quarta, 26 de junho de 2019
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Eleito imortal da APL, Roberto Cavalcanti fala sobre a honra de ser escolhido

Clóvis Roberto / 09 de junho de 2019
Foto: Jameson Dore
O novo membro da Academia Paraibana de Letras (APL), o escritor, cronista, empresário e diretor da Confederação Nacional da Indústria Roberto Cavalcanti, falou sobre a honra de ter sido escolhido para somar esforços aos demais acadêmicos com o objetivo de divulgar e elevar a cultura paraibana.

Eleito com uma votação expressiva, Roberto Cavalcanti conquistou 28 votos de um colegiado composto por 35 votantes e quatro ausências em pleito realizado na última sexta-feira. Ele considera que a vitória não é pessoal, mas a de um pensamento que enxerga a APL como um coletivo, que congrega e sempre deve prevalecer a escolha dos acadêmicos que a integram.

Roberto Cavalcanti garante que está pronto para assumir a missão de ser acadêmico, de viver a APL e ressalta que chega para agregar. Confira a seguir a entrevista:

- Qual o sentimento de ser escolhido e passar a integrar a Academia Paraibana de Letras?

- Eu encaro que não existe vitória pessoal. Existe vitória de um pensamento. Talvez tenha havido uma batalha entre o singular e o plural. Eu entendo que eu representava o plural. E o que é plural? É que aos membros da Academia é que cabe escolher o seu representante, o ocupante da cadeira que está disponível, que está vaga pelo falecimento de um titular. Haja vista que a Academia tem o critério de imortalidade e você não se aposenta, na verdade, você encerra em vida a sua participação. Então, a minha visão é de que caberia sempre aos acadêmicos, significa, à Academia, escolher entre os pretensos candidatos aquele que no momento presente representava os anseios da Academia. Diferente de mim, outros candidatos fizeram apologia do ‘eu’. Era o singular! E nesse singular eram os desejos pessoais de ocuparem aquele espaço. Eu entendia diferente. Entendia que aquele espaço, era um espaço na qual o privilégio de escolhê-lo era dos membros da Academia. Razão pela qual nós nos baseamos no plural e não no singular.

- O que representa para o senhor integrar a partir de agora essa elite acadêmica?

-Eu aprendi desde pequeno a ouvir a família. Isso tinha na casa dos meus pais e isso eu tenho hoje como objetivo a transmitir aos meus filhos e meus netos. Quando eu transmiti que estava com o desejo de participar da Academia, a minha família foi unânime em me abraçar e dizer que eu estava no caminho certo. Que queria um Roberto novo, um Roberto acompanhado de pessoas de bem, acompanhado de pessoas com pensamento construtivo, com o pensamento inovador, com um nível cultural elevado, intelectuais. Então, na hora que você tem na sua casa o apoio a sua pretensão, você se fortalece porque o objetivo e a visão deles foi que eu estaria cercado de pessoas que além de serem do bem, eram pessoas intelectualmente especiais e essa convivência iria me enriquecer.

- Gostaria que o senhor comentasse sobre o placar da votação, que foi muito expressivo, muito forte.

- Na verdade eu tenho que encarar com muita humildade, mas como fruto de um trabalho que não é só meu, mas o trabalho de uma equipe. Eu me apliquei, há 150 dias que eu foquei nesse objetivo. Tinha em poder todas as informações referentes a pleitos anteriores, perfil de cada acadêmico. Então eu busquei expor a esses acadêmicos o meu perfil. Eu acho que a resultante dessa votação que é expressiva, já que digamos que a soma dos meus concorrentes é um quarto da minha votação. Eu obtive 80% da votação disponível com os presentes e perdi alguns votos por dificuldade física, votos absolutamente confiáveis. Inclusive, dentre eles, votos de pessoas que considero da família, como o voto do professor Loureiro (professor José Loureiro Lopes, ocupante da Cadeira nº 4). Eu considero que esse número expressivo decorre da minha bandeira, que é a bandeira de agregar, unificar a Academia, de que quem lá estivesse, estivesse chegando para somar e não para subtrair.

- Qual a avaliação do comportamento do Sistema CORREIO durante a eleição?

- Eu quero registrar a minha extrema honra, extremo privilégio, extrema gratidão aos que fazem o Sistema CORREIO. Nós conseguimos dar uma demonstração inédita no Brasil, que é uma pessoa que supostamente que teria influência de alterar a linha editoria do jornal, para que fosse privilegiado e o CORREIO deu uma demonstração de mais de 150 dias de extremo equilíbrio editorial. Inclusive, no dia da eleição, quem estava no local de honra do jornal na página de Opinião era o meu principal opositor. Isso mostra que o CORREIO traz a verdade, traz a isenção da informação, traz a pluralidade de pensamento. Jamais censuraríamos alguém por ser candidato um dirigente do Sistema CORREIO. O dirigente do Sistema CORREIO, no dia da eleição, supostamente estaria prejudicado pela participação do seu principal concorrente no lugar de honra. E a página que o CORREIO editou sobre a eleição está milimetricamente dividida entre os participantes da competição. Então isso, para os que fazem o Sistema CORREIO, é um atestado de credibilidade, honrabilidade.

- Como novo acadêmico, a próxima etapa é a posse. Já há alguma definição de data?

- Eu acho que quem conhece o Roberto Cavalcanti sabe que ele é pragmático. Dentro do meu pragmatismo eu vou tentar acomodar uma data que seja da conveniência dos acadêmicos. Pessoalmente, eu estou pronto para assumir esta honrosa missão que é fazer parte dessa Academia que honra a cultura, a intelectualidade da Paraíba.

- Como o senhor definiria o Roberto Cavalcanti acadêmico?

- É o mesmo Roberto. A Paraíba me conhece, sabe que eu passei um tempo no Senado Federal, permaneci o mesmo Roberto. Eu sou o Roberto de origem de classe média, fruto de um casal de intelectuais, de professores universitários, e que tem a extrema consciência de que o que nós temos que legar a terceiros, incluindo a minha própria família, é a educação, a cultura, a intelectualidade. Roberto jamais deixará de ser o que vocês conhecem, deixará de ter a partilha dos que me permitiram estar nesse cargo. Porque essa campanha mobiliza muita gente, mobiliza um trabalho que, na verdade, é pessoal de cada um de vocês. E que, como resultante, eu tenho que ter não um pingo de egoísmo, tenho que partilhar da mesma forma. Eu estou ocupando essa função, que muito me honra por mérito de um trabalho de equipe, eu partilharei essa honraria com os que estão ao meu lado.

Perfil

O empresário, escritor e cronista Roberto Cavalcanti nasceu em Pernambuco, mas escolheu a Paraíba para realizar o sonho de empreender, produzir, gerar empregos, ou seja, fazer a diferença.

Filho do médico, antropólogo e professor René Ribeiro, autor de inúmeros livros sobre relações raciais, religião e ajustamento social, biógrafo do Mestre Vitalino e presidente da Associação Brasileira de Antropologia, Roberto Cavalcanti cresceu no universo acadêmico, convivendo com amigos dos pais como Gilberto Freyre, Fernando Freire, Paulo Maciel, Luiz da Câmara Cascudo e Darcy Ribeiro.

O caminho natural – e com certeza com apoio garantido - para o jovem que desde criança acompanhava o pai em suas pesquisa de campo, era ser médico ou professor universitário. Decidiu ousar e construir um legado que pudesse ser compartilhado e beneficiasse muitos.

Economista, fez a travessia para o mundo empresarial. Viabilizou indústrias de transformação de plástico. Em 1979 foi desafiado por proposta que levaria ao reencontro com suas origens: revitalizar o CORREIO DA PARAÍBA, na época um jornal e uma rádio, fechados há três meses em razão de crise financeira.

40 anos depois, o CORREIO é um Sistema de Comunicação com duas TVs – a Correio/Record e a TV Maior, 15 emissoras de rádio em funcionamento e cinco em instalações, dois jornais impressos e diários – o jornal CORREIO e o Já – a revista Premium e os portais na internet.

A aquisição do CORREIO permitiu a união dos sonhos do filho de René e Beatriz Ribeiro, que passou não apenas a garantir espaços para escritores paraibanos, mas também a escrever crônicas e análises, depois livros, a exemplo do “Meu tempo sobre o tapete azul”, lançado em 2011, resgate histórico sobre sua passagem pelo Senado Federal, e “Como penso”, coletânea de crônicas e artigos públicos no CORREIO DA PARAÍBA, lançamento em 2019.

Roberto Cavalcanti também tem apoiado eventos culturais e artísticos por toda a Paraíba, e usado seus veículos em causas comprometidas com a erradicação da pobreza e o desenvolvimento sustentável, a exemplo da série “Paraíba, o rio”, da TV Correio/Record, que mereceu homenagem da Assembleia Legislativa.

Roberto Cavalcanti participa ativamente de instituições como o Sindiplast e Federação das Indústrias da Paraíba, e é diretor da Confederação Nacional da Indústria. Foi senador da República e autor do PL 30/2010, para criação da “ficha limpa” para ocupantes de cargos públicos comissionados ou efetivos.

Já recebeu 104 condecorações, certificados e títulos honoríficos de várias instituições, entre as quais da Associação Paraibana de Imprensa, do Tribunal do Trabalho, do Tribunal de Justiça, da Polícia Federal, da Polícia Militar, do Exército e Marinha do Brasil, da Campanha Nacional de Escolas na Comunidade, da Escola Técnica Federal, das Associações Comerciais de João Pessoa e de Campina Grande, de Câmaras Municipais, do Conselho Regional de Administração, do Lions Club, da Associação de Ex-Combatentes do Brasil, do Sinduscon, do Projeto Leitura Prazerosa, do TST, da OAB-PB, Corpo de Bombeiros e jornal Gazeta Mercantil.

Hoje, conquistou, com 80% dos votos, o reconhecimento dos acadêmicos da APL para compor o quadro da conceituada instituição.

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