sábado, 05 de dezembro de 2020

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Mulheres ‘invadem’ o mundo dos games

Ellyka Akemy / 18 de julho de 2016
Foto: Divulgação
 

Quando você pensa em games eletrônicos, qual é o primeiro perfil de jogador que vem em sua mente? Certamente, a figura de um adolescente ou talvez de um jovem de 20 e poucos anos. Mas a Pesquisa de Games Brasil 2016 revelou que as mulheres ultrapassaram os homens, e hoje elas são a maioria no segmento de jogos eletrônicos do país. O estudo mostrou também que 33,2% dos gamers moram com os filhos. O percentual é praticamente o mesmo dos jogadores que moram com os pais (33,6%).

O levantamento foi realizado em parceria entre a Sioux e a Blend, empresas brasileiras que atuam no mercado de games, e a Escola de Propaganda do MASP. O material é o mais recente no que diz respeito ao mercado brasileiro de jogos eletrônicos, com abordagem dos hábitos de consumo nas principais plataformas (mobile, videogames e computadores). O questionário que embasou o resultado da pesquisa foi respondido por 2.848 pessoas, com idade entre 14 e 84 anos, em fevereiro deste ano.

Em 2013, os homens representavam 59% e as mulheres 41% das pessoas que declararam jogar algum tipo de game eletrônico no Brasil. Este ano, o cenário mudou. Elas são 52,6% e eles 47,4%. A maioria dos jogadores tem entre 25 e 34 anos. E outro dado interessante é que 4,2% dos gamers têm mais de 54 anos, enquanto que os que têm menos de 15 anos somaram 2,3%.

Para o presidente da ACIGames, Moacyr Alves, essa nova configuração é vista de forma positiva pela indústria do segmento. “Vemos com grande ânimo esse novo cenário, porque mostra que os jogos eletrônicos não são mais um universo predominantemente masculino”, comentou. A ACIGames é uma associação brasileira criada para representar e regulamentar a indústria e comércio dos jogos eletrônicos e incentivar culturalmente a área dos games no Brasil.

“Antes, os pais não interagiam com os filhos quando o assunto era jogo eletrônico. Hoje temos um novo comportamento: os adultos jogam e fazem isso com os filhos, ou seja, há uma integração familiar, e isso é excelente”, destacou Alves. A pesquisa mostrou ainda que a maioria dos gamers (78,6%) utiliza mais de uma plataforma para jogar. No entanto, o smartphone é dispositivo preferido entre as mulheres, e o videogame entre os homens.

O estudante Caio Cardoso, de 22 anos, contou que gasta, em média, 15 horas por semana com jogos eletrônicos. Os de estratégia são seus preferidos, pois, segundo ele, forçam o jogador a ter um bom reflexo e também incentivam a pensar mais. “Jogo por lazer, mas já joguei muitos campeonatos amadores e até me dediquei para tentar ser um profissional nos games, mas requeria muito mais tempo do que eu poderia disponibilizar”, revelou.

Apesar da popularização dos jogos eletrônicos, apenas 11% dos entrevistados se consideraram gamers de fato. Os demais afirmaram que gostam dos jogos como passatempo. Esse aspecto abre margem para outra discussão: o preconceito. “Infelizmente, a sociedade ainda não enxerga o mercado de games como algo sério, que gera milhares de empregos”, destacou o presidente da ACIGames.

Já o estudante Caio Cardoso comentou que ainda há muito preconceito no Brasil, porque as pessoas ainda não encaram o mercado de game como profissão, e sim como diversão. “Hoje existem muitos times de gamers conceituados no nosso país. Por trás deles, existem psicólogos, nutricionistas, educadores físicos para manter o corpo e a mente do atleta totalmente preparados para as partidas. Mas eu acho que em um o futuro próximo esse preconceito vai acabar”, destacou Cardoso.

O que costuma jogar

Paraíba é segundo no NE em desenvolvedor de games

O Mapeamento da Indústria Brasileira e Global de Jogos Digitais, realizado pela Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP) com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em fevereiro de 2014, apontou a Paraíba como o segundo estado do Nordeste com maior concentração de empresas que desenvolvem jogos eletrônicos. O primeiro é Pernambuco, que conta com o Porto Digital, pólo que agrega diversas empresas de tecnologia.

O levantamento obteve dados de 133 desenvolvedores e permitiu a formatação de um censo da indústria brasileira do setor. A maior concentração de empresas do segmento está em São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Segundo os pesquisadores, esse cenário pode estar associado ao fácil acesso à internet, às ferramentas de desenvolvimento e oportunidades de negócios e à maior concentração de cursos profissionalizantes nas regiões Sul e Sudeste.

O game designer Rodrigo Motta, proprietário da Kaipora Digital, empresa paraibana desenvolvedora de games, comentou que a abertura de um curso superior de Jogos Digitais, oferecido por uma faculdade particular de Campina Grande, tem contribuído para a formação de mão de obra qualificada no Estado. “São mais de 10 empresas do segmento atuando na Paraíba, muitas delas já capturando valor e gerando empregos”, revelou.

A Kaipora Digital está no mercado há três anos e atua no desenvolvimento de jogos educativos. Em 2011, antes mesmo de ser oficializada, a empresa se destacou no cenário nacional com o prêmio de Melhor Jogo, com “Xilo”, no Simpósio Brasileiro de Games (SBGames). Em 2013, o mesmo game foi destaque no Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (Filo). E, em 2014, o grupo foi premiado na categoria Melhor Jogo Educativo, com “Chico na Ilha dos Jurubebas”, também na SBGames.

Atualmente, um dos principais clientes da Kaipora Digital é o Ministério da Educação (MEC). Para o game designer, a indústria brasileira de games e também a paraibana está vivendo um de seus melhores momentos. “Os jogos brasileiros se mostram cada vez mais rentáveis e os modelos de negócios vão ficando claros para todos. Na Paraíba, temos pelo menos cinco projetos que serão lançados nos próximos 10 meses que devem ser extremamente relevantes para a nossa cena e nos dar mais pistas sobre a evolução da nossa indústria local”, comentou.

A aposta para o segundo semestre da Kaipora Digital é o jogo “Cats in Time”, que deverá atender ao público mais global. “É um game que vai falar da relação de humanidade com os gatos através do tempo. Vai ser um jogo bem bonito, divertido e engraçado”, revelou Motta.

“Uma das maiores dificuldades do mercado de games é entender como fazer produtos economicamente viáveis. Empresas criam jogos muito grandes ou muito pequenos, sem uma demanda específica. Então, o maior desafio é encontrar a sustentabilidade, criando produtos que possam ser entregues dentro de prazos específicos para mercados claramente identificados” - game designer Rodrigo Motta.



Xilo – é um jogo de plataforma de ação e aventura baseado na cultura nordestina.

Chico na Ilha dos Jurubebas - é um pacote de jogos educativos de linguagem portuguesa, a maioria dos jogos são quebra-cabeças.

Exportação de games brasileiros

De acordo com dados da Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais (AbraGames), as exportações de jogos eletrônicos brasileiros cresceram 280% em 2015, em relação a 2014. Os produtos exportados são jogos próprios, serviços e work for hire.

A AbraGames iniciou em 2013 o Projeto Setorial de Exportação Brazilian Game Developers (BGD), uma parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Com essa parceria, as empresas associadas ao BGD conseguem participar com frequência dos principais eventos internacionais de games, e a cada edição fecham mais negócios e melhoram a qualidade dos serviços.

Em março de 2016, durante a Game Connection America, realizada na cidade de São Francisco, na Califórnia (EUA), a delegação brasileira negociou U$$ 7,4 milhões em contratos de publicação, serviços e outsourcing. Ou seja, quase 64% de todo montante exportado em 2015.

Montante exportado de games brasileiros

2013: U$$ 2.400.000

2014: U$$ 2.900.000

2015: U$$ 11.037.136

*Fonte: AbraGames

 

 

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