sábado, 26 de maio de 2018
História
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João Pessoa e Aruba têm muito mais em comum do que se imagina

Rammom Monte / 26 de agosto de 2017
Foto: Rammom Monte
Elas são litorâneas. Com águas claras e mornas. Atraem muitos turistas. São conhecidas por sua hospitalidade. Mas apesar das semelhanças, estão a quase 4,5 mil quilômetros de distância uma da outra. Estamos falando da cidade de João Pessoa, capital da Paraíba, no Nordeste brasileiro, e da ilha caribenha de Aruba, localizada na América Central. Mas além das características físicas, há outra questão que aproxima estes dois lugares: a história holandesa em seus territórios. A reportagem do Correio Online esteve na ilha em julho deste ano para conhecer essa história.

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As duas localizações foram alvos das invasões holandesas em meados do século XVII (17). Uma em 1634 e outra em 1636. Mas, apesar do pequeno período de diferença, o legado holandês se difere muito nas duas localidades. Enquanto que em uma não passou de um acontecido histórico, na outra influenciou na língua, costumes, leis, entre outras coisas.

Primeiramente, os holandeses chegaram à Paraíba. Após várias tentativas, em 1634 eles finalmente conseguiram tomar a então cidade de Filipéia Nossa Senhora das Neves, que dava nome a atual João Pessoa. Um dos pontos de domínio foi a Fortaleza de Santa Catarina, em Cabedelo, Região Metropolitana de João Pessoa.

De acordo com o historiador José Octávio de Arruda Mello, em seu livro ‘Um resumo de história da Paraíba das origens a 2016’, o domínio holandês em território paraibano durou até 1654. Segundo ele, os holandeses chegaram inclusive a ter um consulado em João Pessoa, entre 1640 e 1654, onde hoje se situa a Praça Antenor Navarro, no Centro Histórico da capital paraibana, uma das áreas com as quais os dominantes mais trabalhavam em terras paraibanas era com o comércio. Sobretudo, com fibras.

Além da parte comercial e burocrática, os holandeses chegaram a influenciar inclusive no nome da cidade, que passou a se chamar de Frederica. Assim como a Fortaleza de Santa Catarina, em Cabedelo, que recebeu o nome de Margareth.

Com um projeto de ocupação da terra, diferente dos portugueses e franceses que se empenhavam mais em saquear as riquezas, os holandeses chegaram a deixar certo legado, principalmente na área cultural, como no campo historiográfico e das artes plásticas. O primeiro, foi desenvolvido através dos relatórios de Elias Herckman, Van der Dussen, Verdonck e Carpentier. Assim também como Roulox Baro, com a ‘Relação da Viagem ao país dos Tapuias’. Já nas artes, destacam-se os pintores Franz Post e Albert Eckout, assim como o cartógragfo Georg Marcgrave. Por fim, outro campo que vale a pena destacar foi o da medicina tropical, com cinco livros feitos por Guilherme Piso.

No Caribe, a influência holandesa perdura até os dias de hoje. Em Aruba, o domínio holandês se deu início em 1636 e, diferentemente da Paraíba, tem influência até os dias atuais. Apesar de ter se tornado autônoma em 1986, a ilha caribenha ainda é um país integrantes do Reino dos Países Baixos. Para os holandeses, um dos pontos positivos de Aruba era sua localização estratégica, que visavam proteger o fornecimento de sal do continente.

Cotidiano

Andando pelas ruas de Aruba, a influência holandesa pode facilmente ser percebida. Seja no nome da capital, Oranjestad, ou nas conversas em Papiamento, língua oficial do país, que mescla o holandês, espanhol, inglês, português e outros dialetos.  Nos mastros em toda ilha, pareiam-se e contrastam-se as bandeiras azul turquesa, de Aruba, com a tricolor holandesa.

Mas além das influências aparentes, ainda há as burocráticas. De acordo com professor Dr. Luc Alofs, da Universidade de Aruba, o sistema educacional e jurídico da ilha é todo baseado nos princípios holandeses. Na política, também há influência do país europeu. O sistema político do país é o parlamentarista e pode ser considerado como uma monarquia constitucional, em que o rei dos Países Baixos é representado na Ilha por um governador, nomeado por ele. A ilha ainda tem um Primeiro Ministro, que é eleito pela população. Inclusive, 2018 é ano de votação e as bandeiras partidárias se destacam no cenário azul turquesa do mar e das areias brancas.

Na parte cultural, a mistura se dá entre a influência holandesa e a indígena caribenha. Assim como na composição demográfica. Outro aspecto que nos remete aos Países Baixos é a arquitetura. Ao andar pelo centro de Oranjestaad, por alguns minutos conseguimos nos projetar como se estivéssemos caminhando em alguma ruazinha de Amsterdam.

Influência holandesa à parte, João Pessoa e Aruba podem se orgulhar de suas belezas naturais e história. Seja o ponto mais oriental das Américas ou uma ilha pacata de águas extremamente azuis, os dois locais têm o seu valor. ‘Danki, Aruba. Te aworo’. Ou em bom português, ‘obrigado, Aruba. Até logo’.

*A reportagem esteve em Aruba a convite da Autoridade de Turismo local.

 

 

 

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