domingo, 19 de novembro de 2017
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Jovens temem velhice e idosos só querem sombra e água fresca

Ana Daniela Aragão / 08 de abril de 2016
Foto: Assuero Lima
Desenvolver problemas de saúde, ter rugas e limitações físicas, enfrentar a solidão e lidar com dificuldades de memória são os principais temores dos jovens e adultos, em relação à maturidade. Esta é uma das conclusões da pesquisa ‘Como os brasileiros encaram o envelhecimento’, um levantamento realizado pelo Instituto QualiBest, ano passado. Porém, quem já chegou lá, não quer perder tempo com esses ‘detalhes’ da velhice.

O casal Lenira e George da Cunha é um exemplo de que a maturidade tem seu charme. Muitos idosos estão em grupos de convivência e querem mais é viajar, brincar, namorar... e fazer o que os mais jovens pensam que só eles podem: ‘curtir’ a vida.

A campanha “Envelhecer Sem Vergonha – qualidade de vida não tem idade” é uma iniciativa da empresa farmacêutica Pfizer. “Realizamos esse levantamento para entender melhor como o brasileiro enxerga o envelhecimento, tendo em mente que essa discussão se torna cada vez mais prioritária em uma sociedade que envelhece em ritmo acelerado. Ao detectar os principais mitos sobre a longevidade, é possível trazê-los para o debate e contribuir para uma maior reflexão”, disse Eurico Correia, diretor médico da farmacêutica.

Em geral, as diferentes percepções de envelhecimento ficam mais evidentes quando se analisa as respostas dos entrevistados considerando o recorte por faixa etária. O medo da solidão e de apresentar problemas de memória, por exemplo, são receios muito mais associados aos mais jovens do que à população mais madura.

Muito bem, obrigado!

Alegres, divertidos e extrovertidos. Esses adjetivos descrevem o casal George da Cunha, 78, e Lenira da Cunha, 77, que já conheceram quase todo o Brasil e ultrapassaram as fronteiras do País indo à Argentina. “A gente não se desgruda. Se um vai, o outro vai atrás. Somos felizes”, disse Lenira.

Eles prezam por aproveitar o que a vida tem de melhor e, pra eles, isso é sinônimo de viagens, bons restaurantes e hotéis, mas, antes disso tudo, o melhor é viver com positividade.

“Eu não vou ficar me preocupando com as roupas que uso ou com meu cabelo, eu quero é ir pra lugares diferentes, comer e dormir muito bem. Enquanto eu puder, enquanto eu andar e tiver lucidez”, disse George da Cunha.

Eles são casados há 58 anos, são de Recife, mas há mais de 20 anos vieram morar em João Pessoa e não querem mais sair. O casal frenquenta o Clube da Pessoa Idosa, mantido pela Prefeitura, no Altiplano, onde fazem artesanato, natação e exercícios físicos. Caminhar na praia e tomar banho de mar também faz parte da rotina diária.

“Eu queria viver viajando e parar só pra comer e dormir. Fizemos há quatro anos, uma super viagem de quatro meses, passamos pelo Rio de Janeiro, Minas Gerais, Fortaleza. Já temos uma viagem marcada para Campina Grande este mês”, disse George da Cunha.

Lenira acredita que o segredo de viver bem na velhice é não se prender aos pensamentos ruins. Já o marido dela aproveita para se declarar e diz que tudo isso não seria bom se não tive a companhia da mulher.

Liberdade, enfim

Maria Margarida dos Santos, conhecida como Flor, tem 67 anos e se destaca por ser a excêntrica do seu grupo de amigos do Clube da Pessoa Idosa. Ela não quer se prender a ninguém. Procura fazer as coisas das quais mais gosta com os amigos ou até mesmo sozinha. Também gosta de viajar e tem o teatro como sua atividade preferida. Para Flor, os idosos não devem sentir vergonha de “curtir”.

Viajar e amar

Viajando bastante e com o coração bem resolvido.  É assim que os brasileiros esperam chegar à terceira idade, como revelou um recorte da pesquisa. Durante o levantamento, o instituto solicitou que os entrevistados apontassem três fotografias que representassem como eles imaginavam chegar à terceira idade. As imagens mais votadas foram aquelas associadas a um relacionamento estável e a viagens. Outras projeções para a velhice apontadas pelos entrevistados sugerem alegria, prática de exercícios físicos e proximidade com a família e os netos.

Saúde 

A preocupação com a saúde aparece como o aspecto mais lembrado quando se pergunta quais são os itens mais importantes na idade atual do entrevistado. Para a maioria, o essencial realmente é ter boa saúde, mas os jovens são os que menos se preocupam com esse fator.

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