sábado, 16 de janeiro de 2021

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Falta UTI para recém-nascidos na PB; Só no ano passado, o déficit era de 146 leitos

Beto Pessoa / 10 de abril de 2018
Foto: Assuero Lima
Os recém-nascidos da Paraíba chegam ao mundo enfrentando uma realidade nada conveniente: a falta de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) específicos para o acolhimento de crianças que nasceram antes de 37 semanas. Em todo o Estado, somente no ano passado, o déficit era de 146 leitos, índice que coloca em risco a vida daqueles bebês que apresentam ao nascer quadros clínicos graves ou que necessitam de observação.

Apresentados pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os dados são do Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES) e mostram que na Paraíba só existem 89 leitos do tipo, uma taxa de apenas 1,5 unidades para 1.000 nascidos vivos, muito abaixo do volume indicado pela SBP, que seria de 4 leitos para cada grupo de mil nascidos vivos. Conforme o levantamento, 66% dos leitos estão localizados em hospitais e maternidades de João Pessoa. Os demais leitos estão nas cidades de Campina Grande e Patos.

Em todo Nordeste, a Paraíba possui o quinto maior déficit de UTI neonatal, aponta a pesquisa da SBP. O reflexo disto é o número de óbitos dos recém-nascidos: 478 somente em 2015, último ano de análise. Na avaliação da diretoria de integração regional da SBP, Eveline Monteiro, os números no Estado demonstram a vulnerabilidade vivida pelas crianças.

“Isso mostra um grande problema em relação à assistência. Se não temos a quantidade adequada de leitos o bebê corre risco, aumentamos a mortalidade neonatal da região. É um problema à saúde e também a negação do direito à assistência digna. Aproveitamos esse momento para alertar à população e aos gestores a importância desses leitos”, disse a diretoria de integração regional da SBP.

No comparativo entre 2010 e 2017, a Sociedade Brasileira de Pediatria mostra que houve na Paraíba uma retração de 10% no número de leitos, quando foram fechadas 10 UTIs, caindo de 99 para 89 unidades. Foi o pior resultado comparativo entre os Estados do Nordeste, puxado pela diminuição dos leitos que não fazem parte do Sistema Único de Saúde (SUS), que apresentaram redução de 51%.

Atualmente, de acordo com o CNES, existem em funcionamento 8.766 leitos do tipo no Brasil (públicos e privados), o que corresponde a 2,9 leitos por grupo de mil nascidos vivos. Se considerados apenas os leitos oferecidos pelo Sistema Único da Saúde (SUS), esta taxa cai para 1,5 leitos/1.000, considerando-se as 4.677 unidades disponíveis para essa rede.

Preocupante. Os números do Ministério da Saúde indicam outra tendência preocupante: a mortalidade neonatal (número de óbitos de crianças com menos de 28 dias de idade) por mil nascidos vivos é inversamente proporcional ao número de leitos disponíveis.

Nos Estados onde o número de unidades é menor, a ocorrência de mortes tem sido mais alta. Pelos últimos dados oficiais disponíveis, referentes a 2015, cerca de 26,5 mil recém-nascidos morreram nos primeiros 27 dias de vida.

Naquele ano, a taxa média nacional de mortalidade neonatal foi de 8,8 casos para cada grupo de mil nascidos vivos.

Resposta. Por meio da assessoria de comunicação, a Secretaria de Saúde do Estado (SES) lembrou que do total de leitos existentes, 63 são cadastrados em hospitais públicos. Os demais estão em instituições privadas, mas mantidos com recursos públicos.

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