sábado, 23 de janeiro de 2021

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Há 100 anos nascia Ella Fitzgerald, uma das maiores cantoras do jazz

Renato Félix / 25 de abril de 2017
Foto: Divulgação
Em qualquer time das maiores cantoras de todos os tempos, o nome de Ella Fitzgerald tem que ser incluído - com fortes possibilidades de aparecer no topo da lista. Não só por seu talento como intérprete, imenso, mas pelo uso que fez dele: com sua voz, Ella passeou sistematicamente pelo tapete das grandes composições de seu tempo e esteve aliada a outros grandes talentos.

No primeiro caso, gravou songbooks dos principais compositores da canção americana: Cole Porter, os irmãos George e ira Gershwin, Irving Berlin, Richard Rogers, Lorenz Hart, Harold Arlen, Jerome Kern, Johnny Mercer. Até mesmo nosso Tom Jobim ganhou um disco só com seu repertório, em 1981, o último songbook gravado por Ella.

No segundo caso, estão os discos em que Ella divide com Louis Armostrong (três discos), Duke Ellington (quatro discos), Count Basie (cinco discos), o guitarrista Joe Pass (quatro discos). Fora dos discos, Ella apareceu em especiais de televisão com Frank Sinatra nos anos 1950 e 1960, incluindo A Man and His Music + Ella + Jobim, de 1967, disponível em home vídeo, e nos palcos. Mas nunca gravaram um disco juntos.

"A primeira dama da canção" teve uma infância difícil, principalmente depois da morte da mãe, em 1932. Chegou a ir para um reformatório, de onde fugiu, vivendo nas ruas. Mas em 1934 ela estreou como cantora no mitológico Teatro Apollo, no Harlem, ganhando um concurso de amadores: levou 25 dólares.

No ano seguinte, foi contratada pela big band de Tiny Bradshaw por uma semana e depois pela de Chick Webb. Webb morreu em 1939 e Ella assumiu como líder da banda, agora rebatizada de Ella and Her Famous Orchestra, gravando cerca de 150 canções com esta formação.

Em 1942, partiu para a carreira solo, na gravadora Decca. Pasopu bem da época do swing para o bebop e o jazz, trabalhando com a orquestra de Dizzie Gillespie. Em 1955, foi para a Verve, que seu empresário Norman Granz criou em torno dela. No ano seguinte, veio o seminal Ella Fitzgerald Sings the Cole Porter Songbook, o primeiro de oito discos dedicados ao repertório dos grandes compositores americanos, que Ella gravou na Verve até 1964. O conjunto desses álbuns é um verdadeiro cânone da canção americana clássica.

A partir de 1967, seus discos começam a sofrer com a necessidade de incluir músicas modernas em seu repertório, em gravações para a Capitol e para a Reprise. Um novo selo, no entanto, foi criado por Granz para Ella: a Pablo, a partir de 1972. Vieram novos grandes discos até que a voz da cantora começou a acusar cansaço nos anos 1980. Em 1996, quando morreu, ela já estava na aposentoria havia dois anos.

O centenário de Ella Fitzgerald está sendo celebrado com uma série de shows-tributo e outros eventos nos Estados Unidos e em outros países. Só hoje são sete, com destaque para o show de Jane Monheim e Nicholas Payton no clube Birdland, de Nova York, a Smithsonian Jazz Masterworks Orchestra, no Blues Alley Club, de Washington, o show de Vivian Buczeck e o Martin Sjöstedt Trio, em Malmoe, na Suécia.

Amanhã, um grande show no Lincoln Center, em Nova York, reúne nomes como Diana Krall, Audra McDonald, Renée Fleming, Marilyn Maye e Roberta Gambarini, entre outras cantoras de jazz. Todas são devedoras do estilo, a qualidade vocal e o senso interpretativo de Ella Fitzgerald, e do que ela fez pelo jazz e pela canção popular americana.

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