domingo, 19 de novembro de 2017
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Empresas brasileiras pagam mais de 1/5 do salário em encargos trabalhistas

Ellyka Akemy / 28 de março de 2016
Foto: Divulgação
Em uma lista de 29 país, o Brasil é o que tem o mais alto imposto e custos obrigatórios para os empregadores. As empresas brasileiras pagam mais de um quinto do salário dos empregados em encargos trabalhistas. Foi o que revelou a pesquisa divulgada ontem pela Contabilidade e Consultoria UHY, representada no Brasil pela UHY Moreira-Auditores.

A UHY estudou dados em 29 países em toda a sua rede internacional, calculando o valor dos pagamentos que as empresas têm de fazer, como as contribuições à previdência social sobre o salário bruto dos empregados individuais, dentre outras obrigações legais aplicáveis.

No Brasil, esta situação permanece sem alterações significativas há pelo menos quatro anos. De acordo com o estudo, o custo adicional médio para as empresas em matéria de previdência social e outros encargos trabalhistas caiu 5% desde 2012, mas globalmente ainda é responsável por 20% do salário anual de um funcionário.

“Os incentivos fiscais implantados pelo governo neste período, especialmente as desonerações temporárias sobre a folha de determinados setores da economia, não se mostraram capazes de reduzir de forma sustentável e equilibrada o custo total sobre os funcionários das empresas", comenta Marcello Reis, gerente de Desenvolvimentos de Negócios da UHY Moreira.

Para o consultor da PJI Consulting, Paulo Junior, esses dados confirmam que empreender no Brasil é desafiador. “Acredito que o único aspecto positivo que essa situação gera é fato de tornar o empresário resiliente. Porque quem inicia um negócio no nosso país sabe que os encargos trabalhistas são fatores que irão pesar bastante nas finanças da empresa”, comentou.

O economista, Celso Mangueira, ressaltou que os dados são preocupantes porque faz com que o Brasil perca competitividade com outros países. “Se os encargos trabalhistas são altos, o empresário terá que elevar os preços para compensar os custos. Então, isso torna nossos produtos muito mais caros”, destacou. A microempresária, Alkiria Resende, dona da Muxito - Sandwiches Naturais, contou que não contrata mais funcionários, porque não tem condições de assumir os encargos trabalhistas.

“É mais viável investir em equipamentos do que empregar uma pessoa. Tenho apenas uma funcionária, que, por ano, me custa R$ 19.000. Esse custo é muito alto para um microempresário”, revelou.

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