sábado, 05 de dezembro de 2020

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Nana Caymmi lançou um elogiado disco com a obra de Tito Madi

Kubitschek Pinheiro / 01 de maio de 2019
Foto: Livio Campos/Divulgação
Nana Caymmi fez 78 anos segunda-feira e esbanja jovialidade ao cantar as canções de Tido Madi. Ela está lançando Nana Caymmi Canta Tito Madi, um trabalho primoroso. O songbook com repertório do cantor, compositor e pianista paulista já era um desejo antigo de Nana. As composições românticas de Tito chegam a sua voz, uma das maiores da canção brasileira. A produção é de José Milton, que trabalha com a cantora carioca há 25 anos.

Nas entrevistas recentes para lançamento desse novo disco, Nana Caymmi fez comentários políticos detonando artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, seu ex-marido. " Gil, Caetano, Chico Buarque. Tudo chupador de pau de Lula. Então, vão pro Paraná fazer companhia a ele. Eu não me importo", metralhou em entrevista à Folha de S. Paulo. As redes sociais caíram em cima.

“Vivemos uma democracia ou não?”, indaga, afirmando que não se arrepende do que disse. E concluiu: “Eu achei ruim esses comentários que de as pessoas não iam mais ouvir meus discos. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Minha obra está aí para ser avaliada, ouvida e criticada”, opina.

Tito Madi morreu em setembro do ano passado, mas chegou a ouvir a matriz do disco de Nana e aprovou. Aliás, há 32 anos, o artista convidou Nana para regravar com ele a canção “Cansei de ilusões” (que agora abre o disco de Nana) para o álbum Quem É da Noite Canta. “Sim, fiz questão de que ele ouvisse. Quando o visitei, vi que ele não estava bem, pedi que meu produtor levasse os originais, Tito gostou muito”, avisa Nana, em entrevista ao CORREIO pelo telefone.

“Eu gostava de ver Tito cantando nas boates do Rio. Aquela sensação de estar ali. O repertório dele, um compositor puro. Um dia cheguei e pedi o autógrafo. Eu nem imaginava que um dia gravaria um disco com as canções de Tito Madi”, disse.

A sonoridade do registro de Nana é bem clássica: o estilo e o ritmo do samba-canção são preservados, ficando próximos do último trabalho dela, Sem Poupar Coração, todo dedicado ao bolero.

Nana já tinha gravado “Chove lá fora”, de Madi, no disco Voz e Suor, de 1983, em companhia do pianista e arranjador Cesar Camargo Mariano.

Maria Bethânia gravou “Cansei de ilusões”, no CD Talismã. lançado em 1980. Um ano antes, em 1979, Fafá de Belém gravou a mesma canção no álbum Estrela Radiante.

Artistas de outros países também gravaram Madi. “Chove lá fora”, por exemplo, foi traduzido para o inglês e ganhou registro com o grupo vocal The Platters, como “It’s raining outside”, em 1958.

Além de “Chove lá fora”, de 1957, e "Cansei de ilusões", de 1956, estão entre as 11 músicas de Tito Madi no álbum:

"Não diga não", de 1954, já gravada pela cantora, inclusive; "Canção dos olhos tristes", de 1961, e "Graças a Deus você voltou, de 1961. A única que não é de Tito é "E a chuva parou", de 1957 (de Ribamar, e Victor Freire). “Mas ele gravou, e é a cara de Tito essa canção”, argumenta Nana.

Os arranjos são divididos entre o pianista Cristovão Bastos e o violonista Dori Caymmi, irmão de Nana, que canta com ela na faixa "Balanço Zona Sul", da década de 1950. Wilson Simonal e Elza Soares gravaram já tinham gravado.

Do outro irmão, Danilo, ela apenas diz que "não vejo faz tempo". A filha dele, Alice Caymmi, enveredou pela música pop, o que gerou mais um comentário desfavorável de Nana à Folha de S. Paulo. " Eu tinha muita esperança de que ela fosse pro meu caminho. Achei que Alice ia dar mel, mas não deu", reclamou.

Todas as canções são belas e parecem feitas para Nana cantar. “Eu não quis fazer falsete, fui logo avisando. Quis fazer como está. Vim para Minas (onde a artista tem sitio), eu e meu filho, e fiquei na concentração para gravar. Ate que fomos para o estúdio”, disse.

Além deste lançamento, outro trabalho já está em andamento: um segundo disco com o cancioneiro de Tom Jobim. Sobre o projeto dedicado à Tom ao lado do irmão Dori, Nana não tem ideia de quando será lançado. “Não, não sei. É um disco que será feito pelo Sesc. Creio que saia no segundo semestre".

O tributo a Tito Madi é o primeiro álbum de Nana pelo selo Biscoito Fino, gravadora que lançou em 2010 um DVD com o registro da participação da cantora no lendário programa Ensaio e, em 2013, o documentário Rio Sonata, filmado pelo diretor suíço Georges Gachot com foco em Nana Caymmi.

O álbum presta homenagem ao cantor Emílio Santiago (1946–2013). Nana era amiga do cantor. “Eu quis fazer isso também. O Emilio era muito amigo meu e tinha uma voz bonita e estava para gravar um disco com as canções de Tito. Ele morreu e não conseguiu realizar”.

Em Nana Caymmi canta Tito Madi, ela se reencontra com José Milton, produtor dos discos da cantora há 25 anos e assume mais uma vez a função. Dori Caymmi, irmão que Nana define como “uma pessoa-chave em sua trajetória.

Dori é tudo de bom”, e o pianista Cristóvão Bastos, um dos autores do sucesso “Resposta ao tempo” (com Aldir Blanc), gravado por ela em 1998, e que dá nome ao disco da artista naquele ano.

"Acho que Tito estava numa fase de ficar na praia vendo bunda de mulher. E a música é boa pra cacete. Simonal deve ter tirado um troco. Agora, Simonal é referência pra alguém? Conheci a arrogância dele, andava com escolta." - Nana Caymmi, sobre ‘Balanço Zona Sul’, à Folha de S. Paulo

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