sexta, 18 de setembro de 2020

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Evandro Teixeira, fotojornalista de longa carreira, conversa com os colegas pessoenses

André Luiz Maia / 16 de dezembro de 2016
Foto: Assuero Lima
Um dos maiores fotojornalistas do mundo nasceu na pequena Irajuba, na Bahia. Evandro Teixeira está em João Pessoa promovendo um workshop para fotojornalistas que, como ele, são fascinados pelas infinitas possibilidades de comunicar através da imagem. Em um intervalo, o fotógrafo conversou com o CORREIO sobre fotografia, jornalismo e simplicidade.

Para Evandro, se há algum segredo para fazer uma boa fotorreportagem é entender que, mais do que dominar a técnica da imagem, é preciso reconhecer o momento que sintetiza uma informação, que comunica. "É por isso que aquela foto da menina nua correndo na Guerra do Vietnã se tornou tão emblemática. Ela diz tudo sem precisar que seja escrita uma palavra", pontua.

Outro fator importante que, na sua visão, está sendo cada vez menos valorizado, é a experiência do próprio jornalista na construção de uma reportagem. "Texto, foto, é tudo uma coisa só. Você precisa estar no fato, pesquisar sobre ele, perguntar às pessoas e ver nos olhos delas o que está acontecendo, ter uma vivência daquele momento", completa o fotógrafo.

Sua carreira começou em 1958, quando integrou a equipe do jornal carioca Diário da Noite. Cinco anos depois, começa a trabalhar para o Jornal do Brasil. De lá para cá, foi testemunha ocular da transição do analógico para o digital, a ascensão da internet e como o fluxo de informações afetou a forma de se fazer jornalismo, especialmente no Brasil.

Apesar disso, os critérios para se avaliar uma boa foto não mudaram. "É claro que hoje os novos processos de produção, a tecnologia ajudou muito. Se você for a qualquer solenidade, você pode ver centenas de câmeras apontadas, mas, como diz aquele velho ditado popular, quantidade não é qualidade. No entanto, acho que a fotografia brasileira hoje é uma das mais criativas e respeitadas em todo o mundo", avalia o fotojornalista. Recentemente, ele esteve na China, jurado de um concurso internacional de fotojornalismo, o Chipp. "Para a minha surpresa, dentre os vários concorrentes, vi três brasileiros, dentre os quais dois se destacaram e receberam premiações", completou Evandro.

Ao longo dos mais de 50 anos de carreira, já recebeu diversos prêmios, honrarias, publicações e exposições com seu material fotojornalístico, além de ter presenciado de perto fatos históricos importantes, como a própria ditadura militar e a visita de Fidel Castro ao Brasil, durante o governo Itamar Franco, para citar poucos. No entanto, a fotografia que ele mais tem carinho é a que ilustra essa matéria, de um casamento em Paraty, Rio de Janeiro. "É simples, singelo. Posso ter coberto muitos eventos históricos, mas é essa a fotografia que mais me toca", explica Evandro Teixeira.

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