sábado, 23 de fevereiro de 2019
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Escritor lança romance histórico-jurídico ‘A Preta Gertrudes’ nesta sexta-feira

Kubitschek Pinheiro / 14 de dezembro de 2018
Foto: Divulgação
Nesta sexta-feira, a movimentação cultural da capital começa às 17h, com o lançamento do romance histórico-jurídico ‘A Preta Gertrudes’, com 386 páginas, de autoria do desembargador e diretor da Escola Superior de Magistratura (Esma) e também imortal da Academia Paraibana de Letras, Marcos Cavalcanti de Albuquerque. Será no Centro de Estudos Jurídicos e Sociais José Fernandes de Andrade, no Bairro dos Estados. É seu 25º livro que sai com o selo da Editora A União. A apresentação será feita pela presidente da Academia Paraibana de Letras (APL), Damião Ramos Cavalcanti. Quem assina é o prefácio é acadêmica Maria do Socorro Silva de Aragão.

O trabalho literário tem editoração do programador visual, Martinho Sampaio; a capa é uma pintura do artista Flávio Tavares, trabalhada por Modesto Cavalcanti. A revisão do texto é do professor Ivan Costa. A apresentação e o prólogo são do crivo dos jornalistas José Nunes e Valter Nogueira, respectivamente.

“Estou muito satisfeito. Depois de lançar 24 obras de naturezas diversas - jurídicas, de espiritualidades e de História da minha região do Vale do Mamanguape, além de biografias de figuras ilustradas da Paraíba, das áreas culturais e políticas, agora enveredei pelo caminho do romance”, disse o autor

A obra relata o caso emblemático da ‘Preta Gertrudes’, escrava paraibana que recorreu à Justiça para não ser vendida em praça pública, como pagamento de uma dívida. O autor esmiuçou a história do personagem em 28 capítulos: da infância feliz de Gertrudes a orfandade, passando pela menina escrava, seu romance com o índio Kauê, entre outros tópicos marcantes.

De acordo com o magistrado, há muito tempo ele tinha vontade de escrever um romance. “Qualquer escritor só chega ao ápice quando escreve um romance, é a mais difícil literatura de se desenvolver, pois tem que criar histórias, cenários, personagens, diálogos, a parte geográfica, imaginação fecunda, já que romance é ficção. O pensamento e a imaginação navegam até o espaço, e o céu é o limite. Aliás, já estou pesquisando para escrever mais dois outros romances. Gertrudes é apenas o começo”, revelou o autor.

Depois de conhecer a história da escrava Gertrudes, por ocasião de exposição sobre a vida da mesma, na gestão de desembargadora Fátima Bezerra Cavalcanti, o desembargador Marcos se interessou pelo caso e começou a pesquisa para escrever o romance. À época era presidente da Comissão de Cultura e Memória do Tribunal de Justiça da Paraíba

“Ao ler o processo de uma escrava que foi penhorada, me interessei pelo caso. A Preta Gertrudes foi presa para ser vendida em hasta pública. Ela pertencia a Carlos José da Costa, que tomou dinheiro emprestado ao Frei João da Encarnação, do Convento do Carmo da Guia. Velhaco, Carlos José não pagou o dinheiro e, por essa razão, o frade foi ao juiz. A crioula foi se defender em 1828, 60 anos antes da Lei Áurea da Princesa Isabel. Ela contratou um advogado e se defendeu com uma Carta de Alforria. Era uma negra forte. O processo durou 14 anos. O final do romance é segredo, fica para os leitores”, avisa o autor.

Para entender Gertrudes

De acordo com o desembargador, esse processo que envolve a escrava Gertrudes já tem quase duzentos anos. “Gertrudes já tinha carta de alforria e foi lutar pela sua validade porque os credores queriam anular. É uma história que precisava vir à tona e em livro para que todos saibam e conheçam esse caso, afirmou Cavalcanti

A escrava Gertrudes, paraibana, alforriada, travou batalha judicial durante 14 anos para evitar que fosse vendida ilegalmente. A “Negra do Tabuleiro”, como era chamada, vendia frutas, verduras e o que mais lhe permitiam. Com cerca de 30 anos, Gertrudes Maria não quis ser vendida em praça pública e, para que isso não acontecesse, travou uma guerra judicial pela própria liberdade.

A negra quitandeira teve que se opor a um embargo de penhora contra seu senhor, iniciado em 1828, que colocou em risco a sua liberdade parcial. Seu grande feito foi o de não ter se posicionado de forma passiva e de ter procurado de imediato o auxílio de advogados em sua defesa. Naquela época, não era comum às mulheres ou aos homens escravizados contratarem advogados ou serem representados por eles.

Gertrudes chegou a ser presa. Para conseguir a liberdade de volta, solicitou um novo responsável, o tenente Modesto Honorato Victor. Quatro meses depois, em abril de 1841, o mesmo credor entrou com uma ‘Ação em Juízo’ na tentativa de vender Gertrudes e os filhos dela em praça pública para receber a dívida, sendo estas as últimas informações registradas sobre o caso.

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