música paraibana, Milton Dornellas criou um disco inteiro inspirado em um grande clássico da literatura, Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.

“É um CD chamado A Gargalhada da Invernada, que fiz a partir da leitura do livro, um livro de referência que já li umas três vezes. A cada leitura, noto algo novo nele, seja por conta das questões sociais quanto da ambientação retratada na obra”, comenta.

‘Eu’ numa passeata em 1968

As razões de um livro ficar marcado na memória também podem ser mais subjetivas. O cineasta e diretor de fotografia Walter Carvalho, por exemplo, lembra de um episódio curioso envolvendo a literatura.

“Em 1968, fui preso numa passeata estudantil, na Lagoa. Estava com o livro Eu, de Augusto debaixo do braço. Na delegacia da Rua Duque de Caxias, o delegado tomou das minhas mãos, olho-o com interesse mas fez cara de quem não entendeu nada da leitura. Guardo-o até hoje já com as páginas amareladas pelo tempo”, relembra.

A bailarina Joyce Barbosa, da Paralelo Cia. de Dança tem uma conexão singela com Do Amor e Outros Demônios. A protagonista é uma menina ruiva, de longos cabelos ruivos, com personalidade forte. Quando ela é mordida por um cachorro, o pai, crendo que ela estava doente, tenta curá-la e a envia para um convento. Lá, ela descobre o amor ao se apaixonar por quem não deveria.

“Tenho carinho por esse livro pela forma como ele fala dessa menina, como o amor se apresenta pra ela. Tudo é tão arrebatador que o amor parece um grande sopro, um susto bom. É como o amor é para mim: um suspiro”, comenta.

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