sábado, 19 de junho de 2021

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Evento discute espaço para a mulher como profissional da música

Rammom Monte / 17 de março de 2019
Foto: Fabi Veloso/Divulgação
Hoje é dia de rock, e rock com uma pegada feminina, um verdadeiro Rock de Mulher. É que hoje acontece o Rock Mulher Circuito – Empreendedorismo e Formação para Mulheres na Música, na Vila do Porto, no Centro Histórico de João Pessoa. O projeto, idealizado pela cantora e compositora potiguar Simona Talma e a cantora baiana Andréa Martins, nasceu com o intuito de gerar um espaço para o desenvolvimento de novas profissionais no mercado musical. Anteriormente, o circuito já tinha passado por Natal e Recife.

O projeto foi selecionado pelo Natura Musical com o apoio da Lei Rouanet. Em João Pessoa o projeto oferecerá a roda de conversa “Desafios e Enfrentamentos das Mulheres no Mercado de Trabalho”, que trará um diálogo sobre o espaço e o engajamento das mulheres no mercado atual e contará com participações de Kalyne Lima (do Sinta a Liga Crew) e das produtoras culturais Marcelina Moraes e Fabi Velôso. Ao final do bate-papo, no mesmo local, Ana Morena, Andrea Martins e Simona Talma se apresentam com a banda criada especialmente para o circuito, com participação das cantoras paraibanas Val Donato e Nathalia Bellar.

A busca pela representatividade foi o que impulsionou Simona a realizar eventos com predominância feminina em Natal, entre os anos de 2015 a 2018, com a festa Rock de Mulher e como membro da edição potiguar do Sonora, um festival internacional de compositoras que surgiu em 2016 a fim de dar visibilidade e legitimar a mulher como compositora no cenário musical.

“Eu já trabalho com eventos de empoderamento feminino relacionados a música desde 2016. Quando eu fiz a primeira edição do Rock de Mulher, era uma festa que misturava cantoras, compositoras, instrumentistas, outras áreas”, explica.

Formação de uma rede



Simona diz ainda que sua experiência no Sonora a fez abrir os olhos para a dificuldade e as escassez de mulheres, principalmente nas áreas técnicas, como engenheira e técnica de som.

“Neste tempo que eu estive trabalhando no Sonora, a gente deu uma grande mapeada com o que acontece no dia a dia das meninas. As dificuldades, questões, de quem está começando uma carreira, e sobre quem já esta no mercado também. A gente foi vendo que as maiores questões são de oportunidade, de formação de profissionais.

São poucos cursos disponíveis, nosso mercado é muito dominado por homem. Na parte técnica é difícil a inclusão de mulheres, quando elas começam ter uma boa formação, não conseguem ter a mesma oportunidade”, disse.

Simona explicou ainda que uma das idéias do projeto, além de discutir a formação das mulheres, é criar uma rede de conexões, onde a coletividade e união darão a tônica.

“A gente não quer focar só na formação, mas também na parte de achar soluções de como lidar com as dificuldades no dia a dia e a nossa sobrevivência no mercado. Tem que se conhecer, conversar e buscar soluções.

Ter a criação de uma grande rede. A gente no projeto ganhou muita força se unindo trazendo pessoas diferentes, por isto que a gente conseguiu. O caminho é este mesmo. Não adianta estar só. É preciso que a gente se conecte”, falou.

Agindo coletivamente



Os eventos do Rock de Mulher, hoje, na Vila do Porto, começam com as rodas de conversa. Após isto, haverá uma apresentação musical. E para isto, foi criada uma banda especial para estes momentos do circuito. O grupo é formado por Simona Talma (vocais), Andréia Martins (vocais), Ana Morena (baixo), Maíra Soares (percuteria) e Raquel Oliveira (guitarras). Irão se juntar a elas em João Pessoa, as cantoras paraibanas Val Donato e Nathália Bellar.

“A idéia é tocar composições minhas e de Andréia e chamar meninas de outros estilos, sem se prender a estes estilos. Uma toca a musica da outra. É um desafio para todas, para pegar a música das meninas das outras cidades, tá sendo um grande desafio para a gente”, disse Simona.

Uma das convidadas é a cantora paraibana Nathália Bellar. Ela comemorou o convite para participar do projeto e reforçou a idéia da coletividade. Para ela, a união é essencial para as conquistas.

“É massa a gente ver que de alguma maneira nosso trabalho ganhou um lugar importante, que se encaixa com outra vozes. É agir com o coletivo. Ficamos muitos felizes com este convite por acreditar nesta questão do coletivo.

Eu acho que os grandes pólos culturais brasileiros só se tornaram o que se tornaram porque começara a entender que precisavam agir coletivamente”, afirmou.

Assim como Simona, Nathália reforçou a idéia da luta das mulheres para se inserirem em determinados meios historicamente ocupado majoritariamente por homens. Para ela, este movimento é cada vez mais crescente e natural.

“Eu tenho 12 anos de música, mais precisamente cinco na área autoral. Em todos os segmentos em tudo que já trabalhei, principalmente dentro dos estúdios, na parte técnica, a gente dificilmente vê mulheres nestes espaços”, afirmou, para logo em seguida completar. “O que tenho visto é esta força contrária das mulheres querendo mostrar para o que vieram. Empoderando-se de instrumentos tipicamente masculinos. Eu vejo mesmo que este processo vem como mais um projeto que não para de surgir, está dando em arvore, solidificando e reafirmando o papel feminino. Com ou sem resistência do lado de lá, ninguém esta desistindo mesmo. Tudo está fluindo. É isto o que a arte pede”, finalizou.

Outra convidada da noite é a cantora e compositora paraibana Kaline Lima, da Sinta Liga Crew. Ela ressaltou a importância do evento.

“Eu acho que todo momento, pauta que a gente reverte para ocupação da mulher, seja em que cenário for, é extremamente importante para que a gente entenda como se profissionalizar”, analisou.

Edital. O Natura Musical é a principal plataforma de patrocínio da marca de cosméticos. Desde seu lançamento, em 2005, o programa investiu R$ 132 milhões no patrocínio de 418 projetos — entre CDs, DVDs, shows, livros, acervos digitais e filmes. O último edital do programa neste ano selecionou 50 projetos em todo o Brasil, entre artistas, bandas e coletivos. Os trabalhos artísticos renovam o repertório musical do país e são reconhecidos em listas e premiações nacionais e internacionais.

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