terça, 16 de julho de 2019
Geral
Compartilhar:

Lucy Alves fala ao CORREIO sobre novo trabalho ‘Santo Forte’

Kubitschek Pinheiro / 05 de outubro de 2018
Foto: Divulgação
Em sua página no Facebook, na última terça-feira, ela mandou o recado: “Nesse EP (Santo Forte, lançado há uma semana pela Warner Music), eu adoto o nome Lucy, como vocês me chamam, mas sempre serei a Lucy Alves que vocês conhecem”. Alguns fãs e críticos do país estranharam o apenas “Lucy”, mas bem mais sua mudança para o estilo pop eletrônico. Lucy divide opiniões sobre o novo rumo da carreira desde o ano passado ao lançar o clipe “Caçadora”, com uma pegada diferente do que o público se acostumou a ver como sua persona artística.

Para o CORREIO, pelo telefone, Lucy procura minimizar a polêmica sobre a mudança de nome e de identidade musical. “Eu sou Lucy Alves, meu nome é assim desde que nasci. Nesse EP eu quis usar só Lucy, não sou ex-Alves. Lucy é como os fãs me chamam e me conhecem. E Lucy Alves é mais marcante, mas não mudou nada”, disse.

A imagem dela não parece mais presa à Lucy finalista do The Voice Brasil de 2013, mas foi com a sanfona no colo que Lucy cravou sua marca como artista (mesmo sendo multi instrumentista – ela toca violino, violão, piano etc)) e mostrou seu talento, hoje reconhecido em todo o país. Porém, no EP (modelo de disco de até seis músicas), estamos diante de uma Lucy dançante e poderosa.

Ela afirma que Shakira é sua inspiração. Vem dai a mudança? “Olha eu gosto muito da Shakira, uma colombiana que sempre admirei, que vive e trabalha fora da bolha, faz o que quer, é pop mundial e tem uma grande carreira. Escuto muito. Sou ligada no trabalho dela”, justifica.

Não, ela não abandonou a sanfona. Nesse EP ela toca na primeira faixa, “Santo forte”, em “Sentir” e “Beija flor”. “Jamais. A sanfona é tudo na minha vida e trabalho. Gosto tanto do forró, quanto dessa levada pop. A minha vinda para o Rio de Janeiro me fez conhecer outro tipo de mercado. Não vou abandonar esse instrumento, porque é uma marca registrada minha. Estou me permitindo cantar mais e dançar. Quero ousar e já consegui. Meus shows não podem parar diante de tantas novidades e isso me deixa feliz. Mas a minha sanfona anda comigo. Quero fazer essa mistura moderna, mas sem perder minhas raízes, é claro", conta.

Já de cara no clipe de "Santo forte" (de Arthur Marques, dirigido por Felipe Rodarte), Lucy surge bem mais sensual. Claro que a música tem uma energia intensa, que ela até chama de “pegada solar”. Mas, pelo jeito, Lucy tem um santo forte. “Fortíssimo”, disse.

Além da faixa-título, temos “Bão” com a participação do o rapper RAPadura Xique-Chico (dela, Pablo Bispo, Ruxell, Sérgio Santos e RAPadura), "Beija-Flor", que ela canta com Titica e Àttooxxá (a canção é de Pretinho da Serrinha, Laendro Fab, Gabriel Moura e Roge Cury), "Sentir" e Florescente" (dela com Pablo Bispo, Sérgio Santos e Ruxell), e fecha com "Sem juízo" (dela e de vários autores entre Atman, Raoni Knalha, Rafa Dias, Osmar Gomes e Wallace Carvalho) .

Todas as canções são um convite para dançar na pista de Lucy. “Sim, vamos dançar, vamos sair do canto, com o eletrônico, a sanfona, tudo que for necessário para que o som seja intenso”, convida a cantora.

Absorvendo influências

Ela vai lançar um CD em 2019 todo autoral e se apresentará em João Pessoa em janeiro próximo, no Teatro Pedra do Reino, quando o público de sua cidade poderá conferir in loco esta nova fase. Segundo a artista, a repercussão com relação ao novo conceito musical têm sido boas, apesar das criticas.

“Olha, essa coisa de criticas sem fundamento não vale, mas eu respeito e não tenho como agradar. Tem gente que gosta, outras pessoas ficam surpresas”, diz. “Algumas chegam a me perguntar se eu abandonei o que eu era. Isso é impossível, mas todo artista tem que se reinventar. Vejam Pabllo Vittar: veio do Maranhão e está lançado um álbum novo com vários ritmos do Pará”.

Lucy afirma que ela é que optou por esta nova roupagem, e não uma imposição de produtor ou da gravadora. E conta como serão sseus shows nessa nova fase. “Nos meus shows, toco sanfona, guitarra baiana e violino. Olha, há muito tempo que eu transito noutros ritmos. Aí em João Pessoa, tocava no grupo Lírios do Gueto, eu já me envolvia com o reggae. Além de minhas experiências musicais com Alceu Valença. E tudo isso estou trazendo para meus shows”, avisa.

No Rio de Janeiro, Lucy levanta voo. “Hoje moro numa cidade que tem uma grande produção de sons diversos e transito nessas frentes. Tenho influencias do Léo Justi com seu ‘heavy baile’, assim como sou ligada no som eletrônico do Àttooxxá, do BaianaSystem, grupos que trazem o samba do recôncavo. Que bom que a gente pode tocar e cantar nosso forró e avançar noutros ritmos”.

Clã Brasil

Em setembro, Lucy se apresentou com a Orquestra Sinfônica da Petrobrás, num concerto que uniu a música erudita e o cancioneiro popular brasileiro no Vivo Rio, sob a batuta do lendário maestro e diretor artístico Isaac Karabtchevsky. “Foi demais. Os músicos pegaram meu repertório e brilhamos juntos. Mas bem antes, lá na Orquestra Sinfônica do Recife, fui solista. A dinâmica de tocar com orquestra me deu a luz de voar mais alto ainda. E toquei na Orquestra Sinfônica da Paraíba. Amo a musica erudita”, revela.

Lucyane Pereira Alves começou na vida artística aos quatro anos de idade pelo Projeto Formiguinhas e, depois, como violinista na Orquestra Infantil da Paraíba e da Camerata Izabel Burity. Posteriormente. Também tocou violino no Conservatório Musical da Universidade Federal da Paraíba, pela qual se graduou em música.

Nem um reencontro do Clã Brasil está descartado. Lucy quer realizar um projeto com as irmãs Lizete e Larissa, que hoje são médicas, e que formavam com ela (e Fabiane) o extinto Clã Brasil. “Quero, sim, e vou conseguir”.

Relacionadas