sábado, 20 de julho de 2019
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Falta manutenção nas praças de João Pessoa

Lucilene Meireles / 14 de junho de 2019
Foto: Assuero Lima
As praças de João Pessoa precisam ser adotadas. A constatação é da própria população que reclama das condições em que alguns destes espaços se encontram. Um exemplo é a Praça da Amizade, no bairro do Rangel, que atraía muitas famílias, principalmente, crianças, mas hoje está tomada por mato, com os equipamentos do parque infantil e da área de ginástica quebrados, e há pichações por toda parte. A solução apontada por moradores seria o retorno do projeto ‘Adote uma praça’, que foi iniciado pela Prefeitura da Capital em 2011, mas atualmente está parado por falta de ‘padrinhos’.

Das mais de duzentas praças que existem em João Pessoa, algumas passaram por reformas, mas a manutenção, de acordo com os moradores, não é feita. “Quando inaugurou, a praça vivia cheia de gente. Hoje está abandonada. O mato cresceu e ninguém vem limpar. Os brinquedos estão quebrados e as crianças não podem brincar. Para mim, a solução seria uma empresa adotar, cuidar, manter a grama verde, os brinquedos funcionando, os equipamentos consertados. Assim, eu voltaria a ir toda tarde com as crianças”, constatou o comerciante Alexsandro Lima, que mora no Rangel.

Para Sandro de Souza, que também mora próximo à praça, com o abandono por parte da Prefeitura, as famílias se afastaram. “Isso deixou o local perigoso, porque começam a aparecer alguns frequentadores que a gente sabe que não vão para curtir o espaço, mas para fazer o mal, usar drogas, assaltar”, afirmou.

Mãe de uma menina de 3 anos, a dona de casa Débora Bezerra concorda que, se a praça fosse adotada, os moradores teriam de volta um espaço de lazer e convivência. “O problema é que a praça está esquecida. Falta cuidado, atenção, eventos de cultura para movimentar. Falta interesse”, constatou.

230 é o número total de praças que estão espalhadas pelos bairros da Capital. Das 14 previstas até o final do ano, seis já foram entregues.

Projeto quer interessados



O projeto ‘Adote uma praça’ tinha o objetivo de garantir a manutenção dos espaços públicos. A prioridade sempre foi para que empresas adotassem. Uma delas chegou a adotar a Praça Pedro Gondim, na Torre; outra, a Doutor João Medeiros, no bairro dos Estados; um supermercado Bompreço adotou a Praça Castro Pinto, na Avenida João Machado. “Hoje, o projeto está parado, mas aberto para receber os interessados em adotar”, declarou Sérgio Chaves, diretor de Paisagismo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedurb).

Ele explicou que a questão da manutenção é extremamente delicada e, por conta disso, foi criado o projeto de adotar praças. No início, funcionou.

“Começaram as solicitações para adotar as praças através de quiosques. Porém, logo depois, vimos que não era o esperado. Eram disponibilizados os espaços em diversos bairros, inclusive, na época, o próprio Parque da Lagoa. Deu certo onde havia floriculturas. Já onde tinha comércio de bebida alcoólica, não tivemos sucesso”, relatou.

A Prefeitura, segundo ele, está aberta ao projeto, porque é ele traz benefícios para a cidade.

“O próprio empreendedor tem um retorno muito grande, através de publicidade, por exemplo. E a contrapartida é manter o espaço público que ele adotou bem cuidado. A Prefeitura dá o suporte com alguns itens de manutenção, mas a parte maior seria por conta das empresas responsáveis”, explicou o diretor.

A Praça Castro Pinto não é mais adotada e hoje conta com a manutenção do município, que recuperou e remanejou um jardineiro que cuida diariamente do espaço.

Como adotar

A pessoa ou empresa interessada em adotar uma praça precisa procurar a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb) e fazer um requerimento que é enviado para análise. Após a avaliação das diretorias de Paisagismo e de Serviços Urbanos, é emitido um parecer por conta do uso do solo. “O objetivo seria mais por empresas, e a contrapartida seria a manutenção dos espaços”, explicou Sérgio Chaves. Se o interesse for dos moradores, eles também devem procurar a Sedurb e detalhar como querem adotar, se ajudando no paisagismo, fazendo manutenção, informando o que precisam de parceria com a prefeitura.

Ação percorre os bairros de JP



Uma das ações é o projeto ‘Coração do Bairro’ que teve início na Praça da Amizade, no Rangel e percorre todos os bairros. Na época do programa, a praça recebeu pintura, mobiliário, iluminação. As equipes passam uma semana em cada praça. “Após a entrega, houve pichações, quebra de equipamentos”, lamentou.

Segundo ele, a Praça João Pessoa, que também passou por reforma, foi danificada por manifestações. “As pessoas sentam no encosto, tem vigilante, jardineiro, mas lamentavelmente, a população precisa contribuir mais, zelar mais o patrimônio que é dela. Infelizmente, a depredação é grande. Rogamos que a população também tome conta. Estamos trabalhando com arborização das praças, pensando no futuro. Precisamos de mais verde, de mais árvores”, observou.

Um bom exemplo nos Bancários



Depósito de lixo, estacionamento, mato. As situações aconteciam em um terreno localizado na esquina que separa a Rua Maria Batista Rodrigues da Rua Joaquim Borba Filho, no bairro Bancários, em João Pessoa. Cansada de olhar para este cenário bem em frente à sua casa e de esperar pela ação da Prefeitura, a psicóloga Edith Rodrigues decidiu arregaçar as mangas e colocar a mão na massa e conseguiu transformar o espaço.

Flores variadas, árvores, grama fazem parte do que se transformou numa praça que ganhou o nome de Joaquim. Tudo começou com a limpeza do terreno. Depois, pneus foram utilizados para cercar toda a área. “Começamos a pintar e, à noite, vi uma pessoa que eu nem conhecia pintando também. Nessa época, eu me mudei, mas continuei cuidando. Fui até lá e o homem explicou que havia sobrado tinta da pintura de seu apartamento e ele havia resolvido aproveitar, mas só tinha tempo naquele horário”, relatou Edith. Ela admitiu que aquela ajuda a emocionou.

Junto a outro morador, Geraldo Manoel de Vasconcelos, que é proprietário de uma borracharia nas imediações, a psicóloga juntou dinheiro e comprou um cortador de grama. Geraldo relatou que o custo para contratar uma pessoa que fizesse o serviço era alto e que comprar o equipamento traria economia. Os dois investiram no material e Geraldo entrou com a mão de obra.

O espaço se tornou tão atrativo que, de acordo com seus idealizadores, virou cenário para visitantes tirarem fotos. Para garantir a organização, há placa indicando que as fezes do cãozinho devem ser recolhidas. E há também câmeras de segurança. “Estamos melhorando nossa praça e fazemos isso por amor, tirando do próprio bolso para deixá-la assim”, disse ele.

Para Sérgio Chaves, da Sedurb, a prefeitura vê esse tipo de iniciativa com satisfação, alegria. “É a população fazendo sua parte, transformando o espaço, ocupando e tornando um local de lazer, de convivência. São pequenos parques sendo transformados e isso tem sido feito até no exterior”, elogiou.

 

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