quarta, 21 de outubro de 2020

Dengue
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Mais mosquito do que se pensa transmitindo dengue, zika e chikungunya na Paraíba

Katiana Ramos / 22 de janeiro de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
Ainda sobre o Aedes aegypti na Paraíba, onde reportagem publicada na versão impressa do Correio da Paraíba mostra que existem "mais mosquitos do que se pensa", 73 municípios estão em situação satisfatória para a proliferação do inseto, mas seis dessas cidades estão entre as que mais registraram casos de dengue, Zika e febre Chikungunya. Uma pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz e Fundação Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), ainda em fase de conclusão, identificou que o mosquito Aedes aegypti infectado com o vírus Zika apresenta o comportamento biológico diferente dos que carregam o vírus da dengue.

 

Responsável pelo estudo, Rafaela Viera Bruno revelou que os resultados preliminares mostram que o inseto portador do Zika apresenta atividade locomotora, número de ovos postos e viabilidade destes são diferentes dos que portam a dengue. “Preliminarmente, os mosquitos se comportam de maneira distinta de acordo com o vírus que eles carregam. Há casos também de mosquitos que podem carregar os três vírus ao mesmo tempo”, disse a pesquisadora.

Segundo ela, a fêmea do Aedes aegypti coloca, em média, 100 ovos a cada três dias e sobrevivem até um ano em ambiente seco. Contudo, basta um contato com o mínimo de água por 10 minutos que os ovos eclodem e transformam-se em larvas. “Uma fêmea do Aedes voo até 300 metros e pode infectar pessoas que estejam nesse raio de alcance. O percentual de que todos os ovos eclodam e as larvas transformem-se no mosquito é de 100% de chance. Por isso, a nossa luta é eliminar os criadouros para que esses ovos não se desenvolvam”, lembrou Rafaela Vieira.

Outras pesquisas recentes da Fiocruz revelaram que as larvas do mosquito também são resistentes e se alimentam de diversos materiais, como restos de terra, bactérias, folha e até mesmo de outras larvas. Além disso, quando evoluído para pulpa, que é o estágio da larva aquática para o mosquito com asas, o inseto dificilmente é eliminado.

Segundo o último Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), divulgado em dezembro do ano passado, 19 cidades, sendo oito localizadas no Sertão, passaram todo o ano de 2016 em situação grave para a proliferação do Aedes. O quadro mais crítico era o do município de Fagundes, no Agreste. A cada 100 imóveis vistoriados pelos agentes de endemias, 17 tinham larvas do mosquito.



Nesta segunda-feira (23), o leitor vai conhecer um estudo que mostra que um medicamento protege as células de danos causados pelo Zika vírus.

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