quarta, 17 de outubro de 2018
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Geraldo Vandré lança seu livro de poemas publicado no Chile

André Luiz Maia / 20 de abril de 2018
Foto: ASSUERO LIMA
A figura de Geraldo Vandré tornou-se mítica por sua abstenção deliberada dos palcos. Desde o retorno de seu exílio no Chile, no início dos anos 1970, ele não se apresentava com um show. O jejum foi quebrado quase 50 anos depois, no mês passado. Agora, ele continua a movimentar as engrenagens promovendo um lançamento inédito do Brasil: seu livro de poesias, o único até então.

Poética traz cerca de oitenta poemas escritos por Vandré e publicados em 1973 no Chile, durante seu exílio do Brasil. Na época, ele fugia do regime militar ditatorial, que o perseguia por ter se tornado um símbolo de resistência ao governo, devido a composições como “Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando)”. O artista conversou rapidamente com o Correio sobre esta nova edição, que contará com lançamento na Academia Paraibana de Letras.

"Eu escrevi a maioria desses poemas no Brasil, mas alguns deles eu fiz quando já estava morando no Chile", explica, sucinto como de costume. Originalmente intitulado Cantos Intermediários de Benvirá, o título foi modificado. A razão disto, Vandré não explica. “Esta nova edição veio desta forma porque tinha de vir”, complementa. A obra é apresentada pela primeira vez em uma edição nacional por intermédio de A União Superintendência de Imprensa e Editora, vinculada ao Governo da Paraíba.

Até hoje, Geraldo Vandré continua a compor e a escrever poesias. No entanto, ele diz que não se sente pressionado a apresentá-las ao grande público. "Não há nada fechado para breve, pode ser que eu nem lance esse trabalho. Tudo vai depender do que acontecer daqui pra frente", despista o cantor, compositor e poeta.

O secretário de Cultura da Paraíba, Lau Siqueira, lembra que as pessoas que não puderam conferir ao recital realizado no mês passado poderão ter esse encontro com o poeta e conferir este trabalho inédito no Brasil. “(O lançamento) tem uma importância histórica enorme. As mudanças, inclusive no título, foram feitas pelo próprio autor. Se trata de uma obra rara, importante, de um dos mais expressivos artistas brasileiros”, comenta o secretário.

Lau avalia o trabalho presente em Poética como “uma poesia de rara beleza”, destacando a importância do verbo na trajetória artística do paraibano. “Vandré é essencialmente poeta. Em todas as dimensões da sua obra, exceto nas suas criações eruditas, a palavra é determinante. Quem adquirir o livro poderá ter a certeza de estar levando para casa uma raridade que diz muito da nossa história, da nossa literatura e da trajetória deste grande artista brasileiro nascido na Paraíba”, completa.

Quem não puder comparecer hoje à cerimônia hoje poderá adquirir o livro pelo preço de R$ 30 na própria Academia Paraibana de Letras, que funcionará como um ponto de venda de Poética no estado.

Retorno aos palcos. Os dias 23 e 24 de março foram históricos para a música popular brasileira, pois marcaram o retorno de Geraldo Vandré aos palcos, quase 50 anos depois de sua última apresentação profissional no país, em 13 de dezembro de 1968 (no ginásio de esportes do Clube Recreativo Anapolino, em Anápolis, estado de Goiás).

Este retorno foi resultado de um desejo pessoal antigo do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho. O espetáculo, ao invés de trazer os sucessos que consagraram Vandré, apresentou em sua maior parte músicas inéditas, peças escritas para piano e orquestra por Vandré ainda na década de 1980. Ao seu lado, subiram ao palco a pianista Beatriz Malnic, o violonista Alquimides Daera, a Orquestra Sinfônica e o Coro Sinfônico da Paraíba.

Apesar disso, houve espaço para ele cantar “Caminhando”, sendo assim ovacionado pela plateia presente. Perguntado sobre como se sentiu naquele momento, ele responde do seu jeito, com economia. “Foi normal. Normal, assim como em outros momentos que cantei. A diferença foi poder contar com a presença dos meus conterrâneos, os paraibanos, que vieram me ver nos dois dias”, completa.

Depois desta volta, será que já existem planos para outras apresentações, concertos, lançamentos musicais? Geraldo desconversa, mas revela que há, sim, alguma perspectiva. “Não tem realmente nada fechado. Não pretendo lançar música, disco, ou algo do tipo. Mas, a convite do governador Ricardo Coutinho, estou organizando um recital poético ao lado da Orquestra Sinfônica da Paraíba. Se acontecer, será entre junho e julho”, revela. Em breve, o palco pode mais uma vez reencontrar Geraldo Vandré.

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