sábado, 26 de maio de 2018
Entrevista ao Correio
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ENTREVISTA: Professora fala sobre o preconceito racial vivenciado no Brasil

Luiz Carlos Sousa / 15 de novembro de 2015
Foto: Rafael Passos
O preconceito racial nas redes sociais, que recentemente atingiu a atriz Thais Araújo e a jornalista Maria Júlia Coutinho e a intolerância religiosa, que hoje promove agressões em todo o País a templos de origem africana são exemplos, na opinião da professora Ana Cristina Mandarino, de que a democracia racial é uma falácia. O que há na sociedade brasileira é racismo. “Nosso preconceito vem carregado do racial e do de classe. Ele é mais cruel ainda porque não somente um preconceito de origem do indivíduo, de sua etnia, mas também está agregado à condição social deste indivíduo”, acrescenta. Nessa conversa com o Correio, ela analisa o desrespeito aos Direitos Humanos, as mentiras sociais e diz que a única alternativa para superar essas dificuldades é a Educação.

- Por que é tão difícil o respeito à diversidade religiosa no Brasil?

- A gente pode buscar razões para isso no próprio processo de colonização do Brasil. O racismo é histórico no País. E essa busca por respeito aos Direitos Humanos, os avanços em políticas públicas me lembra uma falácia que foi construída há muito tempo que se fala da democracia racial brasileira. Se vendeu a idéia de que havia uma convivência pacífica entre os três grupos étnicos formadores da sociedade brasileira.

- E foi uma ideia que saiu do Brasil e conquistou outras culturas?

- Foi na década de 1940 com a publicação de Casa Grande e Senzala de Gilberto Freire. Saiu do âmbito do pensamento social brasileiro e acabou indo para a Europa. E as pessoas passaram a acreditar nisso.

- A senhora considera que é uma falácia realmente?

- É uma falácia. Vivemos, infelizmente, num País racista, classista, hierarquizante, que não gosta de negros, que não gosta de pobres. Nosso preconceito vem carregado do racial e do de classe. Ele é mais cruel ainda porque não somente um preconceito de origem do indivíduo, de sua etnia, mas também está agregado à condição social deste indivíduo.

-Principalmente se o indivíduo é pobre?

- É uma política de apartamento dos grupos: negro, pobre e macumbeiro. Só resta um caminho, a morte. É muito complicado.

- Como explicar a falácia da democracia racial, em que se acreditou diante da realidade de um racismo, que sequer é disfarçado?

- A falácia se sustentou, durante muito tempo, no imaginário social, porque era muito mais fácil você se omitir. As pessoas só brigam por aquilo que elas acreditam existir. Então, se as pessoas acreditavam que não existia racismo, por que falar sobre racismo? Não falamos sobre algo que não acontece, não existe.

- Por quê?

- Porque a fábula da democracia racial tinha findado as amarras no imaginário da população de forma quase indestrutível. E quando a gente começa a avançar nos estudos sobre relações raciais no Brasil, por estrangeiros, que vieram para o Brasil para entender que paraíso era esse? Os norte-americanos vieram estudar encantados com a possibilidade de existir um País que teve tanta escravidão e que vivia num paraíso racial porque ele tem algumas particularidades e finuras que fazem com que ele seja disfarçado.

Leia a entrevista completa no jornal Correio da Paraíba

 

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