sexta, 19 de abril de 2019
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Indicado a 3 Oscars, ‘Guerra Fria’ entra em cartaz; veja estreias

André Luiz Maia / 07 de fevereiro de 2019
Foto: Divulgação
Ao vermos o título de um filme como Guerra Fria, uma das expectativas que temos é que ele irá abordar um período histórico específico, cobrindo acontecimentos da segunda metade do século XX. O que o cineasta polonês Pawel Pawlikowski nos apresenta tem relação com isso, mas é essencialmente um filme sobre as intempéries de uma relação amorosa.

A história se passa na Polônia, na época zona de influência da então União Soviética. Em um país que aderia ao regime stalinista, com poucas liberdades individuais, conhecemos Zula e Wiktor. Ele, um professor de música, se viu encantado pela beleza e voz singular dela, uma cantora promissora que vinha do interior do país tentando ascender em uma carreira na cidade grande.

No período do pós-guerra, enquanto observam as transformações sociais e as tensões políticas, eles vivem um romance que transita por Polônia, França, Iugoslávia e Alemanha. O diretor afirma que o filme faz uma espécie de homenagem a seus pais, já que os protagonistas carregam seus nomes, mas não se trata de uma biografia. Seus pais também tiveram uma relação de idas e vindas, inclusive indo de um país a outro.

A tentativa é traçar um paralelo entre os conflitos do casal e os acontecimentos históricos. Wiktor é um burguês contrário ao regime vigente da Polônia, mas, para conseguir obter patrocínio, a companhia em que ele trabalha se vê obrigada a cantar músicas regionais folclóricas mescaladas com cânticos favoráveis a Joseph Stálin, ideia do cônsul da região, uma figura influente e poderosa.

A situação, no caso, era apenas um pretexto para investigar Wiktor, já que as suspeitas de que ele era um dos opositores ao regime cresciam. Para tentar revelar suas reais intenções, o cônsul inicia uma investigação usando Zula como isca. Diante disso, o professor decide fugir do país, indo até a França. No entanto, os destinos de Zula e Wiktor parecem entrelaçados, já que eles voltam a se encontrar em Paris.

De acordo com os críticos que já assistiram à obra, é a dinâmica entre os atores e seus respectivos personagens que dão brilho a Guerra Fria, em especial Joanna Kulig, que vive Zula. “Enquanto ele tenta se manter frio diante do vulcão à sua frente (se dissipando vez por outra), é de Kulig os grandes momentos da projeção, uma força da natureza que se desdobra em camadas a cada nova passagem, renovando o estoque de uma personagem em constante e correta evolução”, destaca o crítico Francisco Carbone, do site Cineplayers. Diretor e atriz trabalharam a personagem tendo em mente as atuações de Lauren Bacall.

O filme vem sendo bastante elogiado pela crítica, especialmente pelo trabalho com a direção. Pawel já ganhou um Oscar de Filme Estrangeiro por Ida, em 2015, mas agora ele alcança o feito de ser indicado ao prêmio de melhor diretor, categoria na qual os compatriotas Krzystof Kieslowski e Roman Polanski já foram indicados (Polanski três vezes, vencendo a última delas, em 2003, por O Pianista).

Também marcou por ser a primeira produção em polonês desde 1990 a ser exibida no Festival de Cannes (onde foi aplaudido de pé por muitos minutos). Nesse meio tempo, realizadores poloneses como Krzysztof Kieslowski e Roman Polanski exibiram filmes lá, mas com filmes falados em inglês ou francês. em coprodução. Guerra Fria levou o prêmio de melhor direção.

Assim como no trabalho anterior de Pawel Pawlikowski, a estética de Guerra Fria chama a atenção: é em preto e branco e no formato 4:3, com bordas pretas “encaixotando” a imagem. O formato de tela padrão do cinema antes dos anos 1960 e da TV até a década passada.

Outras estreias da semana



‘Uma Aventura Lego 2’

A continuação da franquia de filmes que aglutina elementos da cultura pop em torno da estética do jogo Lego agora leva seus personagens em uma aventura intergaláctica, ocasionada por uma invasão alienígena, seguida de um sequestro, que leva o protagonista Emmet ao espaço. Estreia em João Pessoa, Campina Grande, Guarabira, Patos e Solânea.

‘Escape Room’

Seis estranhos aceitam um convite inusitado: trancados em uma sala, aquele que conseguir sair dela ganhará 1 milhão de dólares. O que aparenta ser uma espécie de experimento social se transforma em um show de horrores quando eles percebem que as armadilhas são letais e talvez nenhum deles escape com vida. Estreia em João Pessoa, Patos e Guarabira.

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