segunda, 14 de outubro de 2019
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Há 50 anos o cinema e a música perdiam o talento de Judy Garland

Renato Félix / 22 de junho de 2019
Foto: Divulgação
Hollywood é cheio de histórias de artistas que sonham com o sucesso, o conseguem e são destruídos por ele. Todos esses elementos estão na biografia de uma das mais talentosas estrelas da constelação do cinema — e não seria exagero dizer que se tratava da mais talentosa delas. Judy Garland era grande atriz de comédia, grande atriz dramática, grande dançarina e, sobretudo, grande cantora. Hoje completam-se 50 anos de sua morte precoce, aos 47 anos, após uma vida de música, sucessos e tristezas.

A vida da estrela vai ser assunto no cinema, com a estreia do filme Judy, previsto para setembro, no qual Renée Zellweger interpreta a atriz em seu último ano de vida. Àquela altura, Judy estava realizando uma série bem-sucedida de concertos em Londres, cidade onde viria a morrer, de overdose não intencional de barbitúricos, a droga que dominou boa parte de sua vida. Foi encontrada morta no banheiro pelo seu marido de então, o gerente de nightclubs Mickey Deans, seu quinto.

Mesmo com a vida pessoal e a saúde em frangalhos, Judy ainda lotava os teatros. Seu talento era tão imenso que conseguia sobressair perante cada revés da vida da artista. E apareceu cedo: Frances Ethel Gumm, nascida em Minnesota, cantou pela primeira vem num palco aos dois anos e meio e foi logo posta pela mãe ao lado das irmãs Mary Jane e Dorothy, como a Gumm Sisters.

Foi por aí que ela chegou à Metro, em 1935, aos 13 anos. Um ano antes, ela já tinha adotado o nome de Judy Garland, e o trio eram, agora, as Garland Sisters. A Metro assinou com a jovem cantora, mas, muito velha para papéis mirins e jovens para personagens adultos, o estúdio não sabia bem o que fazer com ela.

Após algumas aparições em musicais, tudo mudou quando a Metro não conseguiu Shirley Temple para O Mágico de Oz (1939) e Judy herdou o papel, mesmo já com 16 anos e velha para o papel de Dorothy. Não importou: quando apareceu cantando "Over the rainbow", se transformou em uma estrela de primeira grandeza no estúdio.

Ela estrelou uma série de musicais no estúdio, co-estrelando filmes com Fred Astaire (Desfile de Páscoa, 1948) e Gene Kelly (Idílio em Dó-Ré-Mi, 1942; O Pirata, 1947; Casa, Comida e Carinho, 1950), tão protagonista quanto eles. Também teve seus sucessos "solo", como Agora Seremos Felizes (1944), onde imortalizou outra canção que virou sua assinatura: "The trolley song". E também veio daí seu segundo marido, o diretor Vincente Minnelli, com quem teve a filha Liza.

Durante as filmagens de O Pirata (1947), Judy teve um ataque nervoso e precisou ser internada. Foi também dessa época sua primeira tentativa de suicídio. Vieram a dependência de drogas para dormir, prescritas, com pílulas ilegais, além do álcool. Os reflexos no trabalho vieram na forma de atrasos, faltas e saída de papéis para os quais estava escalada (como Ciúme, Sinal de Amor, 1949, e Bonita e Valente, 1950). Alternando filmes de sucesso e problemas, ela acabou demitida da Metro após fazer Casa, Comida e Carinho (1950) e não conseguir fazer Núpcias Reais (1951).

Sua volta ao cinema ocorreu em 1954, triunfal, com a segunda versão de Nasce uma Estrela (1954), na Warner, produzido pela Transcona, empresa e de seu terceiro marido, Sid Luft. Todos esperavam que ela ganhasse o Oscar, mas perdeu para Grace Kelly (opor Amar É Sofrer).

Mas foi na TV que sua carreira se tornou forte de novo. Em 1962, ela passou a estrelar The Judy Garland Show. E, depois dele, o palco foi sua casa, nos EUA e em outros países. Em alguns desses shows, se apresentou com Liza, que em muito repetiu o talento, o sucesso e os problemas pessoais da mãe.

No fim, poucas estrelas de cinema podem rivalizar com Judy Garland em tudo o que ela fez de melhor em frente às câmeras. "Graças a Deus pelos filmes!", diz Liza sobre a mãe, no documentário Era uma Vez em Hollywood (1974). "Eles podem pegar o talento de um artista e cristalizá-lo ali". E o que não faltava era talento quando a artista era Judy Garland.

"Eu sempre levei 'O Mágico de Oz' muito a sério, você sabe. Eu acredito na idéia do arco-íris. E passei toda a minha vida tentando alcançá-lo." - Judy Garland, sobre seu maior sucesso e sua vida

Judy na tela. Grandes filmes da carreira da atriz

'O Amor Encontra Andy Hardy' (1938)

Judy começa aqui uma parceria com Mickey Rooney:fizeram 10 filmes juntos

'O Mágico de Oz' (1939)

Judy tinha 16 anos quando foi escalada para interpretar Dorothy. Ao cantar "Over the rainbow", virou estrela.

'Agora Seremos Felizes' (1944)

Já era estrela de primeira grandeza quando estrelou musicais como este, de Vincente Minnelli.

'Desfile de Páscoa' (1948)

Único filme que estrelou com Fred Astaire. Com Gene Kelly, estrelou três. Era tão grande e genial quanto eles.

'Nasce uma Estrela' (1954)

Demitida pela Metro, fez um retorno triunfal ao cinema quatro anos depois na Warner.

'Julgamento em Nuremberg' (1961)

Em papel dramático, foi indicada pela segunda vez ao Oscar, desta vez como coadjuvante.

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