terça, 26 de janeiro de 2021

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Maria Valéria Rezende recebe prêmio Casa de Las Américas

André Luiz Maia / 28 de janeiro de 2017
Foto: Rafael Passos
Maria Valéria Rezende tem muitos motivos para sorrir, mas a notícia que ela recebeu na noite da última quinta-feira teve um gostinho especial. A escritora santista, radicada na Paraíba há mais de 40 anos, recebeu, por conta de seu livro mais recente, Outros Cantos, o prêmio Casa de Las Américas, na categoria de literatura brasileira.

A premiação, uma das mais prestigiadas da América Latina, é concedida pela instituição cubana responsável por promover e desenvolver as relações socioculturais entre os países da América Latina e do Caribe. O anúncio foi feito pelo corpo de jurados formado por Lúcia Bettencourt, Adriana Lisboa e Guiomar de Grammont.

Na avaliação das tr}es juradas, Outros Cantos se destaca especialmente por sua capacidade de refletir sobre "a substituição de valores éticos e humanos por uma sociedade consumista que sufoca manifestações populares e tradicionais. Noções arraigadas de um poder patriarcal, incorporadas pela comunidade, desafiam (a protagonista) e a fazem questionar seu papel de educadora".

Da mesma forma que o Jabuti – ela levou o prêmio em 2015, com Quarenta Dias, nas categorias melhor romance e Livro do Ano –, Valéria não fazia ideia que seria escolhida. Na época, ela contou ao CORREIO que não era afeita a premiações, embora estivesse feliz com a conquista. No entanto, dessa vez foi diferente.

Entre 1985 e 1996, por conta de seu trabalho com educação popular, ela visitava anualmente a Casa de Las Américas com o intuito de coordenar projetos relacionados aos Encuentros Latinoamericanos y Caribeños de Educación Popular, promovido pela instituição. "Sempre fui muito bem recebida por lá e tenho um carinho especial pelo lugar. Lembro que participava de algumas das reuniões dos trabalhadores de lá e, embora nunca tivesse sido oficialmente vinculada à Casa, já cheguei até a ser destacada como uma 'trabalhadora do mês', uma brincadeira não-oficial que eles fizeram comigo por conta do nosso trabalho conjunto", conta a escritora.

Na história de Outros Cantos, Maria, que dedicou a vida à educação de base, chega a uma pequena cidade do interior, conhecendo um universo de possibilidades. Embora o nome da protagonista e missão de educadora sejam os mesmos que o seu, Valéria afirma que não se trata de autoficção, embora tenha emprestado sua experiência à protagonista. "A biografia e a personalidade da protagonista dessa história não são as minhas. Mas são nossas", pontua.

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