domingo, 17 de fevereiro de 2019
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Há 100 anos a United Artists sacudiu o mundo do cinema

André Luiz Maia / 05 de fevereiro de 2019
Foto: Divulgação
Discussões trabalhistas são parte da vida contemporânea, mas essa sempre foi uma questão abordada em diversos países e contextos, até mesmo em Hollywood. Um dos casos mais notórios da indústria do cinema foi o surgimento da United Artists (UA), que hoje completa um século de existência após diversas transformações.

O estúdio de cinema surge em 5 de fevereiro de 1919 como resultado da união de forças entre grandes estrelas da sétima arte da época: Charlie Chaplin, o casal Douglas Fairbanks e Mary Pickford, astros de primeira grandeza do cinema mudo, além do diretor D. W. Griffith.

A ideia veio do então secretário do Tesouro dos Estados Unidos, William Gibbs McAdoo, que propôs aos próprios artistas fundarem seu estúdio, fazendo frente aos executivos de Hollywood da época.

Assim como os outros três, Chaplin era um artista consolidado, mas que lutava por certo conforto para criar. Aliada à própria criação de um estúdio particular, isso fez com que o astro do cinema mudo ganhasse fôlego para entrar na empreitada que se transformaria na United Artists.

Além de uma produtora, a companhia também assumia o papel de distribuidora, garantindo a assim a total independência dos burocratas e grandes executivos de Hollywood. A ideia era atrair os olhos (e bolsos) de investidores, tornando possível a produção de filmes de criadores independentes.

Em 1924, Griffith, então presidente da companhia, abandonou o grupo por conta de alguns fracassos comerciais e decidiu se tornar um diretor freelancer. Em seu lugar, entra Joseph Schenck.

Apesar de não ter atingido com estrondoso sucesso seus objetivos, a United Artists foi importante para a expansão da “experiência cinema", no sentido de comprar, qualificar e construir salas de cinema em mais de 40 países, popularizando ainda mais o acesso às grandes produções, não só as produzidas pelo estúdio.

A experiência da UA foi seminal para a proliferação de estúdios e arranjos produtivos diversos em Hollywood. Schenck, após alguns anos na presidência da companhia, decide criar sua própria, em uma parceria com Darryl F. Zanuck, fundando a Twentieth Century Pictures. Anos depois, ela viria a se fundir com a Fox Film, se tornando a 20th Century Fox.

Durante a década de 1930, por conta da vasta rede de exibição construída pelo mundo, diversos estúdios e produtoras fechavam parceria com a United Artists para apresentar seus filmes, incluindo um pequeno estúdio de animação que estava ganhando alguma notoriedade na época, o Walt Disney Studios. Com as mudanças de mercado, esses estúdios começaram a migrar, deixando a UA para trás.

No início dos anos 1940, as atividades foram diminuindo, dando lugar à Sociedade dos Produtores Independentes de Cinema. Mas a United Artists teve desempenho importante nos anos 1950 e 1960, lançando filmes que participaram de uma modernização nos temas e produção de Hollywood, como Marty (1955) e Doze Homens e uma Sentença (1957), que usaram técnicas da TV, ou No Calor da Noite (1967) e Perdidos na Noite (1969), que ganharam o Oscar tocando em temas espinhosos como o racismo e a prostituição. Foram cinco Oscars de melhor filme nos anos 1960.

O estúdio também foi forte da comédia, produzindo alguns do mais importantes filmes de Billy Wilder, os filmes de Woody Allen nos anos 1970 e (com a Mirisch Company) a série de filmes A Pantera Cor-de-Rosa, com Peter Sellers. No ramo da diostribuição, a United Artists foi a responsável pela série 007 desde os primeiros filmes, entrando como co-produtora a partir de 1981.

Mas o grande revés da companhia veio com O Portal do Paraíso (1980), de Michael Cimino, um caríssimo fracasso de bilheteria. Custou caro: depois disso, a United Artists se tornou parte da produtora MGM, onde está até hoje.

Oscars de Melhor Filme da United Artists



Marty (1955)

A Volta ao Mundo em 80 Dias (1956)

Se Meu Apartamento Falasse (1960)

Amor, Sublime Amor (1961)

As Aventuras de Tom Jones (1963)

No Calor da Noite (1967)

Perdidos na Noite (1969)

Um Estranho no Ninho (1975)

Rocky, um Lutador (1976)

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)

Rain Man (1988)

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