quinta, 19 de setembro de 2019
Entrevista ao Correio
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Entrevista: o uso da tecnologia para um diagnóstico médico mais rápido e preciso

Luiz Carlos Sousa / 06 de março de 2016
Foto: Rafael Passos
Um novo equipamento de ultrassom vai possibilitar diagnóstico mais rápido de doenças, além de ser móvel e conectado, o que facilitará o acesso dos pacientes. Segundo a gerente comercial da Mobissom, Carla Rezende, trata-se de um novo transdutor ou sonda que captura as imagens no exame de ultrassonografia. A tecnologia foi apresentada na quinta-feira à noite em João Pessoa a médicos da Unimed. Numa região onde 90% das cidades não têm o serviço de ultrassonografia, o novo aparelho pode ser decisivo para o diagnóstico preciso, segundo o médico Gualberto Chianca, que trouxe a nova tecnologia para a Paraíba. Carla Rezende destaca a mobilidade e a velocidade como as grandes vantagens da tecnologia.

- Que tecnologia é essa que foi apresentada aos médicos em João Pessoa?

- A Mobisson é uma empresa nacional tem um projeto nacional que a gente está fabricando esses transdutores na China.

- O que são os transdutores?

Na verdade o transdutor é parte do equipamento de ultrassom. Quando uma pessoa precisa fazer u exame e vai a uma clínica o equipamento usado parece um computador: tem uma tela, teclados para fazer ajustes de imagem e o que enxerga a área examinada é o transdutor ou sonda.

- O que está sendo feito no Brasil?

- Parte do ultrassom. Esse transdutor ou sonda é sem fio, pode ser utilizado em qualquer lugar, onde se tenha um dispositivo móvel. É uma inovação na radiologia, no setor de diagnóstico em todos os sentidos. E pode ser estendido para vascularização, anestesia, ou seja, é possível trabalhar com essa sonda em várias especialidades médicas.

- O resultado é semelhante ao aparelho convencional?

- Exatamente. Tem a resolução muito parecida com os convencionais e as medições muito próximas. Não é um equipamento para alta complexidade. É um equipamento mais acessível para um primeiro atendimento do paciente. A grande vantagem dessa tecnologia é a mobilidade.

- Mas a principal finalidade e para a área de diagnóstico?

- A área de diagnóstico é composta por ressonância magnética, tomografia computadorizada, ultrassom e raios-X. O ultrassom é o exame mais fácil, rápido e barato para a população e é o equipamento que mais se vende em torno de US$ 6 bilhões, seguido da ressonância com US$ 4 bilhões.

- Qual a ideia por trás dessa tecnologia?

Facilitar o diagnóstico e o trabalho do médico com esse equipamento simples, pequeno e conectado. Ele tem três partes: o monitor, o hardware e o transdutor, que é a alma da ultrassom, porque ele traz a imagem para dentro da máquina.

- O que vocês desenvolveram?

- Esse equipamento que é o olho, o coração e o resultado. Então eu uso o olho que é o transdutor ou sonda, o coração, que é o hardware e o monitor que pode ser um celular ou tablet. Por isso, uma mobilidade muito grande e uma facilidade de diagnóstico. As imagens, transfiro via wi fi, 3G pelo celular.

- E o conforto do paciente?

- o atendimento pode ser domiciliar. Vai onde o paciente estiver, no PSF, num sítio. Também pode ter uso veterinário para o exame em animais mais ariscos difíceis de conseguir fazer com que ele fique quieto.

-Essa tecnologia é brasileira?

- É uma ideia brasileira, desenvolvida nos Estados Unidos e fabricada na China por causa da mão de obra. Com isto se tem um custo mais baixo. Estamos no Brasil começando a fabricar. Primeiro com transferência de tecnologia, montagem de partes e peças até chegarmos a fabricação 100%.

- Na relação com os equipamentos atuais, qual a maior vantagem dessa tecnologia?

- Ele chega custando 25%, 20% do valor dos convencionais. Ele vem para dar oportunidade a todo médico que trabalha com diagnóstico, que precisa de imagem – no pronto atendimento, na UTI, dentro do centro cirúrgico.

- O que a senhora acredita que esse equipamento vai proporcionar, por exemplo, aos mais carentes?

- Ele vai popularizar a ultrassonografia, vai proporcionar a oportunidade de que muitas pessoas possam em seus problemas diagnosticados sem que haja necessidade de transporte para uma cidade.

- Como será essa popularização?

- Isso vai virar o estetoscópio do médico. Ele vai colocar no bolso. Ele não vai precisar apalpar, escutar para sentir. Ele simplesmente coloca o aparelho e vê a imagem de um derrame pleural, de uma apendicite, enfim.

- No caso da zika, a doença da moda, o equipamento pode ajudar?

- Pois é o cuidado com todas as grávidas. É um exame extremamente fácil. Faz-se um exame das medidas da calota craniana. Com esse exame, de acordo com a quantidade de líquido, se diagnostica se o bebê está com microcefalia ou não. Se o resultado for positivo se manda a imagem imediatamente para um centro de referência e se inicia o mapeamento da população.

-O que é que falta para isso se tornar um a política pública já que há essa facilidade toda em relação ao diagnóstico da microcefalia?

- Falta a vontade de fazer, que compete às autoridades. Porque não é preciso mais se trazer o paciente. E em três minutos se tem imagem e diagnóstico.

-A tecnologia já tem preço sugerido?

- Já tem preço de venda: R$ 18 mil reais para pronta entrega.

- Fácil de manipular?

- O manuseio é o mesmo de um aparelho comum de ultrassom. Quem vai utilizar já sabe mexer. Não há concorrência com nenhum equipamento. Vai ajudar a popularizar e agilizar o diagnóstico por imagem. Na realidade ele usa um veículo muito popular, que é o celular, para popularizar o diagnóstico.

- Quais serão os próximos passos?

- Acredito que a tecnologia trará mais inovação ainda. Primeiro aço que o mundo vai se resumir no telefone: acesso a TV, informação, entretenimento com os jovens cada vez mais conectados. Com relação a imagens, ela vai melhorar cada vez mais com aperfeiçoamentos no Doppler e no Collor.  E na punção, com agulhas embutidas para exames em tireóide e mama.

-A Medicina que sempre usou a tecnologia agora está conectada.

- Conectada. E viemos para está nessa velocidade do mundo, porque dispor da velocidade do diagnóstico, para socorrer uma pessoa. Basta ver quantas pessoas chegam ao Pronto Atendimento de um hospital e se for através de procedimentos antigos para se fazer o diagnóstico, a prestação do serviço será muito lenta. O diagnóstico rápido por imagem é bom para o governo que vai gastar menos, para o hospital, que prestará um melhor serviço e para o paciente que terá diagnosticado seu problema com velocidade.

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