terça, 13 de novembro de 2018
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Espetáculos apresentam a arte do clown para plateias da PB

André Luiz Maia / 22 de setembro de 2018
Foto: Divulgação: Bruno Vinelli
A arte do clown é diversa, permitindo abordagens distintas a partir de um mesmo arquétipo, o palhaço. Em João Pessoa, a Cia. de Circo-Teatro Patusco traz o último fim de semana de Payaso, solo de Joelton Barros. Em Sousa, no Sertão, é o ator Dyego Stefann que dá vida ao seu palhaço Bibildo em Má-Gí-Áh.

A ideia do espetáculo é utilizar elementos do circo como a figura do palhaço, truques de mágicas, picadeiro, além de teatro físico e recursos da mímica para abordar temas como o medo, a insegurança, os desejos, a vida, a felicidade, os encontros, os desencontros e a busca de si. A premissa da peça é um pouco diferente do que se espera de um espetáculo de palhaço, já que ele traz uma proposta mais reflexiva.

“Tem o colorido, as mágicas, mas o conteúdo é isso, o olhar do palhaço para os valores do ser humano, os medos, as vaidades, os orgulhos, algo mais introspectivo e interior do ser humano”, pontua Joelton Barros.

Payaso teve uma pré-estreia no Festival Made in Lima e agora conta com mais duas apresentações no Teatro Lima Penante. "A pré-estreia foi bem interessante, pude fazer uma espécie de ensaio aberto, além de ser uma experiência ótima participar de um festival como o Made in Lima", pontua Joelton Barros.

Joelton tem uma pesquisa  de longa data no universo da palhaçaria e possui duas décadas de experiência no teatro, passando por companhias como a Argonautas de Teatro. No entanto, a ideia de Payaso surge por conta da disciplina Estudos Avançados III, do curso de Artes Cênicas da UFPB, o qual o ator está cursando.

Através dessa aula, teve contato com a metodologia da encenadora Denise Stoklos, centrada no Teatro Essencial. "A gente evita o uso de muitos recursos técnicos para priorizar a teatralidade do ator. Essa metodologia começou a se encaixar muito bem com a ideia que eu estava tendo para o espetáculo", lembra.

A peça resulta em um misto de humor e drama, estabelecendo um diálogo direto com a vida cotidiana dos espectadores na plateia. "Quis fazer um palhaço que falasse de temas polêmicos e fortes, até causando riso, mas que esse riso fizesse refletir. Quero ser um um ator que provoque seu público e me instiga muito falar do ser humano através dessa figura do palhaço. Mesmo na perda e no ridículo, o palhaço se alimenta daquilo, enquanro o ser humano vai criando máscaras e se esconde de si mesmo", filosofa.

Sonho

Mas nem só de melancolia vive o clown. Em Má-Gí-Áh,   o sonho do palhaço Bibildo em se tornar um excelente mágico é a linha que conduz o espetáculo apresentado hoje no Centro Cultural Banco do Banco do Nordeste Sousa, apenas hoje, mas em duas sessões.

A brincadeira proposta por Dyego Stefann é usar as tentativas frustradas de Bibildo para provocar o riso. O palhaço quer realizar truques impressionantes, como números de desaparecimento, hipnose e transformações, mas o público logo percebe que tudo não passa de uma grande farsa. A única chance de se safar, no entanto, é fazer com que as pessoas riam.

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