quinta, 19 de outubro de 2017
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Insatisfação com vida está maior e maioria tem trabalhado apenas para sobreviver

Érico Fabres / 07 de abril de 2016
Foto: Manoel Pires
Os brasileiros nunca estiveram tão insatisfeitos com a vida. Muitos acreditam que estão trabalhando apenas para sobreviver, já que abriram mão de qualquer lazer que gere despesas. Em março, o Índice de Satisfação com a Vida, que caiu 2,8% ante dezembro de 2015, atingiu 92,4 pontos, o menor patamar desde o início da série histórica, iniciada em março de 1999. As informações são da pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na terça-feira.

Na comparação com março de 2015, a queda no indicador foi de 2,4%. O levantamento foi feito com 2.002 pessoas em 143 municípios entre 17 e 20 de março.

O Índice de Medo do Desemprego teve alta de 4,1% em março ante dezembro de 2015 e registrou 106,5 pontos no mês passado. Esse foi o segundo maior indicador da série histórica, iniciada em 1999. Na comparação com março de 2015, o índice cresceu 7,8%.

Segundo a pesquisa, o medo do desemprego aumentou mais fortemente entre dezembro de 2014 e março de 2015. “Desse modo, a continuidade do crescimento do índice indica que as expectativas dos brasileiros em relação ao mercado de trabalho continuam a se deteriorar”, destaca o documento da CNI.

Conforme a economista da CNI Maria Carolina Marques, o medo do desemprego afeta o índice de satisfação com a vida. “Além disso, outras questões que estão pesando na insatisfação dos brasileiros são as crises econômica e política, que geram um cenário de incertezas”, destaca.

Para o funcionário público Massilon da Silva Ramos, 43 anos, há cinco anos já se começou a sentir uma queda do poder aquisitivo, com o salário comprando cada vez menos produtos e as atividades pagas se esvaindo. Ele conta que antigamente ia ao cinema, comia fora com a esposa e os três filhos, mas agora lazer só praia ou algum parque público.

“Não existe lazer na vida”

O comerciante José Marques, 59 anos, diz que não existe mais lazer em sua vida. O que tiver que fazer é em casa e de forma discreta para não gastar muito. Insatisfeito ele conta que antigamente até ia a algum restaurante ou bar, comer fora, mas agora ele diz que não existe a possibilidade, a situação não permite.

Para José Marques, comerciante, que mora só com esposa em casa - minha filha casou -, quando eram nós três, “tínhamos um padrão de vida que hoje, se fôssemos manter, mesmo sendo só duas pessoas agora, eu acabaria no SPC”, disse.

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