sábado, 23 de fevereiro de 2019
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Nas férias, atenção com crianças deve ser redobrada contra acidentes

Lucilene Meirelles com Assessoria / 10 de janeiro de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
Nas férias, é comum um aumento no número de acidentes com crianças em relação ao período de aulas. Ficar mais tempo em casa pode trazer riscos, caso a garotada não seja devidamente monitorada. Por isso, profissionais que lidam com os pequenos alertam para uma necessidade maior de atenção. Só no mês de dezembro, o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena (HTSHL), em João Pessoa, registrou 2,3 mil atendimentos a crianças. As quedas foram a principal causa, representando 48% do total. O dado serve de alerta para que os pais redobrem a atenção, evitando que as férias acabem no meio do caminho.

A dona de casa Luciana Dias, 38, sabe bem como é complicado manter a atenção o tempo todo nas três filhas, Yasmin, 9, Isabela, 7 e Maria Helena, que tem 2 anos. Ela afirmou que, no período de férias, a preocupação é enorme em casa porque as crianças querem freqüentar, por exemplo, a cozinha, ambiente não recomendado para deixar os pequenos. Além disso, elas mexem em tudo, correm demais.

“Minha preocupação é imensa porque são três crianças que tomam muito meu tempo. Já aconteceu, inclusive, acidente por conta das brincadeiras. Uma delas quebrou o dente enquanto corria. Apesar de não ter gravidade, foi um momento bem tenso”, declarou.

Para evitar qualquer problema com o trio, Luciana procura manter as crianças afastadas de qualquer objeto que possa ser perigoso, guarda produtos de limpeza fora do alcance das meninas e, quando vai à praia ou piscina, se mantém alerta o tempo todo. “A gente sabe que, com criança, basta um instante de desatenção para acontecer alguma coisa. Então, todo cuidado é pouco”, ponderou.

Quedas



As filhas da dona de casa Luciana Dias nunca sofreram acidentes graves em casa, e ela comemora o fato de conseguir garantir a segurança delas, apesar de não ser fácil controlá-las. Porém, segundo a neuropediatra Andrea Weinmann, existem diversos perigos que podem passar despercebidos pelos pais. Ela destacou que o período das férias deve ser um momento de convivência entre pais e filhos e de muitas brincadeiras, mas é fundamental que um adulto sempre supervisione as crianças, seja em casa, na praia, na piscina, em parques ou em qualquer outro lugar.

“As quedas são bem preocupantes, principalmente se a criança tiver um traumatismo cranioencefálico. Na ânsia de se divertir, a criança pode se descuidar e escorregar em pisos de piscinas, por exemplo”, constatou.

Como as piscinas estão entre os principais atrativos para as crianças, a recomendação da especialista é que os pais fiquem atentos a azulejos quebrados, ralos ou pedras soltas. “Nem todos os hotéis, clubes e pousadas fazem a manutenção correta das áreas de lazer. Com isso, há risco de cortes, quedas e acidentes com ralos nas piscinas”, acrescentou a médica.

Outro risco nesse ambiente são os afogamentos. Por isso, é preciso prevenir. “Quando o afogamento não é fatal, pode levar à falta de oxigênio no cérebro, deixando sequelas importantes, como a paralisia cerebral”, alertou Andrea.

Mergulhos podem lesar coluna



Nos passeios a rios, um cuidado fundamental é evitar que a criança salte ou pule em águas escuras, sem visibilidade, perto de pedras ou em águas rasas. Dados da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) apontam que os mergulhos durante a temporada de verão representam a segunda causa de lesão na medula no Brasil. As lesões afetam principalmente crianças e jovens adultos.

O neurocirurgião Iuri Weinmann, especialista em Medicina da Coluna, observou que mergulhar em locais inapropriados pode levar a fraturas. A maior parte das lesões, segundo ele, ocorre quando a criança mergulha em águas desconhecidas, escuras ou rasas.

“Este tipo de acidente pode causar lesões graves, com perda da função motora e sensitiva. Por isso, é melhor orientar as crianças e adolescentes quanto aos mergulhos, preferencialmente evitando este tipo de brincadeira. Vale lembrar de tomar o máximo de cuidado ao frequentar cachoeiras e rios, que podem também levar a quedas e fraturas”, ressaltou.

Patins, bicicleta e patinete



Na orla de João Pessoa, é comum encontrar crianças e adolescentes circulando com patins, patinete e bicicleta. Apesar de serem atividades saudáveis e de contarem com espaço específico para a brincadeira, também merecem toda a atenção dos pais ou responsáveis, da mesma forma que ocorre com as atividades na água.

“Cabe aos pais supervisionar as brincadeiras, principalmente aquelas que envolvem patins, bicicletas, skate ou patinetes. O ideal é comprar um kit de proteção, com capacete, joelheira e cotoveleira. Lembrando ainda de levar as crianças em locais adequados para o uso destes brinquedos”, reforçou.

“A prevenção dos acidentes significa o aproveitamento das férias pelas crianças e pela família. Nada pior do que precisar ficar hospitalizado, imobilizado ou em repouso. Certamente, nenhuma criança gostaria de perder suas férias por causa de um acidente que poderia ser evitado. Portanto, para os pais, as férias podem ser mais desgastantes, uma vez que o cuidado com os pequenos deve ser reforçado e constante”, completou Andrea Weinmann.

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