sábado, 16 de janeiro de 2021

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‘Fragmentado’, de M. Night Shyamalan estreia hoje na PB

Audaci Junior / 23 de março de 2017
Foto: Divulgação
Entre altos (principalmente no começo da carreira) e baixos, há anos a crítica pega no pé do diretor M. Night Shyamalan. Inclusive ele resolveu fazer uma espécie de catarse quando mata um crítico de cinema em A Dama na Água (2006). Desta vez a diferença é o que move o seu mais novo trabalho, o thriller psicológico Fragmentado, que entra em cartaz nos cinemas paraibanos a partir de hoje.

Como o título indica, o personagem do britânico James McAvoy (o Professor Xavier dos mais recentes filmes da franquia X-Men), Kevin, é um homem perturbado que possui nada mais, nada menos que 23 personalidades dentro da sua cabeça. Manifestando-se uma de cada vez, elas vão se apresentando para três garotas nas quais ele mantém em cativeiro.

Entre uma travestida senhora que remete a “senhora” Bates de Psicose (1960) e um garotinho de nove anos, o problema maior para essas jovens prisioneiras é que Kevin tem uma 24ª personalidade, a mais terrível de todas, que está prestes a aparecer.

“É um filme sobre a diferença”, colocou Shyamalan numa coletiva da avant-première, em São Paulo. “Kevin é diferente, uma das garotas é diferente. O que nos é estranho muitas vezes mete medo. O filme trabalha com isso, não para banalizar nossos medos, mas para tentar iluminar nossa consciência das coisas.”

No elenco, o trio de garotas é formada por Anya Taylor-Joy (de A Bruxa), Haley Lu Richardson (Amor Proibido) e Jessica Sula (dos seriados Recovery Road e Skins), além da veterana Betty Buckley (da primeira adaptação de Carrie, A Estranha) como a psicóloga de Kevin. Como habitualmente faz na maioria dos seus longas, o próprio M. Night Shyamalan dá uma de Hitchcock e aparece como um homem da manutenção de um prédio.

“Esse filme começou a surgir quando conheci minha futura mulher e ela estudava psicologia”, relembrou o realizador. “Para ficar perto, a acompanhava em atividades acadêmicas. Descobri o universo das mentes múltiplas. Comecei a me interessar. Tudo o que o filme mostra, pelo menos até certo ponto, baseia-se em pesquisas acuradas. A mente humana consegue operar transformações no corpo que você nem acredita”.

No cinema e TV, o tema de múltiplas personalidades não é novidade: desde As Três Máscaras de Eva (1957) – que deu um Oscar a Joanne Woodward e inspirou Janete Clair para a personagem de Glória Menezes em Irmãos Coragem –, passando por United States of Tara (série protagonizada por Toni Collette, que trabalhou com Shyamalan como a mãe do garoto em O Sexto Sentido), até o mais recente Identidade (2003).

Sem o seu “corpo fechado”, depois de amargar a montanha-russa de uma safra irregular de filmes (veja o gráfico nesta página), devidamente malhado pela crítica como o Judas em Sábado de Aleluia, muitos apontam Fragmentado como a volta por cima do diretor e roteirista, que chegou a ser indicado ao Oscar em ambas as funções no início da carreira. Será a sua maior reviravolta?

Pelo menos não é o “fim dos tempos” para o cineasta. “Trabalho numa sequência, que gostaria de acreditar que farei para 2018”.

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