quinta, 27 de junho de 2019
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Elba Ramalho lança DVD com show que evoca a trajetória de Gonzagão

André Luiz Maia / 05 de março de 2016
Foto: Peu Ricardo/ DIVULGAÇÃO
Muito além de um registro de show, o novo DVD de Elba Ramalho, Cordas, Gonzaga e Afins, faz uma verdadeira homenagem à trajetória de Luiz Gonzaga e da própria Elba, em um show que mistura canção e teatro. Gravado em 2014, o show foi utilizado como especial de fim de ano na TV, mas agora ganha um lançamento em formato de DVD, em uma parceria da Coqueiro Verde com a Natura Musical.

O projeto da turnê, que passou por sete capitais brasileiras foi selecionado pelo edital nacional de 2013 do braço musical da Natura e não foi idealizado por Elba, que fora convidada posteriormente. “Fui surpreendida com a proposta. A produtora Margot Rodrigues, junto com o diretor André Brasileiro, ambos pernambucanos, conceberam o show com a ideia de me ter como líder desse projeto”, explica a intérprete paraibana.

Acompanham a cantora nesta empreitada o quarteto de cordas Encore e o grupo instrumental SaGrama, ambos de Pernambuco.

“O SaGrama é um grupo de música armorial pelo qual sempre tive uma admiração grande. Foi um trabalho incrível, os arranjos são bonitos, instigantes”, comenta Elba.

A ideia do espetáculo é refazer, através das canções, a trajetória de Luiz Gonzaga desde o Sertão até o mar, algo que a própria Elba, nascida em Conceição, na Paraíba, também fez.

No show, ela começa no meio da plateia, cantando a impactante “Pau de arara”, (Gonzaga/ Guio de Moraes), seguida, já no palco, de “Algodão” (Gonzaga/ Zé Dantas). Ao longo da performance, outros clássicos do cancioneiro do Velho Lua, como “Qui nem jiló”, “Asa branca”, “Assum preto” (as três de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), “Pagode russo” (Luiz Gonzaga), além de canções mais “lado B”, como “Braia dengosa” (Luiz Gonzaga e Guio de Moraes) e “Adeus, Iracema” (Luiz Gonzaga e Zé Dantas).

Esta última, por sinal, foi uma sugestão da própria Elba. “No processo, eu acabei sugerindo algumas músicas. Quando me explicaram o conceito do espetáculo, lembrei imediatamente de ‘Adeus, Iracema’, por é uma das raras canções de Gonzaga que exalta a praia e o mar”, pontua.

Mas, para além do repertório do Velho Lua, canções de outros artistas representativos do Nordeste estão presentes, como “Béradêro” (Chico César), “Chão de giz” (Zé Ramalho), “Sanfona sentida” (Dominguinhos e Anastácia), e outras composições de artistas consagrados como Chico Buarque, Zé Miguel Wisnik, Tom Jobim, Gilberto Gil e Caetano Veloso, que também dialogam com o espírito nordestino do espetáculo.

“Gonzaga é uma semente que gerou árvores frondosas. Dessas árvores, muitos galhos e frutos. Todos esses compositores do repertório naturalmente foram influenciados por Gonzaga, exaltaram em algum momento de suas carreiras a obra de Gonzaga”, pontua.

Há também uma canção inédita, “Gravitacional”, composta por Marcelo Jeneci, que também faz participação especial. “Jeneci, dessa nova geração, é um compositor raro, especialíssimo. Traz consigo a influência da sanfona de Gonzaga”, comenta Elba Ramalho. Além dele, também participa do show Naná Vasconcelos e há textos do dramaturgo pernambucano Newton Moreno.

Elba já está pensando no próximo disco, que pode até envolver o samba. “Outro dia, estive com uma equipe de artistas jovens que estão gravando um disco de samba no meu estúdio. Todo mundo sempre me instiga a fazer um disco nessa área e ando pensando em fazer uma brincadeira, resgatando as pérolas do gênero. Talvez tenha chegado a hora”, revela.

“Cordas, Gonzaga e afins”

De Elba Ramalho

Gravadora: Coqueiro Verde

Preço: R$ 29,90.

 

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