sábado, 20 de julho de 2019
Geral
Compartilhar:

Gabriela Deptulski traz My Magical Glowing Lens para o Toroh Festival

André Luiz Maia / 23 de junho de 2019
Foto: Divulgação
São João. Tempo de fogueiras, comidas típicas, roupa xadrez e quadrilhas juninas, certo? Só se você quiser. Quem não está no clima dos festejos juninos pode ter uma opção diferente com o Toroh Festival, realizado hoje no Centro Histórico de João Pessoa. Em sua terceira edição, música psicodélica, rock, rap, trip-hop e música eletrônica estão no cardápio.

O evento é uma promoção da Toroh Música&Cultura, produtora cultural capitaneada por Rayan Lins, proprietário do Centro Cultural Espaço Mundo, onde acontecem as performances de hoje. A ideia é que o público conheça os grupos e artistas agenciados pela Toroh e também possam conferir a performance da banda convidada My Magical Glowing Lens, da capixaba Gabriela Deptulski.

A multi-instrumentista e produtora musical iniciou o projeto ainda em 2013, gravando um EP sozinha, por conta própria. Na época, ela afirma que optou pelo registro solo por uma questão de necessidade, já que na época era difícil encontrar uma banda disposta a tocar com ela. "Agora, é o contrário, tem bastante gente se convidando para tocar", comenta a artista, em entrevista ao CORREIO.

Seu trabalho tem como foco a música psicodélica, pescando referências que vão de clássicos como os discos de Pink Floyd até contemporâneos como Tame Impala. O resultado é Cosmos, de 2017, considerado pela criteriosa Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como um dos melhores álbuns nacionais daquele ano. Trata-se de um passeio musical por experiências sensoriais através do som, com bastante competência e maturidade para uma artista jovem como ela.

Ver bandas do gênero lideradas por mulheres é algo raro. Há quem questione apontar isso, mas Gabriela reforça que, infelizmente, isso ainda é uma questão. "Desde quando eu comecei até agora, nós tivemos avanços, mas ainda estamos muito atrás. Ultimamente, eu ando um pouco pessimista. Vejo muito preconceito contra mulheres em posição de liderança no meio da música, especialmente no rock. Aliás, na sociedade a gente vê isso, né? Quando aparece alguma mulher na liderança, a primeira coisa que fazem é questionarem isso. Aconteceu com a Marta, no futebol, acontece com as mulheres na música", enfatiza.

Seu nome não aparece apenas nas composições e nas letras do projeto. Gabriela põe a mão na massa desde cedo, arranjando músicas, coordenando as gravações, mixando e finalizando o produto, participando, assim, de todas as etapas de produção de um disco. "Infelizmente, ainda é raro e percebo que intimida algumas pessoas. Não acho que deveria ser uma questão, deveria ser tão natural quanto qualquer outra coisa. Se eu fosse homem, duvido que questionariam minha legitimidade enquanto produtora", completa Gabriela.

Atualmente em uma residência artística em Recife, Gabriela afirma que tem um espírito um tanto nômade, mas que reconhece a importância de desenvolver uma cena local. "Já passou pela minha cabeça ir para outras cidades, como São Paulo ou Rio, e acho importante frequentá-las e trocar experiências com quem está lá, mas ao longo do tempo, circulando pelo país, percebi que fortalecer os artistas e o cenário de cada cidade é benéfico tanto para nós, que estamos fora desses grandes centros, quanto para os artistas de lá que buscam contatar o público de outras localidades. Eles podem contar conosco para estabelecer essa ponte", argumenta a líder da My Magical Glowing Lens.

"Sou questionada até em relação à minha postura. Não estou no 'padrão' do que esperam de um líder de uma banda de rock. Não me limito a escutar apenas o gênero, também ouço pop, funk e parece que isso ainda é uma questão." - Gabriela Deptulski, artista

Toroh Festival

Hoje, às 17h.

Espaço Mundo (Pça. Antenor Navarro, 53, Varadouro, João Pessoa – 3021.8298/ 3021.5233 –

https://www.facebook.com/espacomundo).

Entrada franca

Line-up tem Vieira e Rieg



As atrações paraibanas do Toroh Festival são conhecidas pelo público do Centro Histórico. Sinta a Liga Crew vem fazendo barulho com o rap feminino engajado com causas sociais. A novidade é que o grupo deve tocar no segundo semestre no Bananada, um dos principais festivais do país, realizado em Goiás.

Vieira também é um grupo que traz na bagagem experiências fora do estado, a exemplo da gravação de seu disco, Parahyba Vive, lançado no ano passado. O registro foi realizado no Red Bull Studios após ser selecionado por um projeto desenvolvido pelo selo.

FurmigaDub também desenvolve um trabalho aprovado por edital, no caso o programa Rumos Itaú Cultural 2017-2018. No show, estará o repertório do disco Mestres da Paraíba, que conta com composições de artistas da cultura popular paraibana, como Anita Garyballdi, Alex Madureira, Caiana dos Crioulos e Marinho.

Completam o line up do festival o trip hop da banda Rieg, com o repertório do disco 12:00, lançado em 2018, e o encontro da música brasileira e do jazz como base para a criação da música sem gêneros da Bicho-grilo.

Atrações

My Magical Glowing Lens

Sinta a Liga Crew

Vieira

Rieg

FurmigaDub

Bicho-Grilo

Relacionadas