terça, 19 de março de 2019
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Idosos são principais vítimas do trânsito

Bárbara Wanderley / 03 de outubro de 2018
Foto: Assuero Lima
Os idosos são as maiores vítimas fatais de acidentes de trânsito, representando 36% do total de atropelamentos registrados no País, conforme estudo publicado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV). Na Paraíba, 18 das 44 vítimas de atropelamento este ano eram idosas. No ano passado foram 98 óbitos por atropelamento, sendo que destes, 26 eram pessoas com 60 anos ou mais, de acordo com o Sistema de Informação sobre Mortalidade.

O estudo do ONSV destaca que, por se deslocarem com mais frequência a pé, os idosos estão mais expostos a atropelamentos, mas também se envolvem em outros tipos de acidentes. Os ciclistas representam 28% dos óbitos, seguidos dos condutores de veículos (16%) e motociclistas (6%), segundo dados compilados no estudo, cuja origem é do sistema Datasus.

Muitos estados brasileiros apresentam valores muito acima da média – atingindo uma taxa de mais de 70 mortes por 100 mil habitantes idosos. A Paraíba encontra-se em um nível intermediário com 37,03 mortes a cada 100 mil habitantes idosos.

Outro ponto levantado é que, além de estarem mais sujeitos a acidentes, os idosos também estão mais sujeitos a lesões graves, que podem levar a grandes períodos de internação hospitalar, assim como lesões permanentes e imobilizadoras.

Os acidentes de trânsito acabam representando um fator agravante em doenças previamente adquiridas, além de potencializar outras que não existiam, aumentando a assistência do estado e da família à vítima e a redução do período de vida, tanto de homens quanto de mulheres.

Políticas públicas

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2060 o percentual de pessoas com mais de 65 anos passará dos atuais 9,2% para 25,5% da população. Por isso, o estudo aponta a necessidade de melhorar as políticas públicas que garantam segurança nos deslocamentos de quem tem mais de 60 anos.

O superintendente de Mobilidade Urbana de João Pessoa, Adalberto Araújo, informou, por e-mail, que a Semob sempre pensa “na população como um todo, sendo a inclusão das pessoas idosas e com deficiência, um compromisso inafastável da administração de João Pessoa”.

Segundo Adalberto, atualmente, todo o sistema semafórico da Capital já é programado para atender pessoas com maior dificuldade de locomoção. Os tempos de vermelho total são calculados de maneira a permitir a travessia de idosos e deficientes.

“A Avenida Beira Rio é um exemplo da preocupação da administração municipal com essas pessoas, onde as calçadas são padronizadas, justamente pensando nas pessoas mais vulneráveis como os idosos e deficientes”, disse, acrescentando que a Divisão de Educação da Superintendência de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP), em todas as suas campanhas, enfoca a segurança das pessoas idosas.

O que pode ser feito

Monitorar, avaliar e planejar políticas já existentes, como calçadas em melhores condições, tempo de semáforos adequados à mobilidade do idoso e, a partir disso, buscar enfrentar os problemas diagnosticados;

Melhorar o processo de habilitação para conduzir, tornando-o mais exigente em quesitos como travessia de pedestres e cuidados com a mobilidade coletiva;

Melhorar a oferta dos modos de transporte não motorizados, garantindo segurança nos deslocamentos dos modos ativos, pensando que esses modos também têm impactos positivos na saúde da pessoa idosa;

Melhorar a oferta de transporte público, para que o idoso tenha a opção de realizar suas viagens como passageiro, garantindo assim sua independência em relação à mobilidade.

 

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