quarta, 12 de maio de 2021

Entrevista ao Correio
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A crise será superada e voltaremos a crescer, garante economista

Luiz Carlos Sousa / 11 de outubro de 2015
O cenário brasileiro preocupa, mas não é alarmante e, no máximo, exige uma dose maior de cautela. Para o executivo Arlindo Pereira de Almeida, assessor Econômico da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, a economia brasileira já deu provas de resiliência, as crises foram e são comuns a todas as nações, há condições para se resolver os problemas e dar um salto de qualidade. Ele, no entanto, chama a atenção para a “incompetência como vêm sendo tratadas questões sérias, como o descontrole das contas públicas e a ausência de políticas de desenvolvimento além das reformas que modernizem o arcabouço legal. Na conversa com o Correio, Arlindo Almeida também critica o sistema tributário, cobra reformas e diz que na questão do emprego “estamos chegando a um ponto de estabilidade”.

- Que tendências a indústria paraibana identifica na atual conjuntura brasileira?

- O índice de confiança do empresário industrial da Paraíba (ICEI), publicado mensalmente pela Federação das Indústrias, em colaboração com a CNI,chegou ao seu ponto mais baixo em setembro,com 30,8 pontos, numa escala de 0 a 100, em que os valores acima de 50 indicam empresários confiantes. A queda mais acentuada foi registrada pelas médias e grandes empresas (menos 21,9 pontos sobre setembro de 2014). Já as pequenas e médias empresas registraram 39,4 pontos, 6,3 pontos abaixo de setembro de 2014.

- A hora é de investir tentando superar a crise ou o empresariado prefere ser conservador?

- Diante das incertezas no campo macroeconômico os empresários adotam, naturalmente, um comportamento cauteloso, por desconhecerem as regras do jogo daqui para frente. Juros em alta, inflação que se aproxima dos 10%, queda nas vendas, reforma tributária que não vem e a insegurança quanto às medidas que podem vir a qualquer momento, como, por exemplo, novos tributos e elevação da carga tributária. Como isso vai ser enfrentado pelo governo? Os empresários têm projetos e vontade de investir, mas precisam de segurança para dar os seus passos.

- Em que grau a situação econômica está refletindo no desempenho da indústria no Estado?

- A sondagem industrial da Paraíba, nos mesmos moldes do ICEI, mostra redução em todos os indicadores. Com 35,3 pontos, ficamos abaixo da média nacional (42,7) e do Nordeste (43,5), igualmente abaixo dos 50 pontos. A economia dos tempos atuais é marcada pela crescente integração dos mercados. É como um sistema de vasos comunicantes em que as ocorrências não se limitam a um determinado espaço geográfico: o que acontece no mundo afeta rapidamente o Brasil; da mesma forma, o que se verifica na economia nacional repercute na economia local. Necessitamos de políticas anticíclicas, consistentes e duradouras.

- A indústria tem ilhas de excelências que estão superando a crise?

- É muito complicado. Talvez devêssemos considerar empresas que tem maior capacidade de adaptação às novas realidades de mercado, enxugando custos, oferecendo produtos mais baratos para os maiores segmentos de consumidores. As empresas que têm mercado no exterior, certamente se beneficiarão do câmbio. Os pequenos negócios por terem mais flexibilidade operacional deverão ganhar espaços (elas constituem mais de 95% das empresas).

-Há motivos para alarme como alegam alguns observadores do cenário econômico?

- Alarme, de maneira nenhuma, mas uma elevada dose de cautela, sim.Pelo enorme potencial do Brasil reunimos condições para dar a volta por cima e retomar os trilhos do crescimento, mas isso não acontecerá como que num passe de mágica.  É lamentável que um país como o nosso, de grande futuro, passe por agruras ocasionadas pela incompetência como vêm sendo tratadas questões sérias, como o descontrole das contas públicas e a ausência de políticas de desenvolvimento além das reformas que modernizem o arcabouço legal.

- A situação política hoje está agravando o desempenho da economia ou o problema é mais de ajuste como o governo está propondo?

- Infelizmente enfrentamos uma “tempestade perfeita”, a ocorrência simultânea das duas coisas. A falta de regras claras afeta o desempenho da economia e os ajustes, ou remendos velhos em roupas velhas, não são suficientemente claros e consistentes, não infundindo confiança nos agentes econômicos. Os responsáveis pelos destinos do país se lançaram em empreitadas audaciosas em que os verdadeiros interesses nacionais são relegados a plano secundário, na ânsia indisfarçada do poder pelo poder, acima do povo e da Constituição da República.

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