terça, 24 de novembro de 2020

História
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Tomada de Monte Castelo e a história do paraibano que sobreviveu à 2ª Guerra

Ana Daniela Aragão / 22 de fevereiro de 2016
Foto: Rammom Monte
“Às 9h do dia 21 de fevereiro de 1945, nós já tínhamos certeza que éramos donos de Monte Castelo”. Estas palavras são do ex-combatente paraibano, Genival Máximo de Oliveira, que esteve na tomada de Monte Castelo, na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial.  A batalha completou 71 anos e é marcada como um dos maiores feitos da Força Expedicionária Brasileira (FEB).

Para chegar à vitória, os brasileiros realizaram três tentativas de ataque que fracassaram. “Nós entramos geograficamente errados. Fomos pela frente do inimigo e não atrás. Eles tinham uma vantagem porque ficavam acima, nas montanhas. A minha posição era de atirador de tanque, mas só consegui dar um tiro porque ele não chegava à montanha, era difícil posicioná-lo. Então, esquecemos o canhão e fomos trabalhar com bazucas e metralhadoras”, disse.

O ex-pracinha afirmou que após as três tentativas foi preciso recuar e traçar um novo ataque. “Voltamos à posição, perdemos muita gente, preparamos as tropas outra vez e então calculamos atacar entre 16 a 25 de fevereiro porque o gelo já estaria menor. No dia 21, estávamos no Monte, colocando a bandeira”, disse.

Além dos inimigos alemães, outros desafios foram encontrados pelos brasileiros, como o frio, mas o ex-pracinha afirmou que resistiu. “Eu não pensava em frio. Na hora, tinha só uma coisa: onde é que estava o inimigo? Os ataques de dia eram os mais perigosos. Tentávamos encontrar os inimigos pelo barulho. Por exemplo, nós, como patrulheiros, não podíamos fazer ruído nenhum. Usávamos um apito suave, numa distância de 20 metros para nos comunicar com os companheiros que estavam tentando localizar o ponto para o exército se posicionar”, afirmou.

Segundo Genival Máximo, a experiência superou o medo de combater. “Eu aprendi muita coisa na minha vida de militar e na guerra. Quando a gente vai para um lugar que não conhece, a gente aprende com a convivência, com o medo organizado e controlado. Não é pra perdê-lo, mas ele é transformado em coragem”, contou.

A volta pra casa

Após a tomada, os combatentes foram recebidos com muita alegria do povo. Além da vitória, os brasileiros conquistaram também a amizade dos italianos. “A festa era grande. Na Itália também foi. Os soldados do rei preferiram ficar do lado dos brasileiros do que dos americanos”, disse.

Genival Máximo contou que dos 150 que estavam no dia da tomada, apenas 36 sobreviveram. “Isto aconteceu por vários motivos: alguns congelaram, outros desmaiaram de fome, outros foram durante o combate. Na guerra tem um slogan: Ou tu, ou eu. Quem chegou, quer o lugar, quem está no lugar, não quer entregar”, afirmou.

Pouca comida e dormida

O ex-combatente afirmou que na guerra não se tinha tempo para pensar em comida e muito menos dormir. “Os italianos iam buscar ovo e vinho, colocavam no capacete, acendia o fogo, fermentava o ovo e comiam. Eu comi muito isso também. Era o jeito comer. De dia, o avião passava e jogava biscoito para só a noite a gente pegar”, contou. Quanto a dormir, a missão era quase impossível. “Não tinha quem dormisse. A pessoa entrava no saco, mas sair dele era uma luta, o gelo caía e o buraco era cheio de água”, disse.

Homenagem

O 1ª Grupamento Engenharia e as Organizações Militares da Guarnição de João Pessoa comemoraram, os feitos da FEB e de seus ex-pracinhas nos campos de batalha da Itália durante a Segunda Guerra Mundial.

Fique por dentro

A tomada de Monte Castelo constituiu na missão dos brasileiros, nos campos de batalha da Itália, em tentar conter o avanço das tropas alemãs na França. Os alemães estavam em posição favorável, nas montanhas, com uma visão direta dos inimigos, o que tornava o ataque mais favorável.

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