quarta, 20 de janeiro de 2021

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Moradores de Amparo sonham com a chegada das águas da transposição do Rio São Francisco

Renata Fabrício / 10 de março de 2017
Foto: Chico Martins
Na pequena cidade de Amparo, os cerca de três mil habitantes fazem parte de mais uma população que deve ser beneficiada com as águas do rio São Francisco. Para a água chegar à cidade, é preciso que outra obra complementar, uma ligação entre a adutora de Camalaú e os municípios de Prata, Ouro Velho e Amparo, esteja pronta. Quem mora na cidade conta que não se tem água nas torneiras desde que o açude de Camalaú secou. A solução foi perfurar poços públicos e instalar dessalinizadores para tratar a água.

O prefeito de Amparo, Inácio Nóbrega (DEM), explica como a água da Transposição deve atender à cidade. “De início foi feita a adutora de Camalaú para levar água à Prata, Amparo e Ouro Velho. Com essa obra a água chega até Amparo e vai para o reservatório da Cagepa que faz a redistribuição para as casas. Como o açude de Camalaú secou, abastecemos a cidade por água de poço”, explicou.

Como gestor, ele acredita na obra e está na expectativa de ver o município atendido pelas águas, mas conta que mesmo com outras obras que garantiam água para a cidade, muita gente se frustrou. “A gente sempre fica na expectativa de receber dessa água, mas quando fizeram a adutora para cá passamos cerca de quatro meses para receber água. Depois que começamos a receber, passava até 20 dias para chegar água de Camalaú, aí voltamos para os poços. Muita gente da cidade não acredita na obra, mas como eu acompanho o trabalho desenvolvido, acredito que a água chegue. Tem muita gente que acha que a água vai passar direto para Campina Grande, mas estamos sempre conversando com outros prefeitos para viabilizar a chegada para as pequenas cidades também”, conta.

Em uma comunidade não tão distante

Não muito longe, a dois quilômetros, do centro administrativo de Amparo, existe uma comunidade rural conhecida como Sítio Salgadinho. O rosto da agricultora Ivanilza Ferreira do Nascimento, conhecida como “Beta”, 49, é testemunha dos anos de seca e sol no Cariri. A pele alaranjada, sem qualquer tipo de proteção, envelhece a aparência da agricultora.

Por volta das 15h, a agricultora ainda estava debaixo do sol. “Cheguei agora do roçado. Fomos caçar comida pros bichinhos. Estamos com esse sufoco, mas Deus vai mandar chuva pra tirar a gente disso. Eu creio que a chuva chegue se Deus quiser pra melhorar as coisas. Nós tendo água, tem tudo. Se não chegar fica muito pesado. A água daqui dá pra beber, ainda é de uma chuva que deu ano passado. Usamos pra beber e cozinhar. Quando não tinha poço, vinha de cacimba. Tinha que buscar na cabeça”, descreve.



A família também é abastecida com água de poço. Ela já ouviu falar na Transposição, mas o projeto parece algo muito distante da realidade em que Beta vive com o esposo e uma neta. “Nunca ninguém veio dizer se vai chegar pra a gente essa água. Nunca ouvi falar. Aqui quando chove é bom demais. Ano passado deu uma chuvada boa que, Ave Maria, quando foi no outro dia tinha muita água no açude. Foi uma alegria grande. Eu espero que deus vai mandar mais. Se essa água, que dizem aí, chegar é muito bem vinda não é? Mas se não, vamos continuar esperando em Deus, como sempre foi”, afirma.

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