quarta, 14 de novembro de 2018
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Francês Fabien Toulmé fala ao Correio sobre novo álbum

Audaci Junior/Especial para o Correio / 28 de outubro de 2018
Foto: Divulgação
“Você tem duas vidas. A segunda começa quando você percebe que só tem uma”. Com esse pensamento do filósofo chinês Confúcio (551 aC - 479 aC) nos é apresentado o mais novo álbum do francês Fabien Toulmé publicado no Brasil, Duas Vidas. “Quando pensei na citação, ela representava muito bem o que eu queria contar nessa história”, conta o autor, em entrevista exclusiva ao CORREIO.

O quadrinista relembra que a ideia nasceu depois da sua primeira obra, Não Era Você que Eu Esperava, lançada por aqui no ano passado (também pela Nemo), e que foi sucesso de crítica e público, chegando a ser indicada ao prestigiado prêmio HQMix na categoria Melhor Edição Especial Estrangeira.

“Na época em que eu fiz esse primeiro livro, ainda trabalhava como engenheiro. Com a publicação, que fez bastante sucesso na França, consegui aos poucos diminuir o ritmo da Engenharia para me dedicar inteiramente à minha profissão de quadrinista”.

Foi essa decisão de abandonar a profissão, depois de 10 anos nela, para abraçar seu sonho alimentado desde criança, que gerou os personagens presentes em Duas Vidas: os irmãos Baudouin e Luc. O primeiro leva um dia a dia sufocante num emprego monótono como jurista e com um chefe detestável; já o segundo é um “espírito livre”, que viaja o mundo praticando medicina.

Quando Luc volta a Paris por alguns dias, ele faz de tudo para tirar o irmão mais novo da inércia e mostrar a ele o que a vida tem a oferecer. Mas o que finalmente convence Baudouin é a descoberta de um tumor e a perspectiva de que lhe restam apenas poucos meses de vida.

“Vi que era frequente essa vontade que as pessoas têm de seguir outra carreira, outra vida, mas que por vários motivos ficavam presas numa vida que se construiu sem realmente querer”, explica Toulmé, que testemunhava em muitas sessões de autógrafo do seu álbum de estreia os leitores elogiando a sua “coragem” de traçar um novo rumo. “É como se a gente fosse uma vítima das nossas não escolhas. Foi uma falta de coragem de assumir a minha escolha verdadeira que me fez ir para a Engenharia”, admite.

Antes de resolver deixar tudo para trás depois do diagnóstico e partir com seu irmão Luc numa jornada de autodescoberta, vemos que o sonho sufocado de Baudouin era o de ser um músico. Esse desejo transparece em detalhes, seja no toque do celular, nos pôsteres de roqueiros no quarto ou na trilha sonora do rádio-relógio ao despertar. Bandas do gênero como Led Zeppelin, Rolling Stones e The Doors fazem parte do gosto musical do protagonista.

“Eu sou muito eclético nas músicas que escuto”, conta Fabien. “Confesso que rock não é bem o meu foco em termos musicais, mas gosto principalmente do rock que coloquei na história, dos anos 1960 e 1970. Nos dias de hoje, vou muito mais para o que a gente chama aqui na França de ‘Música do Mundo’ – as mais tradicionais de cada país: eu escuto muita música da América Latina, do Brasil, da África e de outras partes”.

Na perspectiva do autor, a HQ é o encontro da sua verdadeira vida, a descoberta do que você realmente é. “É a aceitação de que a primeira escolha que fez na vida foi por imaturidade, por pressão ou por uma série de coisas que não é você. É a consequência de uma soma de fatores, mas que não foi a sua verdadeira escolha”.

“Duas vidas”

De Fabien Toulmé

(roteiro e desenho).

Editora: Nemo.

Tradução: Fernando Scheibe

Páginas: 272

Formato: 17 x 24 cm

Preço: R$ 59,80

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