quinta, 21 de janeiro de 2021

Geral
Compartilhar:

“Moonlight” estreia hoje em João Pessoa

André Luiz Maia / 23 de fevereiro de 2017
Foto: Divulgação
Aos 45 do segundo tempo, os cinemas brasileiros recebem mais um indicado ao Oscar de Melhor Filme. Desta vez é Moonlight – Sob a Luz do Luar, segundo filme do diretor Barry Jenkins. O filme conta a trajetória em três atos de Chiron, um jovem negro norte-americano que enfrenta questões sociais e existênciais enquanto lida com problemas familiares e descobertas sobre sua própria sexualidade.

Logo na cena inicial, somos apresentados a um amedrontado Chiron perseguido por crianças de sua idade, com xingamentos homofóbicos, enquanto busca abrigo em uma casa abandonada. A partir daí, sua vida começa a mudar quando é abordado por Juan, um traficante de drogas local.

Embora curta, a participação do personagem, interpretado por Mahershala Ali, é crucial para o desenvolvimento da história que vem a seguir. Uma das sequências mais bonitas do filme, que é a cena em que ele ensina Little (apelido de Chiron) a nadar, é poética e traz um detalhe interessante: o ator mirim Alex R. Hibbert, intérprete de Chiron, realmente estava sendo ensinado a nadar por Ali.

Como milhares de crianças que vivem na periferia de Miami, a vida do pequeno é complicada. A mãe, viciada em drogas, é interpretada com muita intensidade pela atriz britânica Naomie Harris, que teve que gravar toda a sua participação na película em apenas três dias, no meio da promoção americana de 007 contra Spectre, em que interpreta a Miss Moneypenny, devido a problemas no visto de permanência no país.

Por mais contraditório que seja, é Juan, o traficante que vende os entorpecentes para a sua mãe e que de certa forma é co-responsável por sua ruína familiar, quem lhe oferta afeto, junto a Teresa. A personagem de Janelle Monáe, a atriz e cantora que também é co-estrela de outro indicado, Estrelas Além do Tempo, é que fornece um pouco de amor materno a Chiron.

Seu único amigo na escola é Kevin. Tanto Chiron quanto Kevin contam com intérpretes diferentes ao longo da película, nos períodos de infância, adolescência e juventude, e nenhum dos seis atores tiveram contato entre si, uma decisão do diretor Barry Jenkins para que cada um desse sua leitura para o mesmo personagem. A partir dessa relação de amizade, a história aprofunda mais os dramas do protagonista, que se descobre homossexual, mas acaba reprimindo seus sentimentos diante de um meio extremamente hostil.

Mais do que um filme sobre a sexualidade, se trata de um retrato da juventude negra das periferias e, embora se passe nos Estados Unidos, nos faz pensar a respeito da vivência dos jovens negros brasileiros, também brutalizados pelo cotidiano cru

Relacionadas