terça, 25 de junho de 2019
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Espanhóis visitam famílias de paraibanos vítimas em chacina

Ainoã Geminiano / 26 de setembro de 2017
Foto: Rafael Passos
Um ano após a chacina dos paraibanos, no povoado de Pioz, na Espanha, os familiares paraibanos ainda sofrem as consequências do ocorrido. Nesta semana, o empresário Wilton Diniz Américo, pai de uma das vítimas, esteve internado na UTI de um hospital da Capital. Segundo George Diniz, filho do empresário, Wilton sofre com uma doença neurológica, consequência do sofrimento pela morte da filha Janaína. Nessa segunda (25), o embaixador da Espanha no Brasil, Fernando Villalonga e o cônsul geral da Espanha, Gonzalo Fournier, que vieram à Paraíba em missão diplomática, visitaram as famílias das vítimas.

No processo consta que o garçom Marcos Campos Nogueira, a mulher Janaína Américo e os filhos do casal, de 1 e 3 anos de idade, foram mortos e esquartejados por Patrick Nogueira, sobrinho de Marcos, no dia 17 de agosto de 2016. Os corpos foram colocados em sacos plásticos, deixados dentro da casa em que a família morava e só foram descobertos no dia 19 de setembro, quando os vizinhos sentiram o odor e chamaram a polícia. Além da dor da perda, os familiares seguem na luta por justiça. “Na Espanha, temos certeza que a justiça será feita. Patrick está preso e será condenado. Nossa dúvida é sobre a Justiça brasileira, que todos sabem como é. Não nos surpreende o Marvin Henriques (acusado de ser cúmplice da chacina) estar em liberdade”, disse a advogada Jacqueline Campos Nogueira, irmã de Marcos.

O embaixador foi recebido na casa da família de Marcos, no bairro do Bessa, onde também estiveram os familiares de Janaína. “Nosso objetivo foi trazer a solidariedade e o sentimento de humanidade do povo espanhol, que sofreu junto com essas pessoas a dor de um fato tão trágico”, disse Villalonga. Segundo ele, ainda não há previsão de quando Patrick será julgado, mas o processo caminhou como deveria e tem amplo conjunto de provas e a Justiça espanhola está atuando. O embaixador cobrou: “A Justiça brasileira também tem que agir com relação ao outro envolvido”, acrescentou.

Demora para julgar

Familiares de Marcos disseram que o julgamento na Espanha só não foi marcado ainda porque a Polícia Federal estaria retardando no envio das provas coletadas em João Pessoa. “Nós fomos ao Ministério Público Federal e ingressamos com um pedido formal para que seja agilizado o envio do cartão do celular, do tênis e o notebook do Patrick, que estão em poder da PF. Também pedimos que o MPF intervenha para mandar Marvin de volta para a prisão. Porque, além de ter sido indiciado por estupro, depois do caso da chacina, a Justiça sabe que ele passou alguns dias com a tornozeleira desligada e nada foi feito. Era motivo suficiente para ele perder a liberdade condicional”, disse Walfran Campos, irmão de Marcos.

A reportagem tentou ouvir a Polícia Federal, mas não conseguiu contato até o fechamento desta edição.

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