sábado, 15 de junho de 2019
Geral
Compartilhar:

Jovens que buscam 1º emprego vão para o mercado despreparados

Ellyka Gomes / 03 de fevereiro de 2019
Foto: Marcos Santos/USP Imagens/Fotos Públicas
Os jovens que buscam o primeiro emprego vão para o mercado despreparados e dispostos a trabalhar em qualquer função. Dificilmente eles planejam uma carreira ou pesquisam sobre as profissões. Isso acontece porque não há estímulo no âmbito familiar para que os jovens pensem desde cedo na vida profissional e, também, porque é baixa a oferta de cursos voltados para o que as empresas buscam nos profissionais.

Essas foram algumas das análises feitas pelos especialistas ouvidos pelo jornal CORREIO sobre o perfil do jovem que busca o primeiro emprego. “Despreparo seria a palavra que define a situação dos jovens que tentam entrar no mercado de trabalho”, comentou o professor e psicólogo Gilmar de Oliveira, mestre em Educação e Cultura. “Os jovens que cursam o ensino médio em escolas públicas simplesmente não têm base para enfrentar as exigências do mundo profissional”, acrescentou.

E são justamente esses adolescentes os mais ansiosos pelo primeiro emprego. Resultado: eles não buscam se capacitar e aceitam oportunidades com as quais não têm familiaridade, apenas para se emancipar financeiramente dos pais. Para o estudante secundarista existe o programa de aprendizagem como modelo de contratação. O objetivo é inserir o jovem no mercado, para que ele tenha vivências práticas da vida profissional.

O problema é que o índice de inserção desses jovens ainda é baixo. De acordo com dados da Associação Brasileira de Estágios (Abres), obtidos pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), dos mais de 9,3 milhões de alunos matriculados no ensino médio e técnico no Brasil, apenas 260 mil estagiam, ou seja, 2,7% do total.

Os números também não são animadores para o ensino superior. Dos mais de 8,2 milhões de universitários, apenas 8,9% conseguem uma vaga de estágio (740 mil). Os dados são do último e mais recente Censo da Educação Básica (2017), divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Para os especialistas, não basta querer um emprego. É preciso planejar e investir em capacitação antes de se lançar no mercado. E essa reflexão precisa ser desenvolvida nas escolas e no âmbito familiar. “O aprimoramento dos conhecimentos básicos e técnicos precisa ser constante, porque essa preparação fará com que o jovem entre de maneira mais rápida no mercado de trabalho”, comentou a secretária de Estado do Desenvolvimento Humano (SEDH), Neide Nunes – mestre em Políticas Sociais.

A SEDH é responsável pelo Sistema Nacional de Empregos da Paraíba (Sine-PB), que faz o encaminhamento de jovens para o mercado de trabalho.

Experiência suprida por capacitação



A falta de experiência comum aos jovens que buscam o primeiro emprego pode ser suprida por meio de cursos e trabalhos voluntários. “A internet pode ser uma grande aliada nessa capacitação. No ambiente virtual é possível encontrar diversos cursos com conteúdos relacionados ao desenvolvimento profissional”, comentou o analista de treinamento do Nube, Everton Santos.

O site do Nube, por exemplo, oferece cursos online gratuitos, como “Marketing Pessoal”, “Falar em Público” e “Tenha Sucesso em Processos Seletivos”, que podem auxiliar na busca das oportunidades. Os cursos estão disponíveis em www.nube.com.br/cursos-gratuitos. A secretária de Estado do Desenvolvimento Humano, Neide Nunes, ressaltou que, além de cursos, os jovens precisam estar atentos a outro pontos.

Quais são as minhas melhores habilidades? Qual é o meu objetivo profissional? Estou preparado para o primeiro desafio? Essas são algumas perguntas que os jovens precisam responde antes de se lançarem no mercado. “Afinal, como um jovem espera receber uma proposta para trabalhar como operador de caixa se não sabe o mínimo sobre informática? Essas leituras situacionais são essenciais”, destacou Nunes.

O voluntariado é outra forma de adquirir experiência e agregar peso ao currículo. É que as empresas enxergam com bons olhos profissionais que desenvolvem trabalho voluntário - o que traz maiores chances de destaque em processos seletivos e na avaliação do currículo.

Prontos para os desafios do mercado



Os jovens são dinâmicos, dispostos, ágeis e aprendem tarefas com facilidade. Essas são algumas qualidades que os adolescentes levam para o mercado de trabalho, segundo os especialistas ouvidos pelo jornal CORREIO. “Essas características contribuem para os resultados positivos das empresas, pois os jovens estão sempre prontos para novos desafios”, destacou o analista de treinamento do Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), Everton Santos.

O campinense Murilo Diniz, de 26 anos, é um exemplo desses jovens. Ele decidiu que queria trabalhar aos 17 anos. Murilo se candidatou no programa de primeiro emprego da rede de fast food McDonald’s, em Campina Grande.

“Fiz entrevista, fui selecionado e entrei como atendente. Sem ter experiência, fui recebendo treinamento, crescendo e tendo meu trabalho reconhecido”, contou.

Murilo já foi promovido quatro vezes, e hoje atua como gerente de restaurante. “Entrei sem qualquer experiência, fui capacitado e aprendi muito. Minha expectativa é continuar crescendo. Aqui alcancei grandes conquistas, inclusive, conheci minha esposa, que também trabalhou na empresa. Foi uma grande oportunidade na minha vida”, comentou.

O diretor de Recursos Humanos da Divisão Brasil da Arcos Dorados, Marcelo Nóbrega, destacou que a McDonald’s sabe dos desafios enfrentados pelos jovens que buscam o primeiro emprego. “São barreiras difíceis de superar: a necessidade de experiência prévia, a transição entre o trabalho e a escola e a falta de oportunidades e confiança na sua geração”, ressaltou. “Neste contexto, como uma empresa comprometida com a comunidade, a Arcos Dorados assumiu a responsabilidade de colaborar ativamente para reduzir as barreiras encontradas no acesso ao primeiro emprego formal”, acrescentou. Em 2018, a companhia deu a 15 mil jovens brasileiros a oportunidade de ingressar em um trabalho formal.

Dicas de como elaborar o currículo



O currículo deve ser personalizado para a vaga que você quer concorrer. “Se eu tenho um curso de Enfermagem e outro de Técnico de Vendas, e surge uma vaga para o comércio, qual dos dois eu preciso colocar no currículo? Logicamente que o curso de Técnico de Vendas. Um bom currículo deve conter informações que destaquem o porquê sou o melhor para merecer aquela determinada oportunidade”, explicou a secretária de Estado do Desenvolvimento Humano (SEDH), Neide Nunes;

Cuidado com os erros de Português;

Não minta no currículo. A veracidade é fator avaliativo;

Dados pessoais como RG e CPF não devem ser inseridos no currículo; salvo se solicitado pelo selecionador;

Cuidado com o e-mail. É recomendado que utilize um e-mail apenas para fins profissionais para evitar nomenclaturas que fogem do ambiente corporativo. “Não adianta, por exemplo, ter boa apresentação e um e-mail gataassanhada@gmail.com”, ressaltou o professor e psicólogo Gilmar de Oliveira;

Destaque os cursos, as experiências extracurriculares e os trabalhos voluntários;

O Sine-PB conta com uma equipe capacitada para orientar como elaborar um bom currículo. O órgão fica localizado na Rua Duque de Caxias, 305 – Centro de João Pessoa, próximo ao Shopping Terceirão. Telefone de contato: 3218-6617.

Relacionadas