sábado, 17 de agosto de 2019
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Grammy consagra country e rap e ouve críticas até de quem levou troféu

André Luiz Maia / 12 de fevereiro de 2019
Foto: Divulgação
O Grammy 2019 foi atípico. Ultimamente formatado como uma cerimônia longa e com poucas performances dignas de nota, o evento promovido pela Recording Academy trouxe momentos memoráveis e, claro, alguma polêmica. A surpresa e o ineditismo da noite ficou por “This is America”, de Childish Gambino, que ganhou dois dos três principais prêmios da noite.

A canção ganhou impulso com o videoclipe controverso, uma crítica ao racismo institucional na sociedade norte-americana, dando cor e movimento aos versos compostos por Gambino, nome artístico para a carreira musical do também ator Donald Glover, e Ludwig Göransson.

O momento histórico do primeiro rap a ganhar o prêmio de melhor canção do ano foi ofuscado por uma ausência notória, já que Glover não compareceu à cerimônia. Göransson, coautor da música, não sabia dizer à imprensa onde estava Glover, nem se tinha falado com ele, nem confirmar se efetivamente sua ausência era uma forma de protesto.

Ele, Kendrick Lamar e Drake se recusaram a apresentar prêmios na cerimônia. O ato foi visto como uma espécie de protesto ao tratamento destinado aos artistas de hip-hop nas categorias principais do Grammy, normalmente destinados a outros gêneros, como pop, rock e country.

Dos três, apenas Drake compareceu ao evento, para receber o prêmio por melhor música de rap. No entanto, ele não deixou barato, ao fazer um discurso em que diminui a importância da própria premiação, tendo o microfone cortado no meio de sua fala controversa.

Se música e gravação fizeram justiça ao hip-hop, a categoria de disco do ano acabou deixando a desejar para quem reinvidicava mais atenção para artistas negros, mas também teve motivos para fazer o Twitter ficar em polvorosa. A cantora country Kacey Musgraves conquistou o prêmio com Golden Hour, com um posicionamento progressista e uma lista de controvérsias dentro do tradicional estilo musical norte-americano.

Uma de suas concorrentes na categoria era Janelle Monáe. Dirty Computer foi um dos grandes álbuns de 2018, celebrado por público e crítica. Para o palco do Grammy, a cantora trouxe uma performance arrasa-quarteirão de “Make me feel”, com elementos de “Pynk” e “Django Jane” — todas do disco que contou com produção de Prince pouco antes de falecer.

As mulheres brilharam nesta edição, tanto nos prêmios, quanto no palco. Ariana Grande, outro nome a boicotar a premiação após desentendimentos com a produção, levou com seu elogiado Sweetener o primeiro Grammy da vida, em Álbum Pop Vocal. A britânica Dua Lipa levou o prêmio de Artista Revelação e destacou em seu discurso a predominância das mulheres na categoria, com cinco dos oito indicados.

As principais homenageadas da noite também foram mulheres. Aretha Franklin, falecida em agosto do ano passado, foi lembrada em uma apresentação de “(You make me feel like a) Natural woman” com o trio formado por Fantasia, Andra Day e Yolanda Adams. Diana Ross comemorou seus 75 anos de idade com um medley de suas canções mais icônicas. Outra que trouxe seu arsenal de hits foi Dolly Parton, que cantou ao lado de nomes como Katy Perry, Kacey Musgraves e sua afilhada musical, Miley Cyrus.

Jennifer Lopez protagonizou outro momento celebratório, em um espetáculo de dança e canto homenageando os artistas da gravadora Motown. Apesar de críticas à ausência de um artista negro na homenagem à gravadora que revelou inúmeros deles, a performance foi elogiada.

Outros momentos dignos de nota foram Lady Gaga apresentando seu hit “Shallow”, da trilha sonora de Nasce Uma Estrela, a homenagem ao cantor de rock Chris Cornell, com discurso de seus filhos, e a performance de abertura, com os latinos Camila Cabello, Ricky Martin e J Balvin.

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