terça, 16 de julho de 2019
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Lô borges fala sobre disco de inéditas após oito anos de hiato

Kubitschek Pinheiro / 12 de maio de 2019
Foto: João Diniz/Divulgação
Após oito anos, desde o lançamento de Horizonte Vertical em 2011, Lô Borges está de volta com novo álbum de inéditas, Rio da Lua, o décimo primeiro (apenas cinco autorais e outros som parceiros). Rio da Lua tem selo da Deck e é um álbum composto em parceria com Nelson Angelo, que Lô já o conhecia desde do Clube da Esquina (década de 70), mas não se encontravam há muito tempo. O disco é primoroso. Lô Borges falou em entrevista pelo telefone ao CORREIO.

O disco tem dez canções e fechou o repertório de Rio da Lua. Essa é a primeira vez em sua carreira, que Lô Borges se dedicou a composição sobre poemas de Nelson Angelo, que é compositor, letrista e amigo de realizações musicais. Temos “Inusitada”, “Foto 3x4”, “Flecha Certeira”, “Além do Tempo”, “Antes do Tempo”, e no “Caminho”.

Sim, tudo começou lá em Minas Gerais, no Clube da Esquina – esse discão de 1972, considerado uma das maiores obras da MPB, que reuniu grandes artistas como Milton Nascimento, Márcio Borges, Beto Guedes, Wagner Tizo, Fernando Brant, Toninho Horta, Ronaldo Bastos e Lô Borges que participa como cantor na faixa “Um Girassol Da Cor Do Seu Cabelo”. Como compositor, LB, mostrou seu talento em “O Trem Azul”, “Tudo Que Você Podia Ser” e “Nuvem Cigana”.

Nesses anos todos sem gravar um disco solo, Lô Borges esteve fazendo shows, um com Samuel Rosa (que resultou na gravação de um CD e DVD, no Teatro Brasil de Belo Horizonte), e participou da turnê do Milton Nascimento 50 Anos de Carreira. “Também fiz a turnê do meu disco Tênis (o primeiro da carreira, de 1972, que saiu no mesmo ano do disco Clube da Esquina e que tem um tênis envelhecido na capa. Aquele era meu único tênis e esse registro do show em DVD e CD aconteceu no Circo Voador”, festeja o artista. “Aliás, eu fiz esse disco, porque a gravadora queria que saísse no mesmo ano do Clube da Esquina”, disse.

Rio da Lua, a canção que abre e dá nome ao álbum de Lô é um poema apaixonado. “Quando me apaixonava/em mim passava o Rio da Lua/ Em suas águas tranquilas/eu sem pensar embarcava/ Numa canoa de sonhos/querendo só ser feliz/ Não me arrependo de nada/como era bom ser feliz/ Virou um Rio da Lua e o Rio da Lua em mim”. “Essa canção é linda, eu quando li a letra corri para fazer a melodia.”

Até a capa azul e branco, que traz um desenho do multimídia mineiro de João Diniz, casa-se com a sonoridade de Rio da Lua. “Ele é o arquiteto de nossas casas e que costuma fazer também capas de discos. Eu gostei e aprovei na hora”.

Em todas as canções de Rio da Lua, a gente percebe que as letras falam do tempo, o tempo que passou, que não espera, o tempo de cada um. “É isso mesmo. É exatamente sobre o tempo, sobre o tempo da minha vida, da vida do Nelson (Angelo), o tempo da amizade. O tempo de fazer uma canção, de ouvir essa canção, o tempo de agora, o tempo da vida toda”, desabafa o artista.

A primeira faixa “Partimos” também se encere nesse roda moinho do tempo. “É tempo de lembrar, das coisas que foram ditas/Na trilha sonora, da nossa estrada sem fim/ Eis que a viagem começa de novo/ Quando a lembrança vem nos falar/ Dos sacramentos guardados O mar da montanha é monte de nuvens”. A segunda faixa, “Outras canções”,Lô comentou: “Essa também é muito bonita. Eu passei na hora para meu caderno e numa fúria fiz a melodia”.

Lô Borges já está cantando Rio da Lua por aí afora. Nessa turnê ele incluiu seus os clássicos como “Clube da Esquina nº 2”, “O Trem Azul”, “Paisagem da Janela”, “Feira Moderna”, “Um Girassol da Cor do seu Cabelo”, “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor”, entre outras. Qual a música que Lô Borges gosta mais? "Gosto muito da Clube da Esquina 2”, fecha.

Projetos antigos, raridades

O disco A Via Láctea, de 1979, traz canções que rapidamente conquistaram o público e é considerado o melhor trabalho solo de Lô Borges. Os Borges, de 1980, segundo ele, é um projeto especial que reuniu Milton Nascimento e Elis Regina. A capa do disco mostra a fortaleza da casa da Família Borges, com violões no chão e pôsteres colados na parede. “Toda minha família toca, meus irmãos, até meu pai e minha mãe (Salomão e Dona Maria Borges) participam”.

Nuvem Cigana é datado de 1981 com canções instrumentais. Nesse disco Lô regravou a música “Nuvem Cigana” do álbum Clube da Esquina. Já o projeto Sonho Real é de 1984, tem a participação Telo Borges, irmão dele, no piano. O disco Meu Filme foi gravado em 1996. “Esse foi ideia de Chico Neves, ele que produziu com Ronaldo Bastos. São três violões acústicos em cada faixa e tem o som das guitarras e percussão”. Nesse trabalho encontramos “Te Ver” de Skank e a participação de Caetano Veloso em “Sem Não”.

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