domingo, 17 de fevereiro de 2019
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Jana Linhares lança disco com repertório de Nelson Cavaquinho

André Luiz Maia / 27 de janeiro de 2019
Foto: Roberto Marques/Divulgação
Nelson Cavaquinho imerso no caldeirão de sonoridades eletrônicas. Com proposta ousada, inusitada e arriscada, Jana Linhares apresenta um disco que cumpre bem com sua proposta. Perto da Lua atualiza e reapresenta o repertório de um dos grandes nomes do samba para uma nova geração de ouvintes respeitando a obra original.

O segundo álbum de Jana Linhares é produzido por Rodrigo Campello e traz um time de artistas e músicos nas participações especiais, a exemplo de Fillipe Catto, Humberto Araújo, Marlon Sette, Nei Lopes, Nicolas Krassik, Pretinho da Serrinha, Rafael Rocha e Vulgue Tostoi.

Canções como “Risos e lágrimas”, “A flor e o espinho”, “Tatuagem”, “Luz negra” e “Minha festa” ganham roupagem nova, com doses nada homeopáticas de sintetizadores e programação eletrônica, aliadas a instrumentos orgânicos.

“Eu quis respeitar a obra original. São as mesmas letras, a mesma melodia, mas decidimos vesti-las de um jeito diferente”, explica a cantora carioca.

A ideia embrionária do álbum surge em 2015, durante a turnê de seu primeiro álbum, TecnologiAmor. Além das composições autorais de Jana, havia versões de músicas que tinham significado para a artista. "O Rodrigo [Campello] fez um arranjo para a canção 'A flor e o espinho', pensando em uma sonoridade que aproximasse a música de Nelson ao tipo de música que eu vinha fazendo. Todo mundo gostou e, vendo a recepção, ele me propôs fazer um disco todo com o repertório de Nelson Cavaquinho”, relembra.

Outro ponto importante foi a escolha das músicas por temas importantes para o artista, como amor, dor, morte, solidão, Deus e até alegria. “Cantar um projeto sobre Nelson é uma imensa janela que se abre — tanto para fora, para o universo vasto e inexplorado, como para dentro, para os infinitos sentimentos, imagens, estados da alma que sua obra descreve e representa”, analisa.

Bagagem. Tudo indicava, desde pequena, que o destino de Jana seria a música. Também pudera, a fama de sua família lhe precedia, especialmente por conta dos produtores musicais Amauri Linhares, seu pai, e João Mário Linhares, seu tio, responsáveis pelo sucesso de artistas como Ney Matogrosso e Milton Nascimento.

No entanto, na adolescência, decidiu que seguiria por outro caminho: o cinema. Chegou a fazer curso superior na área, mas logo no início da vida adulta, a música a fisgou de vez, primeiro como produtora de shows. No entanto, não era suficiente. “Eu notava que algo me incomodava e eu precisava me expressar através da música estando no palco”, salienta.

Hoje, ela afirma que se encontrou na música, mas que carrega consigo toda a bagagem do que aprendeu com a sétima arte. “O cinema, assim como a música é uma forma de contar uma história”, conclui.

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