quinta, 24 de janeiro de 2019
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Lar das memórias: situação de museus paraibanos é deficitária

André Luiz Maia / 12 de agosto de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
A expansão do acervo de museus é sempre uma notícia celebrada e não seria diferente com o anúncio feito pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) a respeito da doação de 700 obras de arte do Acervo Banco Itaú a instituições de 18 estados brasileiros. A Paraíba está incluída na lista, recebendo um total de 10 telas, distribuídos em dois museus.

São gravuras, serigrafias, litografias e óleos sobre tela assinadas por artistas brasileiros renomados como Emanoel Araújo, Maria Bonomi, Roberto Burle Marx, Amilcar de Castro, Renina Katz, Tomie Ohtake e Alfredo Volpi. A partir desta informação, o CORREIO entra em campo para tentar entender a situação atual dos museus paraibanos.

Na plataforma Museusbr, do Ibram, estão cadastradas 94 instituições paraibanas, dentre museus, memoriais e espaços dedicados à coleção de obras e documentos históricos que ajudam a preservar a memória artística do estado.

Bertrand Martins é curador do Museu da Previdência Social, ainda em formação, e integrante da Rede de Educadores de Museus (REM). Ele alerta a importância de verificar a situação das unidades museológicas da Paraíba, que ainda não possui uma instituição à altura do acervo encontrado no estado.

“Aqui na Paraíba, não existe um Sistema Estadual de Museus. Em João Pessoa, há 33 museus cadastrados, como o da Igreja de São Francisco. A Casa da Pólvora é cadastrada como museu, o Jardim Botânico também. O Casarão dos Azulejos está cadastrado como museu, embora ele esteja fechado há bastante tempo”, relata.

Ainda na cidade, temos outros exemplos, como o Espaço Energia, da Usina Cultural Energisa e memoriais como a Fundação Casa de José Américo e o Museu José Lins do Rego, no Espaço Cultural. “O de Zé Lins tem um acervo ótimo, mas expografia é caduca, com linguagem arcaica, infelizmente”, acrescenta. O acervo da Pinacoteca da UFPB, por sinal, é motivo de discussão, já que há anos não está aberto à visitação, por aguardar o término da obra do Centro de Arte e Cultura da instituição, parada por imbróglio político.

Pelo interior do estado, temos um número expressivo de instituições, a maior parte deles memoriais, como o Memorial da Prata, que recebeu doação (veja no quadro ao lado) e o Memorial Augusto dos Anjos, em Sapé. José Augusto de Moraes, museólogo e coordenador do Museu de Arte Sacra Fernando Cunha Lima, em Guarabira, salienta que o que falta é vontade política. “Um estado sem museus é um estado sem memória. Infelizmente, há uma politicagem safada que negligencia essa questão, que é muito importante e urgente”, completa.

Obras doadas pelo Itaú Cultural

* Museu de Arte Assis Chateaubriand (MAAC), Campina Grande

Sem título, de Adriana Banfi (s.d., Serigrafia, 32/45)

Sem título, Adriana Banfi (1995, Serigrafia, P.A.)

Somos Um, de Adriana Banfi (2000, Gravura, 26/50 67,5 x 88,5 x 5 cm)

Tábua de Anotações, de Elizabeth Cortella (1995, Gravura, PA 66,5 x 86,5 x 5 cm)

Somente, de Elizabeth Cortella (1998, Gravura, 14/20 70,5 x 92,5 x 5 cm)

Sem título, de Elizabeth Cortella (1997, Gravura, 50/80 70,5 x 92,5 x 5 cm)

Sem título , de Makoto T. (s.d., Técnica mista sobre tela 104,5 x 84 x 5)

Perséfone, de Roberto Burle Marx (1993, Litografia 80 x 120 cm)

Sem título, de Roberto Fakuda (2000, Litografia)

* Museu Histórico Memorial da Prata, Prata

Sem título, de Diana Mártire (1987, Desenho, 57,5 x 46,5 x 3 cm)

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