quarta, 26 de junho de 2019
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Filme ‘Pacarrete’ participa de festival de cinema na china

André Luiz Maia / 07 de junho de 2019
Foto: Divulgação
A hora e a vez do cinema nordestino parece ser mesmo agora e a Paraíba reluz nesse céu estrelado. Depois do destaque em Cannes com Bacurau e A Vida Secreta de Eurídice Gusmão, a produção audiovisual da região ganha destaque internacional novamente com a ida de Pacarrete, do cearense Allan Deberton, ao Shanghai International Film Festival, na China. O evento começa dia 15 e as atrizes estão em campanha para ajudar nos custos com a alimentação na Ásia.

As atrizes paraibanas Marcélia Cartaxo, Soia Lira e Zezita Matos integram o elenco do filme que conta a história de uma bailarina profissional cearense que entra em rota de colisão com uma sociedade conservadora da cidade de Russas, no interior do estado. “É um filme feminino, sobre relações entre mulheres fortes e determinadas”, afirma Marcélia, que protagoniza o longa no papel de Pacarrete.

Nascida em 1912 e falecida em 2004, aos 92 anos, a protagonista escolheu seu nome artístico pela admiração pela cultura francesa. “Ela foi estudar em um colégio de freiras e aprendeu francês, a dançar balé e a tocar piano.

Escolheu ‘pacarrete’ como nome, que em francês significa margarida”, conta Marcélia Cartaxo.

Soia Lira foi a responsável por fazer a conexão entre Allan e Marcélia. “Eu trabalhei no curta-metragem Doce de Coco, o primeiro de Allan, há uns dez anos, e ele buscava algum preparador de elenco. Na hora, sugeri Marcélia”, relembra a atriz, que no filme faz o papel de cuidadora da irmã mais velha de Pacarrete, interpretada por Zezita Matos.

Já naquela época, Allan contou a Marcélia sobre o desejo de fazer um filme sobre a história daquela mulher que desejava levar a dança de maneira profissional para a pequena cidade. Para exercer o papel, Marcélia Cartaxo precisou fazer uma intensa preparação para construir Pacarrete com pompa e circunstância. “Ela teve lições de francês, de dança e teve até que ter alguma noção de piano. Ela também está bem diferente em cena, até o jeito de andar mudou”, enfatiza Soia.

A ida do filme a Xangai é, para ambas, uma vitória por si só. “Chegamos ao festival entre os 15 filmes selecionados de uma lista de quase 4 mil inscritos, concorrendo em todas as categorias. É realmente algo que nos deixa muito felizes e empolgadas”, conta Soia. “O cinema nordestino tem mostrado ao mundo sua força diante de momentos tão difíceis”, complementa Marcélia Cartaxo. Além do Brasil, e da China, há representantes de países como Japão, índia, Cazaquistão, Itália, Alemanha, Rússia, Irã, Geórgia e México.

 

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