domingo, 17 de fevereiro de 2019
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‘Homem-Aranha no Aranhaverso’ aproveita bem possibilidades visuais

Renato Félix / 18 de janeiro de 2019
Foto: Divulgação
Com seis filmes solo e mais dois em conjunto com outros heróis, Peter Parker (também conhecido como Homem-Aranha) é bastante familiar para todo mundo. Mas não é ele o protagonista de Homem-Aranha no Aranhaverso e, sim, Miles Morales. “Miles quem?”, perguntará você que não tem intimidade com os quadrinhos Marvel. Morales é o Aranha do universo ultimate, uma das linhas narrativas alternativas da editora, com personagens semelhantes, mas diferentes.

É um personagem que existe nas HQs desde 2011 e conseguiu um lugar no cinema como protagonista graças ao fato de que o Aracnídeo já é figurinha fácil no cinema. Ainda assim, Parker está lá para passar, mesmo que momentaneamente, o bastão. Isso ajuda tudo a ficar mais familiar para o público mais geral.

E funciona porque o filme é inteligente ao distribuir os holofotes. Começamos acompanhando o Homem-Aranha/ Peter Parker, que cruza o caminho de Morales, que também é picado por uma aranha radioativa. Só depois o filme revela que o Parker em questão não é o “nosso” Parker.

Este vai aparecer mais à frente, mais velho e desiludido, mas assumindo uma função enviesada de tutor do jovem Miles, enquanto os problemas com uma convergência de universos (que trouxeram outras versões do Aranha à mesma realidade) precisam ser resolvidos.

Será mesmo o nosso Peter Parker? Uma futura continuação pode até dizer que não, mas a verdade é que Aranhaverso fica mais forte se o original de fábrica estiver no elenco, mesmo não sendo o protagonista. E não ha elementos em sua história que contradiga isso — apenas, ele é uma versão “no futuro” do herói que conhecemos.

Os demais Aranhas no filme são coadjuvantes escolhidos da série Aranhaverso nos quadrinhos para enriquecer o visual do longa animado. Há a garotinha de animação japonesa e seu robô, que rende efeitos de animê, o Porco-Aranha, que dialoga com animações estilo Looney Tunes, e um Homem-Aranha Noir, que brinca com o preto-e-branco.

Uma terceira protagonista é a Mulher-Aranha, cuja identidade secreta é Gwen Stacy, versão que fez sucesso nos quadrinhos. Embora apareça bem como a principal força feminina do filme, Aranhaverso não aproveita o peso histórico da personagem na história do Homem-Aranha.

Na história original do herói, Gwen foi uma namorada de Peter Parker que teve uma morte trágica durante uma luta do Aranha contra o Duende Verde, em 1973. Sua morte foi tão marcante que costuma-se dizer que deu início à Era de Bronze dos quadrinhos, marcou a perda da inocência das HQs de super-heróis.

Quando, nas HQs, roteiristas escolheram uma Gwen de outra realidade para ser uma Mulher-Aranha, não foi aleatório. Foi graças ao peso histórico que Gwen Stacy tem. Como não há uma mínima referência a isso no filme, esse peso se esvai. Sobra ainda, felizmente, uma boa personagem.

Visualmente, o filme é um encanto. De cenários puxando para o realismo e personagens que não exageram nesse quesito, o filme tem uma série de homenagens à estética das HQs, com onomatopéias e recordatórios surgindo na tela, viradas de página e as cores evocando as imperfeições das impressões dos gibis antigos.

Aranhaverso aproveita a técnica para cenas de ação espetaculares, difíceis de serem acompanhadas mesmo pelos filmes de hoje, que usam cada vez mais animação em CGI para essas cenas. Mais do que isso, há um humor generoso no filme, com um (ou dois) Homem-Aranha falador e irônico, mas também algumas sequências de humor pastelão.

Uma mistura de muita coisa, Homem-Aranha no Aranhaverso só pode ser assim porque já se fez tantas aventuras “tradicionais” com o personagem no cinema. Já dá para correr riscos com o personagem.

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