segunda, 20 de novembro de 2017
Entrevista ao Correio
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Hospital de Trauma: tempo no atendimento pode salvar vidas

Luiz Carlos Souza / 25 de outubro de 2015
Foto: Rafael Passos
O Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena em João Pessoa é uma verdadeira máquina de atendimento. São 200 pacientes por dia, uma ambulância a cada 25 minutos. O diretor técnico da instituição Edvan Benevides diz que 70% dos atendimentos dizem respeito a pacientes graves e que não há outra referência por causa do perfil do hospital que  trabalha com 58 médicos a cada 12 horas, em diversas especialidades.

- Como é administrar o drama diário de quem procura os serviços do Trauma e das famílias que acompanham os parentes na emergência?

- O Hospital de Trauma de João Pessoa se tronou uma vitrine da saúde estadual como um todo, independente de ser um hospital administrado pelo Governo do Estado. Ele ganhou uma dimensão muito maior do que se esperava. Foi inaugurado em agosto de 2001, com o propósito de atender somente traumas – acidentes de um modo geral.

- O que mudou em relação a esse propósito inicial?

- Só para dar uma ideia, são mais de 20 especialidades médicas, algumas exclusivas do hospital. Todas voltadas para a emergência. A peculiaridade do Trauma não é o médico é a multidisciplinariedade. Por exemplo, numa lesão por arma de fogo, um tiro, não vai para o bloco só o cirurgião geral. Vai um cirurgião vascular junto, vai especialista em tórax, vai um ortopedista.

- Quem pode ser atendido no Trauma?

- Qualquer paciente. Sofreu uma emergência não importa se tem plano de saúde ou não. O Trauma é a referência. Se ele tiver um plano de saúde ou condição financeira, no momento em que ele sair da gravidade é que ele vai para outro serviço.

- A maior parte dos atendimentos tem a ver com violência externa, a provocada?

- Infelizmente, o carro-chefe hoje não é mais a violência física, as a violência urbana no que diz respeito a acidentes com motocicletas. Metade do que se atende hoje, internamentos e cirurgias, no Trauma são decorrentes de acidentes com motocicleta. É uma epidemia nacional, aliás.

- O trauma nas grandes cidades já e uma questão de saúde pública?

- Com certeza. A fragilidade da população aumenta cada vez mais, porque ao aumentar o número de pessoas de modo geral, amplia-se a mobilidade urbana e a população, apesar de esclarecida, continua cometendo erros crassos, no que diz respeito à negligência com a própria pessoa.

- O que o senhor citaria como exemplo?

- Ingere bebida alcoólica e dirige ao mesmo tempo, não utiliza os equipamentos de segurança, como capacete e cinto, anda em alta velocidade, frequenta locais perigosos à noite, onde há altos índices de violência. As grandes crises vêm atreladas ao desenvolvimento populacional, que na maioria das vezes são crises de trauma.

-Quantos pacientes são atendidos por mês no Trauma?

- Em média seis mil pacientes. Desses 35%, em média, vítimas de acidentes de moto. São dois mil e quinhentos acidentes por mês de motocicleta.

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