quarta, 17 de julho de 2019
História
Compartilhar:

Em 1993, ex-procurador enviou proposta a Cássio para adotar bandeira da transposição

Adelson Barbosa dos Santos / 09 de março de 2017
Foto: ARQUIVO
Um sonho esperado desde o governo imperial de Dom Pedro II que se concretizou nesta quarta-feira (8), com a chegada das águas do rio São Francisco ao território paraibano. Nesta sexta-feira (10), o presidente da República, Michel Temer, estará no município de Monteiro,

Para sair do pensamento de Dom Pedro II, que prometeu vender até a última jóia da Coroa Portuguesa para evitar que nordestinos voltassem a morrer em consequência da seca, o projeto de transposição do São Francisco percorreu um longo caminho burocrático. Por dezenas de anos foi ignorado pelos governos que se sucederam na República. Mesmo assim, a sociedade não esqueceu a ideia de ter água do São Francisco, o rio 100% brasileiro, da integração nacional. Durante todo esse tempo, foram muitos os políticos, autoridades e as personalidades que pleitearam e lutaram pela concretização da obra.

Uma dessas autoridades foi o ex-procurador-Geral de Justiça do Estado, Luiz da Costa Bronzeado (já falecido). Em março de 1993, o governador da Paraíba era Ronaldo Cunha Lima, pai do hoje senador Cássio Cunha Lima, na época superintendente da Sudene. Bronzeado ocupava o maior cargo do Ministério Público da Paraíba (MPPB).

E escreveu, no dia 23 de março daquele ano, uma correspondência de cinco laudas a Cássio Cunha Lima, propondo que ele usasse a influência que tinha no plano nacional para “empunhar a bandeira da derivação das águas do rio São Francisco para a zona mais árida do semiárido do Nordeste, abrangendo, inicialmente, os Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, como se propõe no projeto”.

Na correspondência, Bronzeado deixa claro que tinha em seu poder uma cópia do projeto e que o enviara a Cássio. “Se o Governo da República pretende iniciar um programa realista e concreto, profundo e duradouro, de resgate da miséria nordestina causada pela seca, o início da solução está no projeto que tenho a satisfação de enviar-lhe (muito conhecido e falado, mas que jamais começado) de transposição das águas do rio São Francisco para a área dos sertões nordestinos mais atingidos pela brutalidade climática”, diz Bronzeado na correspondência a Cássio.

No documento, Bronzeado lembra a quem ele chama de “grande e saudoso estadista que foi o governador Argemiro de Figueiredo”.

Leia Mais

Relacionadas