segunda, 25 de janeiro de 2021

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Projeto Iaras realiza primeira edição na Usina Cultural Energisa

André Luiz Maia / 20 de janeiro de 2018
Foto: Divulgação
As mulheres representam mais de 50% da população mundial e ainda assim são minoria em diversas áreas de atuação profissional e artística. No campo da composição, a disparidade é grande. Diante desta constatação, a cantora e compositora paraibana Val Donato decidiu criar um encontro que proporcionasse a troca de experiências e o estímulo à composição autoral feminina. Nasce assim o Projeto Iaras, que realiza sua primeira edição neste sábado (20) no Café da Usina Cultural Energisa.

"A proposta do projeto é chamar as mulheres que gostam, que têm vontade de compor e escrever, que não necessariamente trabalham com isso. A gente quer que existam mais mulheres compondo", explica Val, em entrevista ao Correio.

O projeto tem apoio da Rádio Tabajara, Orgânica Produtora Audiovisual e Vivass Assessoria & Comunicação. No local, haverá um varal poético para gerar e registrar em vídeo parcerias entre as participantes de forma espontânea, estimulando uma composição coletiva.

Oficinas e palestras com a temática da composição feminina dão dicas às potenciais compositoras presentes, além de uma programação musical formada exclusivamente com cantoras e compositoras paraibanas que trabalham profissionalmente com a música (confira no quadro nesta página).

A Paraíba vive um bom momento nesse quesito. Além da própria Val Donato, é possível lembrar de nomes de mulheres que também estão à frente das próprias composições, como Regina Limeira, Polyana Resende, Regina Limeira, Nathalia Bellar, Mira Maya, Gabriella Villar, dentre outras. No entanto, ainda é um início. "A gente observa uma diferença muito grande entre homens e mulheres na produção de música e poesia. É muito pouco, a gente não pode ficar nessa quando se trata de expor ideias", argumenta Val.

A razão disso acontecer, na opinião da artista, se deve à própria dinâmica social, que limita o desenvolvimento intelectual das mulheres.

"Desde muito tempo, as mulheres são reprimidas e impedidas de expor suas ideias e pensamentos, sempre muito criticadas por fazer isso. Ainda existe essa repressão até hoje, que se reflete em uma baixa autoestima e de uma insegurança, às vezes precisando do aval de um homem para atestar que o que a gente faz tem qualidade", completa a artista, lembrando também que isso acontece bastante com mulheres instrumentistas, que sempre são avaliadas diante da régua masculina.

O nome do evento diz muito sobre essa repressão. Iara é a lenda folclórica da região amazônica que fala de uma virtuosa índia guerreira, alvo de ciúmes dos irmãos. Certo dia, eles tentam matá-la, mas acabam sendo derrotados por Iara. Como punição, ela é jogada no rio. No entanto, ela acaba se tornando uma sereia que povoa aquele espaço.

Futuro. A ideia é que o evento tenha outras edições e se expanda. "A gente pretende chegar em outras cidades da Paraíba para não restringir apenas a João Pessoa e também queremos entrar nas escolas e entrar em contato com as crianças e adolescentes para pensar sobre essa questão. Uma das coisas que o projeto pretende fazer futuramente é um levantamento de dados para saber exatamente qual é a proporção entre homens e mulheres compondo", completa Val Donato.

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